Lacte20: ESG para gerar conexões
Abrindo a grade de palestras do Lacte20, iniciado ontem (24), foi apresentado o painel ESG: lucro com propósito e empatia. O bate-papo contou com as participações de Elian Zanelato, gerente Nacional de Vendas do Club Med; Andrea Ocker Santos, gerente de Comunicação e Eventos da Dell Technologies; Leandro Pimenta, CEO da tg.mob; Luiz Moura, diretor de Negócios da VOLL; e Bianca Cavalcante, gestora de Eventos da Viatris Indústria Farmacêutica.
A conversa teve como objetivo mostrar como o ESG (Environmental, Social and Governance), aliado à tecnologia, pode transformar o lucro em um instrumento de impacto positivo. “O Club Med possui diversas ações ESG, mas nossa aposta maior é o social, com nosso projeto Club Med School, em parceria com o Senac. A ideia é formar profissionais e tornar a hotelaria um segmento cada vez mais atrativo para eles”, destacou Elian, abrindo o bate-papo.
“Nós profissionalizamos, trazemos para dentro de casa ou projetamos esses colaboradores para o mercado, porque essa não é uma dor só nossa. Foi um projeto que deu muito certo, refletindo diretamente na satisfação dos clientes”, completou a executiva, afirmando que as iniciativas refletiram diretamente nos índices de Recursos Humanos, ajudando a diminuir o turnover de profissionais de forma expressiva.
A iniciativa
Durante a explanação, Elian reforçou que a ideia do Club Med é expandir a iniciativa, porque a falta de mão de obra é um gargalo que afeta a hotelaria como um todo. “O pontapé inicial foi dado em Mogi das Cruzes (SP) e, após vermos o resultado positivo, iremos levar essa ação para outros mercados”, concluiu a executiva.
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The Westin São Paulo: hotel deve abrir ainda no primeiro semestre
Na programação do Lacte20, foi apresentado um dos empreendimentos mais esperados da hotelaria paulistana: o The Westin São Paulo. “Trata-se de um hotel com 187 quartos e suítes, oito salas de eventos, e toda a estrutura foi pensada com o intuito de elevar a experiência. Afinal, a bandeira Westin é mais focada em serviços do que em estrutura propriamente dita”, destacou Rodrigo Tort, gerente de Vendas da Marriott International.

Durante o evento, o executivo, junto ao time da gigante hoteleira, apresentou o projeto do hotel, que deve iniciar a operação ainda no primeiro semestre deste ano. “Estaremos localizados no Itaim Bibi, no coração de São Paulo. É uma área com forte apelo tanto de lazer, quanto do corporativo, então a expectativa é de atrair esses dois perfis de público”, completou o executivo.
Tort reforçou que a marca já está presente em Porto de Galinhas (PE) e que, apesar da diferença entre os destinos, a expectativa para São Paulo também é muito positiva. “No The Westin São Paulo, traremos uma proposta de resort urbano, algo que já estamos explorando no Marriott São Paulo Airport, em Guarulhos”, disse.
O hotel
O The Westin São Paulo tem como proposta principal oferecer aos hóspedes um espaço focado na promoção de experiências de bem-estar, baseadas em seis pilares fundamentais, que definem a marca: dormir bem, comer bem, movimentar-se bem, sentir-se bem, trabalhar bem e divertir-se bem.
O empreendimento é uma franquia da Marriott, de propriedade do Grupo Deville, assim como o Marriott São Paulo Airport.
O atual cenário das viagens corporativas
Durante a programação do Lacte 2020, o Hotelier News conversou com Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev (Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas) sobre o desempenho e as expectativas para o segmento. “O que temos ouvido dos associados e clientes é um modelo de compra que irá acompanhar a demanda excessiva. Manteremos o crescimento, talvez não tão acelerado como foi 2023 e 2024, mas acredito que teremos um avanço”, explicou.
“Quando analisamos o crescimento do turismo corporativo em 2024, crescemos 5,5% frente a 2023, consolidando uma cifra de R$ 131 bilhões. Naturalmente, chegaremos na ordem de 4,5% a 5% este ano. Para a hotelaria, a expectativa é de que tenhamos um grande desafio com a COP30, mas o movimento de recuperação tarifária continuará existindo, talvez não tão elástico”, complementou Luana em entrevista à reportagem.

Segundo a executiva da Alagev, um dos desafios da entidade, em relação ao corporativo, é desmistificar o conceito de tarifas flexíveis. “Quanto às tarifas flutuantes, estamos trabalhando este processo de desmistificação, porque as tarifas fixas nem sempre são uma boa alternativa, visto que na maior parte das vezes não traz uma relação de ganha-ganha para os players. Quando o cliente usa as tarifas flexíveis, ele vai ter mais oportunidade. Estamos estimulando os nossos associados a pensar diferente”, disse.
Perspectivas
A diretora-executiva da Alagev pontuou que as empresas devem, no mínimo, manter os investimentos este ano. “As companhias estão percebendo que, para gerar negócio, elas precisam circular. Isso é um comportamento de todo o mercado. Pode ser que em algum momento isso fique mais tímido, mas enquanto um setor está mais enfraquecido, outro se fortalece. E esse deve ser o cenário para 2025”, endossou.
“Os eventos corporativos têm crescido muito. Para 2025, algumas datas em São Paulo já não têm mais disponibilidade. Em mercados como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, também há uma movimentação grande. A questão aqui é provocar investimentos em novos espaços, que trará novas possibilidades”, finalizou.
Tendências para o mercado corporativo
Continuando a programação do Lacte20, Guilherme Dietze, assessor econômico e coordenador do Conselho de Turismo da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), apresentou o painel Números e tendências em viagens corporativas, comentando números apresentados no relatório produzido em parceria com a Alagev.

Durante a explanação, o executivo comentou sobre o faturamento recorde do segmento no ano passado, de R$ 131 bilhões, alta de 5,5% frente ao ano anterior, como adiantado pela Alagev. “Isso está muito alinhado ao dado apresentado pela GBTA (Global Business Travel Association), que reportou avanço de 6% nas viagens corporativas globais”, pontuou.
“Esse resultado pode ser creditado a um cenário econômico favorável no ano passado, com baixo volume de desemprego (6,2%), alta nos serviços (3,1%), na indústria (3,1%), além de uma alta expressiva na concessão real de crédito, de 11%. E tudo isso resultou em um incremento de 3,5% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2024, influenciando diretamente no setor”, afirmou Dietze.
Desafios para este ano
Por outro lado, o executivo da FecomercioSP alertou para alguns desafios que podem frear o movimento das viagens corporativas. Entre eles, estão:
- Aumento da taxa de juros;
- Dólar ainda caro;
- Déficit público e aumento da dívida;
- Inflação de serviços.
“Apesar disso, vemos um cenário favorável para este ano. Teremos o efeito carry over. O cenário positivo de 2024 vai continuar, e só devemos sentir os efeitos da alta de juros, ainda levemente, a partir do segundo semestre. Este é o ciclo da economia e temos que nos adaptar a ele”, finalizou.
Quais as tendências para a cadeia corporativa?
Finalizando o a programação do Lacte20, o último painel do dia, intitulado Visão dos CEOs: perspectivas e tendências para a América Latina no setor de eventos e viagens corporativas, contou com as participações de Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil; Vanessa Martins, diretora de Área da Marriott International no Brasil; Renan Alves, country manager da Uber para Empresas; Igor Tobias, managing director da MCI para a América Latina; Marcelo Linhares, CEO e co-fundador da Onfly; e Alexandre Castro, CEO da Kontik Business Travel e Inovents.
O bate-papo foi aberto por Cadier, que ressaltou que, para este ano, a tendência é de que a demanda aérea tenha crescimento ente 8% e 10%. “Obviamente, há espaço para crescer mais, mas há alguns desafios no caminho, como o dólar, falta de aeronaves, entre outros pontos, como instabilidades regulatórias, que afetam clientes e que obrigam todo o setor a estar preparado para todo tipo de cenário possível”, disse o executivo.
Em seguida, Linhares fez considerações sobre o potencial da tecnologia para elevar a experiência das viagens corporativas. “A gente precisa levar esse poder computacional para o mercado. A ideia é otimizar cada etapa da jornada, tornando tudo mais fluido e rápido. Hoje, temos um time focado em gerar valor para o cliente”, afirmou o CEO da Onfly.
“Nossa meta para este ano é crescer em 80% e, para isso, criamos uma área focada apenas em grandes contas, a fim de elevar não só a experiência, mas principalmente os resultados”, concluiu Linhares.
Atraindo demanda
Prosseguindo com o bate-papo, Vanessa pontuou que, na Marriott, a expectativa é criar experiências diferenciadas. “Temos diversificados os produtos em resposta a essa busca por produtos únicos. Essa diversificação é refletida principalmente nos destinos, com mais de 500 hotéis na América Latina”, disse.
“Além disso, desde a pandemia, o luxo vem ganhando mais força, com um público jovem buscando por este tipo de experiência. Outra tendência que está crescendo e para a qual já estamos criando respostas são os empreendimentos all inclusive. Tanto no corporativo, quanto no lazer, queremos ir cada vez mais a mais lugares, criando experiências que atendam a todas essas necessidades”, reforçou a executiva, evidenciando o momento otimista da gigante hoteleira.
(*) Crédito das fotos: Caio Gallucci/Alagev e Lucas Barbosa/Hotelier News


















