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11 feriados prolongados e Dólar em queda: o cenário favorável para o turismo em 2026

O setor de turismo e hotelaria no Brasil está diante de uma rara “tempestade perfeita”. Mas, desta vez, uma de bons ventos. Ao olharmos para o calendário de 2026, não vemos apenas datas, vemos 11 janelas de oportunidade. Quando somamos esses feriados prolongados a um cenário cambial que volta a favorecer o poder de escolha do brasileiro, o que temos em mãos não é apenas uma projeção de incremento de vendas, é um convite para elevarmos o padrão das nossas entregas.

O ano de 2026 reúne dois fatores que criam um cenário de oportunidades que não se repete com frequência: o dólar pode cair abaixo de R$ 5,00 e o calendário traz 11 feriados prolongados. Para hotéis, resorts e agências, isso significa a possibilidade de ampliar receitas, diversificar públicos e consolidar tanto destinos nacionais quanto internacionais em um mesmo ano.

A queda do dólar já é realidade. Depois de ter alcançado R$ 6,20 no fim de 2024, a moeda americana iniciou 2026 em trajetória de desvalorização e já opera próxima a R$ 5,20, o menor patamar desde maio de 2024. Segundo Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, em entrevista ao UOL, o cenário base para o câmbio projeta um intervalo de confiança que varia entre R$ 4,97 e R$ 5,61. Ou seja, a possibilidade de romper o piso de R$ 5,00 é concreta e está no radar do mercado financeiro e do viajante brasileiro.

Para o turismo, os impactos são diretos e transformadores. Passagens aéreas nacionais e internacionais, hospedagens e pacotes turísticos ficam significativamente mais acessíveis. Na Zarpo, já sentimos esse entusiasmo: observamos um crescimento de até 20% nas buscas e um aumento expressivo na consideração de compra para destinos que antes pareciam distantes, como Europa, Caribe e Estados Unidos.. Outro dado interessante é o aumento na duração das viagens. O viajante de 2026 já não quer apenas “passar o feriado”, a busca é por momentos de experiências genuínas.

O calendário de 2026 traz 11 feriados nacionais prolongados, considerando também o Carnaval. Para os paulistas, o número aumenta com o feriado da Revolução Constitucionalista em 9 de julho. Desses, 7 feriados renderão folgas de 3 dias, 3 proporcionarão 4 dias de descanso e o Carnaval, 5 dias. Essa distribuição cria múltiplas janelas ao longo do ano para viagens de curta e média duração, favorecendo destinos nacionais que dependem de deslocamentos rápidos e planejamento de última hora.

Esse cenário favorável nos permite diversificar. Enquanto o internacional retoma seu brilho, o turismo doméstico se consolida através de janelas de descanso que pedem conveniência e agilidade. No verão, praias do Nordeste, litoral de São Paulo e Rio de Janeiro ganham força, especialmente em feriados como Carnaval, Páscoa e Corpus Christi. No inverno, destinos de frio no Sul do País, como Gramado e Campos do Jordão, se beneficiam de feriados como Tiradentes e Finados. Resorts all-inclusive, hotéis-fazenda e pousadas em regiões de ecoturismo também encontram espaço para crescer, atendendo públicos que buscam experiências diferentes sem necessariamente sair do país.

Para hotéis e resorts que atendem tanto o público doméstico quanto o internacional, o momento é de diversificação de demanda. Com o real mais forte, brasileiros tendem a considerar destinos no exterior que antes pareciam inacessíveis, mas também mantêm o interesse por viagens nacionais, especialmente quando há feriados prolongados que facilitam o deslocamento. Isso significa maior previsibilidade de ocupação ao longo do ano e a possibilidade de trabalhar com diferentes públicos em diferentes momentos.

Outro ponto relevante é o impacto indireto da queda do dólar sobre custos operacionais. Produtos importados, incluindo insumos utilizados pela hotelaria, tendem a sofrer menos reajustes ou até a ficar mais baratos à medida que o custo de importação diminui. E isso impacta também na inflação. Portanto, essa melhora das expectativas inflacionárias abre espaço para que o Banco Central avalie o início do corte na taxa básica de juros, o que estimula o consumo e facilita o acesso ao crédito.

O momento pede ação estratégica e rapidez. Hotéis e resorts devem ajustar suas campanhas de marketing para destacar a acessibilidade de viagens internacionais, ao mesmo tempo em que reforçam a conveniência de destinos nacionais para os feriados prolongados. Pacotes que combinem flexibilidade de datas com preços competitivos tendem a ter boa aceitação, especialmente entre famílias e casais que buscam aproveitar as folgas sem comprometer o orçamento.

Alexandre Pletes, chefe de Renda Variável da Faz Capital, disse ao UOL: “O Brasil raramente opera em um valor justo de câmbio, que hoje, segundo estimativas teóricas, seria em torno de R$ 4,60, considerando fatores como inflação relativa, paridade de poder de compra e outros indicadores. Hoje, o mercado de câmbio parece mais confortável operando entre R$ 5,20 e R$ 5,40 do que abaixo disso. Mas tudo depende, principalmente, do fluxo estrangeiro”. Esse fluxo, por enquanto, está favorável. E é essa janela que o setor de turismo e hotelaria não pode desperdiçar. A possibilidade de o dólar cair abaixo de R$ 5,00, combinada com 11 feriados prolongados, pode fazer a diferença entre um ano de crescimento consistente e um ano de oportunidades perdidas.

Ana de Mattos Brito é head da Zarpo desde outubro de 2025. Engenheira com especialização em negócios e MBA em Liderança, construiu uma carreira sólida em marketing, comercial e gestão estratégica, com passagens por empresas como Iguatemi, Oetker Collection e Cidade Matarazzo. Com mais de uma década de vivência na França, soma expertise em hospitalidade, luxo e desenvolvimento corporativo. Na Zarpo, valoriza o protagonismo da equipe e o compromisso com a excelência na experiência do cliente.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Zarpo

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