A hotelaria paulista encerrou julho com avanço nos principais indicadores de receita, segundo dados da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo). O desempenho foi influenciado pela força do lazer em destinos de inverno e pela menor movimentação corporativa durante parte do mês. Para agosto, a expectativa é de retomada dos negócios e dos grandes eventos, enquanto o lazer tende a perder intensidade. O setor registrou diária média de R$ 528,69 em julho de 2026, alta de 2,80% em relação a junho, quando recuou em todos os principais indicadores, e de 7,59% na comparação com o mesmo mês de 2025.
O RevPar, por sua vez, alcançou R$ 292,79, crescimento de 6,10% ante o mês anterior e de 5,36% sobre julho do ano passado. Já a taxa de ocupação ficou em 55,38%, avanço de 3,21% na comparação mensal, mas retração de 2,07% em relação a julho de 2025. O resultado mostra que os hotéis conseguiram ampliar a geração de receita mesmo sem recuperar o nível de ocupação observado um ano antes. A evolução da diária média, superior à do RevPar, indica que a sustentação das tarifas teve papel relevante no desempenho do mês, compensando parcialmente a menor demanda em volume.

Enquanto a diária média avançou 7,59% em 12 meses, a ocupação recuou 2,07%, fazendo com que o RevPar crescesse 5,36%. O movimento aponta para um mercado capaz de preservar o poder de precificação, mas que ainda encontra limitações para converter a melhora tarifária em uma recuperação mais expressiva da demanda.
A dinâmica de julho foi influenciada pela predominância do lazer em destinos específicos de inverno. Ao mesmo tempo, a demanda corporativa perdeu força nos 20 dias finais da Copa do Mundo, reduzindo a movimentação de um segmento importante para a hotelaria paulista. Com isso, os indicadores avançaram em relação a junho, mas ficaram abaixo do desempenho esperado para um julho sem o impacto do evento esportivo.

No acumulado de 2026, a diária média ficou em R$ 543,34, o RevPar em R$ 305,46 e a taxa de ocupação em 56,13%. Os números mostram que a desaceleração da ocupação em julho não alterou, até o momento, a trajetória de preços observada ao longo do ano. Para os próximos meses, o desafio será combinar a manutenção das tarifas com uma recuperação mais consistente da demanda.
Lazer muda o mapa do desempenho em julho
Entre as MRTs (Macrorregiões Turísticas), as regiões associadas ao lazer apresentaram os principais ganhos, especialmente os destinos de Serra e Montanha. O período de férias e o feriado de 9 de julho contribuíram para a movimentação dessas áreas, evidenciando o efeito da sazonalidade sobre a distribuição da demanda no estado. O desempenho regional, portanto, variou de acordo com o perfil e a localização de cada destino.
As regiões litorâneas também apresentaram melhora em relação a junho, mas mantiveram demanda moderada. A diferença em relação aos destinos de Serra e Montanha reforça o caráter sazonal do mercado paulista: enquanto as temperaturas mais baixas favorecem determinadas áreas do Interior, o mesmo fator reduz a atratividade do litoral durante o inverno.
Na taxa de ocupação, nove das 13 MRTs participantes registraram alta em relação a junho. Terra do Sol, Circuito das Águas e Estâncias, Vale do Paraíba – Serras e os Litorais Norte e Paulista estiveram entre os destaques positivos. As quatro regiões que apresentaram queda tiveram retrações pequenas e próximas às observadas no mês anterior.
Na diária média, foram oito altas e cinco baixas. Circuito das Águas e Vale do Paraíba – Serra ficaram entre os principais destaques positivos, enquanto Terra do Sol, Sudoeste, Vale do Ribeira e os Litorais Norte e Paulista apresentaram retração. O RevPar teve 10 altas e três baixas, com Vale do Rio Grande, Vale do Paraíba – Serras e os Litorais entre os melhores resultados. Capital e Capital Expandida e Vale do Paraíba registraram desempenho negativo.
A predominância de resultados positivos no RevPar chama atenção no recorte regional. Mesmo com diferenças na ocupação e na diária entre as MRTs, dez das 13 regiões conseguiram ampliar a receita por unidade habitacional disponível. O resultado indica que a melhora da geração de receita foi mais disseminada do que a recuperação da demanda, reforçando a importância da combinação entre preço e ocupação para o desempenho dos hotéis.
Agosto depende da retomada corporativa
Depois de dois meses consecutivos de retração na taxa de ocupação, a expectativa da ABIH-SP é de recuperação da demanda corporativa em agosto, período tradicionalmente mais favorável ao segmento. O retorno de grandes eventos também deve contribuir para elevar a movimentação, principalmente nos mercados com maior exposição ao turismo de negócios.
O desempenho do próximo mês será importante para avaliar se a retração observada em junho e julho foi predominantemente conjuntural. Uma recuperação simultânea da ocupação e a manutenção das tarifas em patamares elevados poderiam produzir efeito mais forte sobre o RevPar, ampliando a geração de receita sem necessariamente exigir redução de preços para estimular a demanda.
No lazer, a perspectiva é de arrefecimento após o período de férias. Destinos de Montanha e Interior, porém, podem manter demanda média favorecida pelo clima, enquanto o litoral tende a entrar na baixa temporada. A mudança na composição da procura deverá ampliar as diferenças de desempenho entre as MRTs nos próximos meses.
Custos e mão de obra pressionam operação
Outro indicador acompanhado pela pesquisa é a relação entre funcionários e unidades habitacionais. Em julho, o índice ficou em 0,56, queda de 0,02 ponto em relação a junho. A variação mensal foi de -3,45%, enquanto a comparação com julho de 2020, início da série histórica, aponta retração de 6,66%.
A dificuldade de contratação de mão de obra qualificada continua entre os principais desafios apontados pelos hotéis participantes. A entidade também avalia que uma nova legislação em discussão poderá provocar mudanças nas escalas de trabalho, nos custos operacionais e na organização das equipes, embora os impactos ainda não estejam definidos.
A relação entre despesas e receita apresentou queda de 0,33% em julho. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a média ficou em 66,56%, enquanto a comparação com julho de 2025 apontou redução de 2,32%. O indicador considera exclusivamente a relação entre receita e despesas informada pelas propriedades, sem incorporar métricas como EBITDA.
O dado coloca o avanço da diária média e do RevPar sob outra perspectiva. O crescimento da receita por unidade disponível não representa, necessariamente, aumento proporcional da rentabilidade, já que custos operacionais podem absorver parte desse ganho. Manter as despesas sob controle, portanto, segue fundamental para transformar a melhora dos indicadores comerciais em resultado financeiro.
Entre os comentários recebidos pela ABIH-SP, também aparece a preocupação com o aumento das comissões cobradas por uma OTA e os possíveis impactos sobre a rentabilidade das propriedades. Segundo a entidade, o assunto vem sendo tratado por meio de ações individuais e em conjunto com a ABIH Nacional, diante da possibilidade de aumento dos custos de distribuição para os hotéis.
Perfil dos hotéis participantes
A pesquisa também apresenta os indicadores segundo a categoria e a principal atividade declarada pelos estabelecimentos. Entre os participantes, 51,02% se declararam midscale, 36,73% econômicos e 12,24% upscale. A composição da amostra mostra predominância dos hotéis midscale entre as propriedades participantes.
Em relação ao posicionamento principal, 62,59% dos hotéis declararam atuação corporativa, enquanto 24,49% indicaram trabalhar tanto com o segmento corporativo quanto com o lazer. Os empreendimentos com foco principal no lazer representaram 12,93% das respostas.
A predominância de hotéis com perfil corporativo ajuda a dimensionar a importância da retomada esperada para agosto. Como esse segmento representa a maior parcela da amostra, uma recuperação das viagens de negócios e dos eventos pode ter impacto relevante sobre os indicadores consolidados do Estado.
(*) Crédito da foto: Divulgação
(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/ABIH-SP


















