Home office: 5 dicas para gerir sua equipe à distância

home officeEmpresas ainda estão resistentes em adotar o modelo de trabalho

Readaptação. Esta é uma das palavras que define o momento atual das empresas ao redor do mundo. Com a explosão de casos de coronavírus, companhias precisam apostar em novos modelos de trabalho, como o home office, se quiserem seguir suas atividades sem expor os colaboradores à Covid-19. 

O cerco vem apertando ainda mais com estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina decretando situação de calamidade pública. Em paralelo, o governo federal fechou ontem (19) fronteiras terrestres com países vizinhos, impedindo um importante fluxo de comércio e de turismo. Para economistas, a projeção de crescimento do Brasil precisará ser revisto ainda muitas vezes, sempre para baixo.

O home office ainda causa estranhamento em muitos gestores. Para ajudar no processo de adequação das operações, o Hotelier News conversou com Andrea Deis, gestora de carreira especialista em Assessment Training DISC e mestra em Administração do Desenvolvimento de Negócios pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. A proposta é dar dicas sobre como as lideranças podem gerir e monitorar suas equipes à distância sem perder a produtividade.

Antes de enumerar recomendações, a profissional tocou em um ponto crucial para o momento: a falta de confiança do gestor em seus colaboradores. Segundo Andrea, o coronavírus está expondo uma cultura de desconfiança no mercado de trabalho brasileiro que precisa ser revista. “Aqui, nossos métodos de trabalho são muito hierarquizados. Os gestores não confiam em seus funcionários e seu comprometimento com a empresa, muitos deles preferindo demitir e reduzir suas equipes. Algo muito nocivo para o cenário que estamos vivendo”, acredita. 

Para ela, agora mais do que nunca é necessário pensar no coletivo acima do individual e fazer o possível para transferir as atividades das empresas para locais seguros, isolados e com o mínimo de corte de pessoal. Andrea ressalta ainda que a cultura da desconfiança é um fator alimentado pela mídia, que publica matérias que, segundo ela, são um desserviço aos colaboradores. “Vi um grande portal postar uma matéria insinuando que os funcionários vão, por exemplo, trabalhar de pijama. Isso é péssimo para empresas que ainda não adotaram o home office”. 

Home office: como gerir

Navegando entre condutas pessoais e corporativas, a profissional deu cinco dicas de como lideranças podem monitorar suas equipes:

(1) Cultura do líder: antes de falarmos de outros pontos, é preciso que o gestor tenha em mente seu principal papel neste momento: o de monitorar e delegar. Segundo Andrea, as lideranças precisam exercer tarefas pontuais, mapeando quem são seus colaboradores, suas funções, o que vão entregar. "Os gestores precisam ocupar este espaço tático e estratégico, sempre dando apoio no que for necessário. É mais produtivo o líder estar nesta posição do que acabar perdendo tempo em outras operações, quando se faz necessário que tenha alguém para checar as atividades”. 

(2) Canais de comunicação: um dos principais fatores para um home office eficiente. Não importa qual ferramenta sua empresa vai adotar: WhatsApp, Skype, email ou outras plataformas de calls e videoconferências. Manter uma boa comunicação é o que fará as atividades fluírem sem ruídos. “Falo muito sobre o perigo do isolamento tecnológico. Os colaboradores e gestores precisam interagir, conversar. Façam reuniões online sempre que possível, de preferência a cada dois dias”. 

(3) Metas e planejamentos: se traçar tarefas e missões é importante no do escritório, em home office é vital. Cerca de 70% do sucesso do trabalho está no monitoramento de tarefas e realização de check points do que foi feito e quais trabalhos estão pendentes. Vale ressaltar que os planejamentos devem ser coletivos e individuais, cada um com suas atividades e a empresa como um todo estabelecendo as metas. “É importante que as áreas conversem, saibam o que estão fazendo e os líderes de cada departamento reportem uns aos outros, ainda mais quando uma tarefa depende de outra área”.

(4) Recursos adequados: antes de implementar o modelo de trabalho em casa, é preciso garantir que a empresa possui todos os recursos adequados para tal. Caso seja necessário, fornecer computadores e notebooks aos colaboradores, nuvem para guardar arquivos, entre outros tipos de equipamentos necessários para a realização das tarefas.

(5) Seja flexível: assim como vários colaboradores, muitos líderes também não estão preparados para trabalhar em home office. Pode ser que o computador trave ou que a internet caia, entre outros imprevistos. Nesta hora, é preciso ser solidário, manter a calma e entender que problemas acontecem.

Para finalizar, Andrea ressalta que esta é uma oportunidade de crescimento e tomada de consciência. Companhias que nunca pensaram em operar em home office podem ver na crise a chance de mudar seus modelos de negócios. “O brasileiro não sabe, mas é uma oportunidade de futuramente aumentar a empregabilidade e reduzir os custos da empresa”.

(*) Crédito da foto: andrewneel/Unsplash

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