Foi aberta, na tarde de hoje (17), a 10ª edição do FBHI (Fórum Brasileiro de Hotéis Independentes). Promovido pela Améris Hotéis, o encontro acontece ao longo do dia, dentro da programação da Equipotel, reunindo profissionais para discutir temas relacionados à gestão e aos desafios dos empreendimentos independentes, entre eles a integração de tecnologia e IA (Inteligência Artificial).
A cerimônia de abertura foi conduzida por Nuno Jesus, CEO da Améris, que reforçou a importância do encontro para o segmento. “O Brasil tem cerca de 11 mil hotéis, e boa parte desse total são os hotéis independentes e negócios familiares”, pontuou o executivo.

Ele afirmou, ainda, que o hoteleiro independente já possui conhecimento para entregar boas experiências aos hóspedes e, o papel do FBHI é discutir como essa expertise pode ser integrada ao uso de tecnologia e dados, contribuindo para uma gestão mais estruturada dos empreendimentos.
A abertura também contou com a presença de Daniel Pereira, gerente da Equipotel. O executivo relembrou a trajetória do FBHI e destacou o papel do encontro como hub de conteúdo para o setor hoteleiro. “Receber bem para receber sempre é uma premissa fundamental no nosso setor como um todo, e essas discussões fazem com que os hotéis independentes se aprimorem ainda mais”, pontuou.
O papel dos dados
Abrindo a grade de palestras do FBHI, foi apresentado o painel Dados como ativo estratégico. A conversa foi mediada por André Victória da Silva, sócio da AVS Consultoria em Gestão, que também fará a mediação dos demais painéis ao longo do encontro. Participaram do bate-papo Renata Cassani, sócia e gerente de Estratégia & Desenvolvimento da Noctua Advisory; Cadu Cordeiro, head Comercial e de Novos Negócios da Bebook; e Jesus, da Améris.
No início da conversa, Victória questionou o que os hoteleiros independentes devem fazer para criar uma cultura baseada em dados estratégicos. Em resposta, Cordeiro explicou que um dos principais caminhos é analisar essas informações de maneira mais assertiva, transformando os dados em subsídios para decisões.

“Poucos hoteleiros se atentam, por exemplo, à antecedência de compra e à taxa de cancelamento, que são KPIs essenciais para qualquer empreendimento, inclusive os independentes”, afirmou Cordeiro.
Na sequência, Renata enfatizou que a análise de dados começa antes mesmo da construção de um hotel, etapa em que é necessário compreender a viabilidade do empreendimento. “O perfil da demanda é um dado extremamente valioso, juntamente com a localização”, acrescentou a executiva.
A especialista também destacou a importância de alinhar o produto hoteleiro ao perfil do público que se pretende atender. “Não adianta querer fazer um hotel upscale, cheio de serviços, para um público mais sensível a preço. Por isso, é preciso ofertar produtos que conversem com a demanda”, ressaltou, acrescentando que, em muitos casos, entregar o básico bem feito faz mais diferença.
Dados como suporte à estratégia
Durante a conversa, Jesus reforçou o raciocínio de Cordeiro sobre a antecedência de compra. Segundo ele, quanto mais o hoteleiro acompanha esse indicador, maior será sua flexibilidade na hora de definir as tarifas e conduzir as estratégias comerciais.
Além da antecedência de compra, o executivo chamou atenção para os feedbacks dos hóspedes como fonte de informação para a gestão. Na avaliação de Jesus, os comentários podem ajudar os empreendimentos a identificar oportunidades e direcionar decisões.
“Os comentários possuem muitos dados que podem ser analisados e, consequentemente, direcionar as próximas iniciativas dos hotéis. É muito valioso e nem todo mundo olha”, endossou. A tecnologia foi outro tema debatido no painel inicial do FBHI. Sobre o assunto, Cordeiro afirmou que as ferramentas tecnológicas permitem aos hoteleiros acessar e visualizar dados que, anteriormente, poderiam não estar disponíveis de maneira tão clara para a gestão.
“A tecnologia traz insights muito importantes, que auxiliam muito em estratégias de Revenue Management e outras frentes”, salientou o executivo. Complementando o raciocínio, Renata destacou que a operação ocupa grande parte do tempo dos gestores hoteleiros. E a tecnologia pode colaborar para ampliar o olhar dos profissionais e apoiar análises relacionadas ao mercado.
“Essas ferramentas ajudam a identificar gaps e pontos de melhoria, além de interpretar dados do comportamento do mercado. Esse é um ponto crucial”, acrescentou.
Da informação à tomada de decisão
No painel, Victória trouxe uma provocação sobre o processo de transformação dos dados em informação. Segundo a questão levantada pelo mediador, para que um dado efetivamente se torne informação, é necessário atribuir significado a ele e compreender como pode ser utilizado na gestão.
Sobre isso, Jesus analisou que, no contexto dos hotéis independentes, essas informações também podem ser utilizadas para testar a eficácia das estratégias adotadas no dia a dia da operação. “Trata-se de olhar o dia a dia, entender até quando é saudável manter o hotel com lotação máxima, entre outros pontos. Nesses casos, muitos hoteleiros cometem o erro de só olhar o dinheiro que entra, mas nunca o que sai”, reforçou.
A discussão apresentada no primeiro painel do FBHI, portanto, colocou dados e tecnologia como ferramentas de apoio à gestão dos hotéis independentes. Ao longo do encontro, o tema se soma a outras discussões voltadas aos desafios e às oportunidades do segmento, com foco na aplicação prática das informações no cotidiano dos empreendimentos.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News














