Natural de São Paulo, Pedro Villalobos é diretor de A&B (Alimentos & Bebidas) do Palácio Tangará e construiu sua carreira na hotelaria de luxo com experiências em diferentes mercados da América Latina. Formado em Hotelaria e com MBA em Business, iniciou sua trajetória profissional durante a abertura do Tivoli São Paulo, período em que descobriu sua vocação para a área de A&B e passou a direcionar seu foco para esse segmento da hospitalidade.
Em busca de especialização na hotelaria de alto padrão, Villalobos desenvolveu parte de sua carreira no México e na Costa Rica. No mercado mexicano, integrou a equipe do St. Regis Punta Mita e participou da abertura do Andaz Mayakoba, empreendimento que atualmente opera sob a marca Alila. Posteriormente, transferiu-se para a Costa Rica para atuar no Andaz Papagayo, ampliando sua experiência em operações de luxo e na gestão de A&B em resorts internacionais.
Além da trajetória profissional, Villalobos mantém uma forte conexão com a natureza. Durante o período em que viveu na Costa Rica, dedicou-se a dois de seus principais hobbies: o mergulho e a pesca submarina. A convivência com os ecossistemas marinhos reforçou seu respeito pelos ingredientes e pelos produtos utilizados na gastronomia, experiência que contribuiu para sua visão sobre a importância da qualidade, da origem dos insumos e da valorização do pescado fresco na alta gastronomia.
Três perguntas para: Pedro Villalobos
Hotelier News: Em um hotel de luxo, como equilibrar a busca por uma experiência impecável para o hóspede com a necessidade de manter indicadores como rentabilidade, controle de custos e produtividade da operação de Alimentos & Bebidas?
Pedro Villalobos: O equilíbrio entre o encantamento do hóspede e a saúde financeira não é uma meta estática, mas um processo diário e constante. Estar em São Paulo nos confere uma vantagem estratégica, dada a vasta oferta de fornecedores capazes de entregar a altíssima qualidade exigida pelo luxo. Realizamos avaliações contínuas de parceiros e insumos para mitigar custos desnecessários, sem jamais comprometer a entrega final. Além disso, atuamos constantemente na gestão de desperdícios, sustentados por um controle rigoroso de estoques, validades e fichas técnicas. Por fim, entendemos que a produtividade está ligada à eficiência: ter as pessoas certas, capacitadas e engajadas elimina a necessidade de um contingente excessivo e eleva o padrão do serviço.
HN: O Palácio Tangará reúne diferentes perfis de clientes, de hóspedes internacionais a frequentadores dos restaurantes e participantes de eventos. Como essa diversidade influencia o planejamento e a gestão da operação de Alimentos & Bebidas?
PV: O Palácio Tangará recebe diferentes perfis de clientes, mas todos compartilham uma mesma exigência: a busca pela excelência absoluta. Com base nessa premissa, desenhamos nossa operação de A&B. Além dos nossos dois restaurantes principais, criamos um programa de experiências sob medida para cada ocasião: menus corporativos ágeis em três tempos, o tradicional chá da tarde inglês, nossa feijoada aos sábados, o consagrado brunch de domingo e, no topo da pirâmide gastronômica, os menus degustação harmonizados em nosso restaurante com estrela Michelin. Essa versatilidade nos permite atender desde celebrações familiares até o público corporativo, consolidando o hotel como um destino gastronômico completo.
HN: Na sua avaliação, quais são hoje as principais oportunidades de inovação em Alimentos & Bebidas na hotelaria de luxo? Há espaço para novas tecnologias, automação ou inteligência artificial sem perder a personalização do atendimento?
PV: Na hotelaria de luxo, a tecnologia deve ser uma aliada invisível, que opera com precisão nos bastidores. Sistemas avançados de gestão de estoque e rastreabilidade de produtos são importantes para a saúde financeira da operação. Da mesma forma, um CRM de qualidade nos permite antecipar preferências, memorizar o histórico de clientes frequentes e identificar o perfil de novos clientes. Contudo, a tecnologia deve atuar como suporte ao serviço, e nunca como substituta da presença humana. Nenhuma automação ou inteligência artificial é capaz de replicar um sorriso genuíno, o calor da hospitalidade ou a sensibilidade de um olhar atento. O toque humano permanece como o verdadeiro alicerce do luxo.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Palácio Tangará














