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Os ganhos da IA que já estão transformando a hotelaria

O que as soluções de Inteligência Artificial já fazem hoje e onde estão as oportunidades para o seu empreendimento

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que não sou especialista em Inteligência Artificial e até bem pouco tempo atrás, confesso que também não era exatamente um grande entusiasta do tema. Mas, algumas experiências recentes somadas a leituras e pesquisas que venho fazendo, mudaram bastante minha percepção.

Ao ouvir CEOs e importantes executivos da hotelaria discutindo Inteligência Artificial no recente Hotel Trends Conference, uma coisa me chamou a atenção: a distância entre o que já existe e o conhecimento que muitos profissionais do setor ainda têm sobre isso.

E não estou falando de tecnologia experimental, de ficção científica ou de algo que “a IA fará no futuro”. Eu estou falando de soluções que já estão no mercado, já podem ser contratadas e já estão sendo utilizadas por hotéis em diferentes partes do mundo.

A discussão sobre Inteligência Artificial na hotelaria costuma ficar presa a grandes promessas, como hiperpersonalização, hotéis autônomos, robôs, agentes inteligentes e uma série de outras possibilidades que ainda parecem distantes. Só que existe uma questão muito mais imediata que é quanto daquilo que já está disponível hoje nós realmente conhecemos e utilizamos.

Essa reflexão começou a partir do artigo de Nasir Zahir, ‘How Hotel Cost Controls Will Change in 2026’, que aborda como a pressão sobre margens, mão de obra e custos está transformando o controle das operações de A&B, Hospedagem, Vendas e Eventos. Excelente artigo. Mas quis ir além e procurei saber mais sobre as soluções que já estão disponíveis no mercado e o que elas podem representar, na prática, para cada área do hotel.
Revenue Management: a IA já ajuda a decidir preço e demanda

O RM é sem dúvida a área em que a aplicação da inteligência artificial está mais madura no Brasil.Sistemas de RMS já trabalham continuamente com demanda, pickup, histórico, comportamento de mercado, preços da concorrência e disponibilidade para apoiar e, em alguns casos, automatizar decisões de tarifa. Temos várias soluções nacionais com essas capacidades. E dentre as soluções internacionais de destaque que fazem isso temos a Duetto, a IDeaS e a Lighthouse, por exemplo.

Governança, Housekeeping e Operações: menos planilha, mais decisão

Na governança, o ganho não está apenas em fazer mais rápido, está em decidir melhor quem limpa o quê, em que sequência e em qual momento.

Soluções como Optii, HotSOS e Flexkeeping organizam tarefas, priorizam atividades, integram informações operacionais e ajudam a reduzir deslocamentos, retrabalho e comunicação fragmentada.

Os ganhos de produtividade podem ser da ordem de 10% a 15% com melhor planejamento e reduções de 20% a 30% de mão de obra, quando o modelo de serviço de limpeza é redesenhado para acompanhar a real necessidade do hóspede. São números que precisam ser tratados como referências e não como promessa universal, mas que ajudam a dimensionar o potencial dessas iniciativas.

Em operações mais amplas, a Actabl, explorada mais adiante na seção de Recursos Humanos e escalas, também leva essa lógica para manutenção, ativos, ordens de serviço e gestão operacional. A ideia central é simples: transformar dados dispersos em ações coordenadas.

Alimentos & Bebidas: a IA também pode entrar no cardápio, na compra e na escala

Em A&B, talvez esteja uma das oportunidades menos percebidas. A IA não precisa cozinhar para gerar valor. Ela pode ajudar a decidir o que comprar, o que vender, quanto produzir e quantas pessoas colocar na operação.

Um dos focos é a evolução da engenharia de cardápio, ou seja, a melhor análise de margem de contribuição, disponibilidade de ingredientes, complexidade de preparo, preferência dos hóspedes, sazonalidade, mão de obra e utilização dos equipamentos.

Na gestão de compras e estoques, BirchStreet Systems e FutureLog são exemplos de plataformas internacionais que integram procurement, inventário e processos financeiros. No workforce management, Nowsta,Workforce.com e soluções da Teknisa (veja na seção de Recursos Humanos a seguir) trabalham com escalas, demanda, presença e custos de mão de obra.

O impacto pode aparecer em redução do desperdício, custo de alimentos, horas extras, produtividade por período e margem de contribuição. A lógica é deixar de reagir ao resultado do mês e começar a atuar sobre as variáveis antes que o resultado aconteça.

Recursos Humanos e escalas: o objetivo não é ter menos gente, é ter a gente certa na hora certa

Essa talvez seja uma das aplicações mais importantes e também uma das que mais exigem cuidado na comunicação. Inteligência Artificial aplicada à força de trabalho não precisa significar substituição de pessoas.

Ela pode significar melhor previsão de demanda, escalas mais aderentes à ocupação e aos eventos, controle de horas extras, identificação de riscos e maior flexibilidade para movimentar profissionais entre funções. Cá entre nós, uma competência crítica em épocas de extinção das escalas 6×1.

Entre as soluções que já estão disponíveis para esse tipo de aplicação, algumas merecem ser destaque, como a Nowsta que trabalha com previsão de necessidades de pessoal, escalas por departamento, cobertura de turnos, presença e controle de horas extras, a Workforce.com, que combina previsão de demanda, escalas, controle de custos de mão de obra, comunicação e recursos de RH e a Teknisa que também oferece soluções voltadas à gestão da força de trabalho e às escalas. Já na Actabl possui, por meio do Hotel Effectiveness, ferramentas de planejamento de mão de obra, produtividade e escalas desenvolvidas especificamente para a hotelaria.

Nesse campo são estimados ganhos de 5% a 10% de eficiência da mão de obra com melhor planejamento, tecnologia, treinamento cruzado e redesenho do modelo de serviço. A métrica mais interessante aqui não é simplesmente headcount, é produtividade: custo de mão de obra, HPOR (Hours Per Occupied Room), ou seja, horas trabalhadas por quarto ocupado, receita por hora trabalhada e qualidade entregue.

Manutenção: sair do corretivo e chegar mais perto do preditivo

Na manutenção, a mudança é igualmente relevante. Em vez de esperar o equipamento falhar, sistemas acompanham padrões de funcionamento, ordens de serviço, histórico e sinais de deterioração para antecipar intervenções.

O Infraspeak, por exemplo, apresenta recursos de manutenção preditiva e integração com IoT e sistemas prediais. Em plataformas de operações, a gestão de ativos pode ser conectada ao planejamento de manutenção e à execução das tarefas.

O benefício não é apenas reduzir uma conta de manutenção. Uma falha evitada em um equipamento crítico pode significar uma unidade habitacional preservada, um hóspede menos impactado e uma operação que não precisa trabalhar em modo de emergência.

Experiência do hóspede: automatizar o repetitivo para humanizar o que importa

Outra frente que já está bastante desenvolvida é a comunicação com o hóspede. Perguntas sobre Wi-Fi, café da manhã, horários, localização, estacionamento, amenities e procedimentos não precisam consumir a maior parte do tempo da equipe.

Plataformas como Canary Technologies, HiJiffy, Revinate e Duve já trabalham com mensagens, concierge digital, check-in e relacionamento com hóspedes. Algumas informam níveis de automação superiores a 80% ou 90% em determinados fluxos; mas esses números são declarações dos próprios fornecedores e devem ser avaliados em função do contexto de cada hotel.

O ponto estratégico é se a tecnologia resolve o que é repetitivo, a equipe pode dedicar mais tempo ao que exige julgamento, empatia, negociação e hospitalidade.

Vendas, Grupos e Eventos: mais velocidade para decidir onde colocar o esforço comercial

Em grupos e eventos, a IA ajuda a responder uma pergunta clássica: aceito este negócio ou mantenho o inventário disponível para outro tipo de demanda?

O destaque aqui fica para a análise de displacement: receita do grupo, receita transitória potencial, consumo de A&B e outros serviços, custo de deslocamento, wash e valor do relacionamento. O ganho está em tomar uma decisão mais completa, e não simplesmente olhar para a diária do grupo.

No operacional de grupos e eventos, a Nowsta, já explorada na seção de Recursos Humanos, também ajuda a organizar equipes para eventos e catering, atuando diretamente sobre uma questão crítica que é o dimensionamento da equipe de acordo com a demanda esperada, evitando tanto a ociosidade quanto a sobrecarga.

Na área comercial, a mesma lógica aparece em CRM e automação, com propostas mais rápidas, follow-ups automáticos, priorização de leads e menos tempo gasto com tarefas administrativas.

Na área comercial, a IA atua ainda sobre uma das tarefas que mais consomem tempo das equipes: a transformação das oportunidades em negócios. A Revinate, por exemplo, utiliza sua camada de inteligência artificial Ivy para analisar dados e comportamentos dos hóspedes, identificar oportunidades de receita e orientar a abordagem mais adequada. Em seu módulo Reservation Sales, a plataforma também captura os dados dos leads, ajuda a priorizar oportunidades e automatiza o follow-up de hóspedes que não reservaram na primeira interação. Na prática, a tecnologia permite que a equipe comercial dedique mais tempo às oportunidades com maior potencial de conversão.

Conclusão: a IA não está chegando. Ela já chegou

Ela já está ajustando tarifas, dimensionando equipes, priorizando apartamentos, atendendo hóspedes, analisando compras e antecipando necessidades de manutenção.

As soluções existem. O desafio agora é descobrir onde elas podem produzir resultado no seu hotel.

Próximo passo: não fique à espera

Para transformar toda essa reflexão em ação, desenvolvi uma ferramenta chamada Autoanálise do Potencial de Ganhos com Tecnologia e IA na Hotelaria, inspirada nas ideias apresentadas neste artigo e complementada por pesquisas e referências disponíveis na web, com a própria IA como parceira nesse desenvolvimento (pra ser fiel ao meu artigo). A ferramenta permite ao hotel avaliar sua maturidade no tema, identificar oportunidades concretas de aplicação de tecnologia e IA; estimar ganhos potenciais, visualizar investimentos e analisar indicadores como payback e ROI.

Quer experimentar? É gratuito.

Clique aqui e acesse a Biblioteca da AVS Assessoria em Gestão, onde você poderá conhecer e baixar gratuitamente a ferramenta. E aproveite a visita para descobrir também os outros conteúdos, estudos e materiais que estão lá e que podem lhe ajudar a transformar informação em decisões e resultados.

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André Victória da Silva é um consultor de referência no segmento de hotelaria e serviços, pela sua trajetória sólida construída ao longo de quase quatro décadas de atuação no setor. Criou recentemente a Hospitality Metrics Brazil, onde alia sua visão analítica e experiência prática para transformar o desempenho operacional dos hotéis em vantagem competitiva. Sua carreira executiva inclui a atuação como gerente geral de hotéis midscale, upscale e luxo, integrando redes internacionais reconhecidas pela excelência em hospitalidade. À frente da AVS Capacitação e Assessoria em Gestão, apoia hotéis e operações de serviços, a fim de elevar resultados por meio de estratégia, gestão e desenvolvimento organizacional.

(*) Crédito da foto: Arquivo Pessoal

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