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PIB pode ter queda com o fim da 6×1, diz estudo

Desde o final de 2024, a mudança da escala 6×1 tem gerado polêmicas em diferentes setores da economia. A proposta da redução da jornada de trabalho é o tema central de um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e, caso seja aprovado, o impacto no PIB (Produto Interno Bruto) pode ser negativo.

Segundo informado pelo Valor, um estudo da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) aponta que a economia brasileira pode sofrer uma queda de 16% (R$ 2,9 trilhões em faturamento) dos setores produtivos, caso a jornada de trabalho seja, de fato, reduzida.

De acordo com o levantamento, em um cenário sem aumento de produtividade, haveria elevação dos custos para as empresas, queda de competitividade, avanço da informalidade e possibilidade de fechamento de cerca de 18 milhões de postos de trabalho — afetando negativamente os próprios trabalhadores.

Ao traçar um panorama hipotético, a Fiemg considera a redução da carga horária de trabalho de 40 horas semanais e sem ganhos de produtividade, resultando em perdas de R$ 480 milhões na massa salarial. Mesmo com o aumento de produtividade, as quedas podem chegar a 16 milhões de empregos e R$ 428 bilhões a renda do trabalho.

Daniel Duque, do FGV-Ibre, afirma que a redução da escala pode gerar perdas econômicas impossíveis de evitar. “Uma forma de driblar isso é aumentar a produtividade. Se você eleva a produtividade por hora trabalhada, pode haver uma compensação”, diz em entrevista ao Valor.

Brasil x média global

A pesquisa, apresentada na semana passada no encontro Jornada 6×1 e os Impactos nas Relações de Trabalho, comparou a jornada do Brasil com outros países e observou que a média brasileira é inferior à global. De acordo com o estudo, a carga horária de trabalho por aqui é maior apenas em relação à Europa e América do Norte.

“Se compararmos o Brasil com países desenvolvidos, vemos que existe uma relação negativa entre produtividade e jornada média. Justamente por isso há maior possibilidade de se reduzir a jornada, de se trabalhar menos e ainda manter os mesmos padrões econômicos”, explica Duque. Ele destaca que a produtividade no Brasil está abaixo de outros países de renda média. Ou seja, reduzir a jornada de trabalho pode nos afastar “ainda mais do padrão mundial”.

O Brasil enfrenta um desafio no quesito produtividade, que é cerca de 23% inferior à dos EUA. Alguns dos motivos são, de acordo com o estudo, logística deficiente, complexidade regulatória, insegurança jurídica, alta carga tributária, menor nível de educação e qualificação profissional, além de baixa intensidade tecnológica.

Reduzir a jornada de trabalho sem aumento da produtividade pode levar a um maior custo direto na produção, segundo Gilberto Braga, professor de pós-graduação em Finanças do Ibmec-RJ. Adotar uma nova escala sem corte salarial significaria que as empresas teriam que pagar o mesmo valor, mas por menos horas trabalhadas. Esse cenário eleva o custo do trabalho por hora e pode gerar aumento de preços de produtos, maior automação e menos empregos.

Hotelaria já testa novos modelos

No setor hoteleiro, alguns empreendimentos já estão em fase de testes de novos modelos de trabalho. O Hotel Nacional, por exemplo, adotou a escala 5×2 em algumas áreas, como Governança e Manutenção. Segundo o departamento de RH (Recursos Humanos) da propriedade, o efeito foi de aumento de produtividade das equipes.

Em um projeto-piloto, 19 empresas brasileiras já testaram o modelo de trabalho 4×3. A escala apresentou desafios, mas também resultados positivos. Do total, 71,5% dos casos identificaram aumento da produtividade, crescimento de 60,3% em nível de engajamento, além de alta de 65,5% no comprometimento dos colaboradores.

(*) Crédito da foto: Divulgação/VAT

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