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Alta de demanda e diária marca chegada da COP30 a Belém

A hospedagem em Belém para a COP30, conferência climática da ONU (Organização das Nações Unidas) que acontecerá em novembro, segue escassa e com altos preços. O evento, conhecido informalmente por “COP da Floresta” e “COP do Povo”, agora também vem sendo chamado de “COP da Elite”, aponta o Valor Econômico.

Os governos estadual e federal estão buscando vencer a especulação, criando soluções de hospedagem e “fatiando” o evento, não no espaço, como se imaginava há alguns meses, mas no tempo. A Cúpula dos Chefes de Estado, por exemplo, deve acontecer nos dias 6 e 7 de novembro, antes da COP30, propriamente dita, na tentativa de não colapsar a cidade com o alto fluxo de participantes.

No Grand Mercure Belém do Pará, um dos poucos empreendimentos cinco estrelas da cidade, e no Holiday Inn Belém Ananindeua, já não há mais disponibilidade para todo o mês de novembro. “Estamos vivendo em Belém e nos municípios do entorno uma procura desenfreada por hospedagem. É natural que isso ocorra”, diz Valter Correia da Silva, secretário extraordinário para a COP30.

O governo estima que os credenciados à conferência sejam algo próximo a 50 mil pessoas, similar à de Baku, do ano passado. Apesar dos desafios, Silva ressalta que não há nenhuma discussão sobre não se fazer a COP30 em Belém ou fatiá-la, distribuindo partes para outras capitais.

Altos preços

Em alguns hotéis de Belém, o valor das diárias para o período já chega aos R$ 1,5 mil. Nas plataformas de aluguel de casas, as tarifas podem atingir até R$ 13 mil entre 9 e 23 de novembro. “É natural que os proprietários de imóveis e redes hoteleiras coloquem os preços para cima neste momento. Mas, ao mesmo tempo, é preocupante, e tema recorrente nas minhas discussões de ponto de controle tanto com o governador Helder Barbalho, quanto com o novo prefeito Igor Normando”, pontua Silva.

Cabe lembrar que, na hotelaria, grandes eventos funcionam como catalisadores da diária média. Entre os exemplos recentes, estão a passagem da cantora Taylor Swift pelo Brasil em 2023, e a apresentação de Madonna em Copacabana, no ano passado. Essencialmente, eventos que movimentam um grande volume de pessoas requerem que as estratégias de precificação sejam recalibradas, o que explica a alta dos preços em Belém.

“Quando se decidiu por Belém, sabíamos que a questão logística e a hospedagem seriam um desafio. Aí entra o papel do Estado para viabilizar investimentos que melhorem a infraestrutura da cidade ou controlar preços abusivos, algo que vimos em outras sedes de COPs”, complementa Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria.

Hoje, a estrutura hoteleira da capital paraense e região metropolitana contam com 18 mil UHs de diversos padrões. Há dois novos hotéis em construção, um de 260 apartamentos e outro de 206, além de um empreendimento modular com cerca de 400 apartamentos. Alojamentos das Forças Armadas estão sendo reformados e oferecerão quase 3 mil UHs.

Cabe lembrar que, segundo análises feitas ainda em 2023, Belém está longe de ter a estrutura hoteleira necessária para receber este volume de pessoas de fora. À época, a cidade contava com 12,1 mil leitos. Para receber os visitantes da COP30, a capital paraense precisaria, ao menos, quadruplicar sua oferta. Entre as soluções buscadas pelo governo do estado, está a possibilidade de alugar transatlânticos como meios de hospedagem.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Prefeitura Municipal de Belém

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