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Viagens corporativas faturam R$ 1,21 bilhão em agosto

Com a retomada dos deslocamentos de negócios, setores estratégicos como a hotelaria e o transporte aéreo vêm puxando o ritmo de recuperação das viagens corporativas no Brasil. Agosto de 2025 reforçou essa tendência, com resultados positivos em áreas essenciais e contrastes em segmentos complementares. O setor faturou R$ 1,21 bilhão no período, crescimento de 2,41% em relação ao mesmo mês do ano passado (R$ 1,18 bilhão).

A análise da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) mostra que a hotelaria e os serviços aéreos seguem como motores do segmento, ao mesmo tempo em que outros segmentos registram quedas pontuais.

O setor hoteleiro representou 30,4% de todo o faturamento do mês, movimentando R$ 368,5 milhões, contra R$ 354 milhões em agosto de 2024 — alta de 4,11%. No acumulado do ano, o ticket médio das diárias avançou de R$ 360,21 para R$ 389,66, crescimento de 8,2%. O resultado reflete tanto a retomada da demanda corporativa, quanto o aumento de preços praticados pelo setor, que acompanha a recuperação da ocupação e a pressão de custos operacionais.

Mesmo com redução de 10% no número de bilhetes emitidos, os serviços aéreos seguiram como o segmento mais relevante, respondendo por 59,6% do faturamento total. Foram R$ 722,3 milhões em agosto, crescimento de 1,43% frente a 2024 (R$ 712 milhões).

Outros setores em alta

Além de hotéis e aéreo, alguns nichos tiveram contribuição acima da média no resultado das viagens corporativas:

  • Rodoviário: R$ 5,45 milhões, crescimento de 18,23% ante R$ 4,61 milhões;
  • Transfer: R$ 5,09 milhões, avanço de 37,41%;
  • Seguro-viagem: R$ 2,48 milhões, aumento de 21,25%;
  • Demais serviços (consultoria, gestão etc.): R$ 66,7 milhões, alta de 11,58%.

Segmentos em retração

A locação de veículos recuou 8,87%, de R$ 32,8 milhões para R$ 29,9 milhões. Pacotes de lazer (-17,6%), ferroviário (-16,7%), cruzeiros (-81%) e vistos/documentos (-47,7%) também ficaram no campo negativo, mostrando que o consumo ainda se concentra fortemente nos serviços essenciais às viagens de negócios.

No acumulado de janeiro a agosto, a curva de crescimento das viagens corporativas se mantém estável. Para Douglas Fernandes e Camargo, diretor executivo da Abracorp, os resultados reforçam a confiança no fechamento do ano. “Esses números semestre só reforçam nossa expectativa de que fecharemos o ano com um faturamento próximo a R$ 15 bilhões”, diz.

Protagonismo da hotelaria

O desempenho da hotelaria em agosto de 2025 evidencia não apenas uma recuperação sólida, mas também um reposicionamento estratégico do setor dentro do mercado de viagens corporativas.

Esse movimento aponta para duas tendências simultâneas. A primeira é a consolidação da demanda corporativa, que voltou a girar de forma consistente após períodos de instabilidade econômica e de ajustes no comportamento de viagens. A segunda é a capacidade das redes hoteleiras de capturar valor por meio de estratégias de precificação, com diárias mais altas refletindo tanto o aumento dos custos operacionais quanto um reposicionamento de portfólio, investindo em experiências, tecnologia e serviços voltados a esse público.

Esse protagonismo também sugere que, em um cenário de recuperação gradual, empresas priorizam conforto, praticidade e localização estratégica ao organizar suas viagens, mesmo que isso implique custos mais elevados. Em contrapartida, segmentos acessórios ou de lazer tendem a ser os primeiros a sofrer ajustes.

Se a tendência se mantiver, a hotelaria deve continuar a ocupar um papel central no fechamento de 2025, não apenas pela representatividade de quase um terço da receita, mas também como termômetro da disposição das empresas em investir em viagens de negócios mais completas e estruturadas.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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