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Turismo de negócios estimula profissionalização no STR

Tradicionalmente associado ao lazer, o STR (short-term rental) começa a ocupar um espaço cada vez mais relevante no turismo de negócios. A mudança no perfil do viajante corporativo, marcada por estadas médias, rotinas híbridas, tecnologia, projetos temporários e maior atenção ao custo-benefício, amplia o interesse de empresas por modelos alternativos à hotelaria tradicional.

Segundo executivos entrevistados pela reportagem do Hotelier News, esse movimento não é pontual. Ao contrário, reflete uma transformação estrutural na forma como profissionais viajam e se hospedam a trabalho. Nesse contexto, o STR profissionalizado passa a dialogar com demandas antes concentradas em hotéis e apartamentos com serviços, desde que ofereça padrão, segurança e governança compatíveis com o mercado B2B.

Para Mônica Medeiros, CCO e sócia da Seazone, a entrada do STR no mercado corporativo é estrutural, mas com ressalvas. “Não é toda locação de curta temporada, e sim o short stay profissionalizado e preparado para empresas”, afirma. Segundo ela, a consolidação passa por operação padronizada, governança, tecnologia e consistência de experiência, aproximando o modelo da lógica da hotelaria, porém com mais flexibilidade e valores mais acessíveis.

Na mesma linha, Allan Sztokfisz, CEO e cofundador do Charlie, avalia que a mudança no comportamento do viajante corporativo é definitiva. “O profissional busca mais autonomia, conforto e flexibilidade, especialmente em estadias de média duração”, diz. Para o executivo, o STR atende bem a esse perfil ao oferecer uma experiência mais próxima do morar, alinhada a rotinas híbridas e viagens mais longas.

Vitor Buzatti, COO da 360 Suítes, também classifica o movimento como irreversível. Segundo ele, empresas estão revisando políticas de viagem, priorizando eficiência financeira e experiência do colaborador. “O STR profissionalizado atende exatamente a esse público, não como substituto total do hotel, mas como complemento estratégico”.

Vale lembrar que, recentemente, a companhia firmou uma parceria com a Atlantica Hospitality International, por meio da Roomo Transamerica. O executivo cita que a aliança combina a tecnologia e agilidade operacional da 360 Suítes com a expertise de mercado da operadora comandada por Eduardo Giestas.

Mônica Medeiros - Seazone - Turismo de negócios e STR
Para Mônica, o STR corporativo exige profissionalização

Segmentação por perfil

Na visão dos profissionais, o avanço do STR no B2B não representa uma guerra direta com a hotelaria tradicional. Mônica, por exemplo, cita que o mercado caminha mais para a convivência e segmentação.

Sztokfisz reforça que os modelos são complementares, com os hotéis continuando essenciais para eventos de grande escala ou estadas muito curtas, enquanto o STR profissionalizado ocupa um espaço diferente ao destacar que o mercado amadureceu para oferecer soluções para jornadas de viagem mais plurais.

Buzatti acrescenta que a segmentação ocorre por uso, perfil de estada e ticket médio. Hotéis mantêm protagonismo em convenções e eventos pontuais, já o STR cresce em viagens acima de três ou quatro noites, realocações temporárias e deslocamentos recorrentes.

De forma geral, entende-se que os hotéis seguem fortes em estadas curtas, alta rotatividade e serviços intensivos, enquanto o short-term rental se destaca entre hóspedes que desejam permanências médias, além de atender melhor grupos, equipes em projeto e viagens que demandam cozinha, lavanderia e espaço de trabalho.

Padronização, segurança e previsibilidade

Se há um consenso entre os executivos, ele passa pela importância da padronização e da segurança. Para a executiva da Seazone, esses fatores são decisivos para gerar confiança e previsibilidade. “Padronizar não é hotelizar, mas garantir consistência mínima na entrega”, afirma. Ela cita processos de check-in confiáveis, limpeza profissional, manutenção preventiva, compliance operacional e respeito às regras locais como pilares do modelo.

Segundo o CEO do Charlie, padronização e segurança são os pilares fundamentais do STR corporativo. “O hóspede de negócios precisa saber exatamente o que vai encontrar, independentemente da cidade”, diz. Por isso, é importante continuar investindo em tecnologia, controle de qualidade e protocolos claros.

O diretor da 360 Suítes é direto ao afirmar que esses elementos não são diferenciais, mas pré-requisitos. Ele lista check-in digital com validação de identidade, controle de acesso, compliance fiscal e suporte ao hóspede 24/7 como aspectos essenciais para atender às exigências do mercado corporativo.

Destaque no turismo de negócios

Allan Sztokfisz - Charlie - Turismo de negócios e STR
Sztokfisz: “estadas médias são mais autônomas”

Como mencionado anteriormente, o potencial de consolidação do STR no turismo de negócios é maior em estadas de média duração e demandas envolvendo equipes, projetos temporários, eventos e treinamentos. Por isso, Mônica avalia que, nesse cenário, o modelo compete menos pela diária individual e mais pela eficiência, flexibilidade e custo-benefício. “O espaço oferecido por um orçamento mais competitivo e a autonomia do hóspede são diferenciais claros”, diz.

Já Sztokfisz destaca o conforto para trabalhar, cozinhar e realizar reuniões informais como vantagens em relação aos hotéis. “Além disso, o custo-benefício e a flexibilidade contratual tornam o modelo muito atrativo”, complementa.

Para Buzatti, o STR já é uma alternativa consolidada no turismo de negócios quando profissionalizado. Mais espaço, infraestrutura real para trabalho, custos mais competitivos em estadias médias e uma experiência mais próxima da rotina do executivo sustentam esse posicionamento.

Cidades com forte concentração de negócios e calendário constante de eventos são apontadas como terreno fértil para o STR. A sócia da Seazone destaca setores como tecnologia, serviços profissionais, indústria, energia, saúde, educação executiva e eventos, todos marcados por alta mobilidade e projetos com prazo definido.

O CEO do Charlie acrescenta áreas como mercado financeiro, indústria criativa e consultorias, ressaltando que profissionais que passam semanas ou meses fora de casa valorizam autonomia e sensação de pertencimento.

Já o COO da 360 Suítes aponta polos urbanos como São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Florianópolis, além de centros industriais e logísticos, como mercados estratégicos para o crescimento do STR profissional.

Regulação, compliance e desafios

No campo regulatório e jurídico, os executivos são unânimes ao afirmar que o caminho não é “driblar” a legislação, mas mitigar riscos. Para que o caminho certo seja trilhado, contudo, existe um lobby do segmento por tributação adequada, contratos claros, governança e transparência na relação com condomínios e poder público.

Vitor Buzatti - 360Suites - Turismo de negócios e STR
“É um complemento estratégico ao hotel”, diz Buzatti

Além disso, todos citam que a profissionalização facilita o diálogo regulatório e ajuda a diferenciar o STR profissional do uso informal. Isso porque as operações com CNPJ, recolhimento de impostos e prédios preparados para curta temporada reduzem fricções jurídicas e viabilizam a expansão no longo prazo.

Entre os principais desafios, por fim, aparecem a padronização em escala, integração com processos corporativos, educação do mercado e entrega consistente de infraestrutura básica, como internet confiável e espaço adequado para trabalho. Ainda assim, à medida que tecnologia, governança e integração B2B avançam, o STR deixa de ser alternativa e passa a ocupar um papel estrutural no ecossistema de hospedagem corporativa.

(*) Crédito da capa: Freepik

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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