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Hotel Report: Recife tem demanda, mas ainda pode converter mais

Recife atravessa um momento em que despertar o interesse do viajante parece não ser o maior desafio. A capital pernambucana está no radar de quem planeja viajar, sustenta uma trajetória de valorização das diárias e ainda encontra espaço para transformar essa procura em mais negócios para a hotelaria. Dados do Hotel Report, produzido pela Omnibees em parceria editorial com o Hotelier News, ajudam a dimensionar esse cenário: o destino registrou 141 milhões de buscas em 30 dias, ocupando a segunda posição entre os mais pesquisados de Pernambuco, enquanto 81% das datas consultadas apresentavam disponibilidade.

O volume coloca Recife atrás apenas de Ipojuca no ranking estadual de pesquisas. Mais do que dimensionar o interesse pelo destino, porém, a relação entre procura e disponibilidade aponta para uma oportunidade de conversão. Entre os principais destinos pernambucanos, a média de datas disponíveis era de 66%, 15 pontos percentuais abaixo do registrado na capital.

Os números indicam um contingente expressivo de consumidores considerando uma viagem para Recife e, simultaneamente, capacidade para absorver parte dessa procura. Para os empreendimentos, o cenário reforça a importância de estratégias comerciais, tarifárias e de distribuição capazes de transformar intenção em reservas.

Esse potencial já se reflete, em alguma medida, no desempenho da cidade. Em 2026, Recife registrou crescimento de 3,7% em room nights. O avanço contrasta com o consolidado de Pernambuco, que apresentou retração de 7,6% no indicador frente a 2025.

Diária média cresce 18,1% em dois anos

Se existe espaço para converter mais procura em reservas, a hotelaria de Recife chega a esse desafio em um patamar tarifário mais elevado. A diária média passou de R$ 372 em 2024 para R$ 421 em 2025, avanço de 13,4%. Em 2026, alcançou R$ 439, acumulando valorização de 18,1% em dois anos. Segundo o Hotel Report, a curva deste ano permanece acima dos níveis observados nos dois exercícios anteriores.

O desempenho mostra que a evolução do mercado não está apoiada somente em volume. Recife conseguiu elevar o valor médio das diárias ao mesmo tempo em que ampliou os room nights, combinação relevante para a geração de receita dos empreendimentos.

O comportamento, entretanto, varia entre as categorias. O Midscale apresentou a maior expansão de room nights, próxima de 11%, acompanhada de alta de 3,2% na tarifa média. Já o Economy perdeu 7,9% em room nights, mas registrou crescimento de aproximadamente 12% na tarifa. Nos segmentos superiores, os dois indicadores caminharam na mesma direção. O Upscale avançou 3,9% em room nights e 11% na diária média, enquanto o Luxury apresentou altas de 2,8% e 10%, respectivamente.

Hotel Report - Infográfico_Recife

Os resultados revelam caminhos distintos para a geração de receita. Enquanto o segmento intermediário avança principalmente em volume, o econômico se destaca pela valorização da tarifa. Para o mercado recifense, o desafio é capturar a demanda existente sem comprometer o patamar de preço conquistado nos últimos anos.

Reservas ficam mais próximas, mas cancelamentos caem

Outra mudança relevante aparece no comportamento do viajante. A decisão está sendo tomada mais perto da data da hospedagem, mas, uma vez realizada a reserva, a propensão ao cancelamento diminuiu. A antecedência média das compras em Recife caiu de 46,2 dias em 2025 para 43,5 dias em 2026, redução de 5,7%. A duração das viagens, por outro lado, praticamente não mudou, com a estadia média passando de 2,17 para 2,18 diárias.

A alteração mais expressiva está nos cancelamentos. A taxa recuou de 22% para 18%, queda de 16,3%. Na prática, o viajante está reservando mais próximo do check-in, mas as reservas que entram na carteira estão mais firmes.

Esse comportamento traz implicações para a gestão de receita. Uma janela de compra menor aumenta a importância da leitura da demanda no curto prazo e da precificação dinâmica. Em contrapartida, menos cancelamentos tendem a ampliar a previsibilidade sobre a carteira formada.

O fluxo de reservas para Recife permaneceu relativamente estável ao longo do primeiro semestre, com picos históricos concentrados em janeiro e maio. Nesse ambiente, acompanhar as decisões de última hora e ajustar preços e inventário à velocidade da demanda ganha peso na estratégia comercial.

Os indicadores desenham um mercado com uma equação favorável, mas ainda com espaço para avançar. Recife desperta interesse, conseguiu elevar sua diária média e recebe reservas mais firmes. Para a hotelaria local, o próximo passo é converter melhor essa procura sem abrir mão do valor conquistado.

O Hotel Report reúne dezenas de indicadores e possibilita aos gestores hoteleiros acompanhar, com maior inteligência de mercado, o desempenho da hotelaria de 20 destinos espalhados pelo país (saiba mais aqui).

Para consultar todos os indicadores, gráficos interativos e análises do mercado de Recife, acesse o Hotel Report no link. Para ver os números de outras cidades, basta entrar no site.

(*) Crédito da capa: Divulgação

(**) Crédito das imagens: Divulgação/Omnibees

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