A pressão econômica, a busca por estabilidade e a rápida transformação tecnológica estão redefinindo as prioridades das gerações Z e millennial no Brasil e no mundo. É o que revela a 15ª edição do estudo 2026 Gen Z and Millennial Survey, realizado pela Deloitte com quase 23 mil entrevistados em 44 países. No Brasil, a pesquisa ouviu 804 pessoas, sendo 501 da Geração Z e 303 millennials.
Os resultados mostram que essas gerações seguem preocupadas com questões financeiras, mas também valorizam cada vez mais o bem-estar, a saúde mental, o propósito no trabalho e a capacidade de adaptação às novas exigências do mercado, especialmente diante do avanço da Inteligência Artificial.
Segundo o levantamento, 45% dos integrantes da Geração Z e 36% dos millennials brasileiros afirmam ter adiado decisões importantes da vida por conta da insegurança econômica. Em nível global, os percentuais são ainda maiores, alcançando 55% entre os Gen Z e 52% entre os millennials.
A preocupação tem relação direta com a dificuldade de equilibrar as finanças. Cerca de um terço dos brasileiros entrevistados e quase metade dos participantes globais relatam viver com orçamento apertado, dependendo integralmente do salário para cobrir despesas mensais.
A aquisição da casa própria permanece distante para muitos jovens adultos. Apenas 39% dos representantes da Geração Z e 26% dos millennials no Brasil afirmam conseguir comprar um imóvel. Globalmente, os índices chegam a 51% e 40%, respectivamente.
“As expectativas das gerações Z e millennial mudaram e evoluíram ao longo dos 15 anos em que a pesquisa é realizada, mas algumas realidades estruturais têm se transformado em ritmo mais lento. Por isso, diante da pressão econômica, aumento do custo de vida e rápidas mudanças tecnológicas, muitos GenZ e millennials estão optando por primeiro investir em si mesmos, em suas habilidades, estabilidade e bem-estar, antes de se comprometer com papéis profissionais ou sociais que parecem insustentáveis. Os resultados da pesquisa deste ano mostram que essas gerações são adaptáveis, pragmáticas e intencionais quanto ao progresso, mesmo com todas as mudanças pelas quais vêm passando”, diz Roberta Yoshida, sócia-líder de Soluções de Human Capital e líder de People & Purpose da Deloitte.
Além das finanças, a segurança aparece entre as principais preocupações para 27% da Geração Z e 34% dos millennials brasileiros. As mudanças climáticas preocupam 22% dos Gen Z e 24% dos millennials, enquanto a saúde mental é apontada como uma questão relevante para 21% e 25%, respectivamente.
Liderança perde prioridade, mas propósito segue em alta
A pesquisa mostra que o crescimento profissional continua sendo importante, mas a ascensão à liderança já não ocupa o topo da lista de prioridades. Cerca de 60% dos entrevistados brasileiros afirmam buscar evolução constante na carreira. Além disso, 69% da Geração Z e 74% dos millennials demonstram interesse em assumir cargos de liderança em algum momento. Apesar disso, apenas 6% dos Gen Z e 8% dos millennials apontam a liderança como principal objetivo profissional.
“O interesse pela liderança permanece, mas não é mais urgente. Os resultados deste ano seguem consistentes com que já vimos na pesquisa anterior: os profissionais da Geração Z e millennial avaliam com cuidado as oportunidades antes de buscar uma promoção. A busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e trabalho têm um grande peso nessa decisão. Assumir um papel de líder passa a ser atrativo somente quando é sustentável”, comenta Roberta.
O estudo também reforça a importância do propósito no ambiente corporativo. Praticamente todos os entrevistados brasileiros relacionam o senso de propósito à satisfação profissional. As relações interpessoais também ganham relevância: 81% da Geração Z e 76% dos millennials afirmam que ter amigos no trabalho aumenta sua felicidade, enquanto 54% e 71%, respectivamente, dizem que isso influencia sua permanência na empresa.
Inteligência Artificial é vista como oportunidade
A adaptação às novas tecnologias surge como um dos principais diferenciais para essas gerações. Aproximadamente um terço dos brasileiros da Geração Z e dos millennials já participou de treinamentos relacionados à Inteligência Artificial. Além disso, 55% dos millennials e 47% dos Gen Z continuam buscando capacitação à medida que a tecnologia evolui.
O uso da IA já faz parte da rotina profissional da maioria dos entrevistados. No Brasil, 87% da Geração Z e 91% dos millennials utilizam ferramentas de IA no trabalho. Entre eles, 80% dos Gen Z e 83% dos millennials afirmam se sentir confiantes em sua aplicação, índices superiores às médias globais de 66% e 68%.
A percepção sobre os impactos da tecnologia também é positiva. Mais de 90% dos respondentes brasileiros das duas gerações consideram que a Inteligência Artificial traz benefícios para a vida pessoal e profissional.
Entre os participantes globais, porém, cerca de um terço acredita que as organizações onde trabalham ainda não estão preparadas para as transformações provocadas pela IA e avalia que sua adaptação acontece mais rapidamente do que a das próprias empresas.
“O uso de novas tecnologias é parte indissociável das atividades profissionais das gerações Z e millennial. Por isso, a Inteligência Artificial não é só uma ferramenta de trabalho, como também uma forma de encontrar novas oportunidades de aprendizado, buscar orientação e conselhos de carreira e, ainda, ajudar a lidar com situações de estresse”, afirma Roberta.
Saúde mental é considerada boa, mas estresse persiste
Apesar dos desafios, a maioria dos entrevistados avalia positivamente sua saúde mental. No Brasil, 66% da Geração Z e 70% dos millennials classificam seu estado emocional como bom ou muito bom.
Ainda assim, três em cada 10 respondentes afirmam sentir-se estressados quase o tempo todo. As principais causas estão relacionadas à saúde e ao bem-estar da família, preocupação citada por 49% dos Gen Z e 47% dos millennials, além do futuro financeiro de longo prazo, mencionado por 45% e 43%, respectivamente.
O ambiente de trabalho também contribui para a pressão emocional. Entre os fatores mais citados pela Geração Z estão as longas jornadas de trabalho (69%), a falta de reconhecimento profissional (57%) e a escassez de tempo para concluir tarefas (54%).
Entre os millennials, além desses fatores, destacam-se a percepção de que decisões corporativas nem sempre são tomadas de forma justa (58%) e o impacto de mudanças organizacionais (56%).
Como consequência, 62% da Geração Z e 65% dos millennials afirmam sentir-se menos confortáveis para falar sobre saúde mental com seus gestores.
“Tanto os GenZ quanto os millennials estão se adaptando a um mundo que sempre demandou resiliência, desde sua entrada no mercado de trabalho, e analisando como devem navegar as incertezas, considerando os riscos e retornos que cada decisão traz. A forma como essas gerações enxergam o sucesso e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional vai ajudar a moldar as relações para a próxima. O que cada geração precisa e espera do trabalho vai continuar evoluindo e as empresas precisam acompanhar essa transformação e esse ritmo para garantir não só sua própria continuidade, mas uma força de trabalho engajada, feliz e mentalmente saudável – atributos que ganharão mais peso a cada geração que chega”, conclui a executiva.
(*) Crédito da foto: Hotelier News











