O Grupo PGA, responsável pelo desenvolvimento e operação de hotéis de alto padrão no Nordeste, captou R$ 25 milhões em sua primeira emissão de títulos no mercado de capitais brasileiro. A operação foi realizada por meio da emissão de notas comerciais, com base nas novas regras do Regime Fácil, assessoria do Itaú Unibanco e registro na B3.
Sediado em Ipojuca (PE), o grupo pretende direcionar os recursos aos projetos que integram seu plano de expansão. A captação contempla empreendimentos em diferentes estágios de desenvolvimento e amplia a capacidade financeira da companhia para avançar nas próximas etapas.
Segundo Tarcysio Malheiros, diretor da Fábrica de Hotéis, parceira do Grupo PGA na estratégia para a hotelaria, a operação deve contribuir para acelerar o desenvolvimento do pipeline da companhia. “Mais do que financiar um empreendimento isoladamente, esses R$ 25 milhões contribuem para dar maior velocidade ao nosso pipeline de expansão, dentro de uma estratégia de crescimento de longo prazo construída pelo Grupo PGA e pela Fábrica de Hotéis”, diz o executivo, em entrevista ao Hotelier News.
Ainda segundo Malheiros, o capital poderá ser empregado em diferentes fases, desde a concepção dos empreendimentos até a preparação para o início das operações. A flexibilidade na alocação dos recursos ganha relevância diante da existência de projetos em etapas distintas.
O executivo explica que o período entre a criação de um hotel e sua abertura envolve diversas frentes, que precisam ser conduzidas de forma coordenada. “Na hotelaria, existe um período importante entre a concepção de um empreendimento e sua entrada em operação. Nesse intervalo, temos etapas como projetos, aprovações, desenvolvimento, implantação, obras, equipamentos, mobiliário e preparação para a abertura”, pontua.
A maior disponibilidade de capital também permite ao grupo avançar em mais de um projeto simultaneamente, conforme as necessidades de cada empreendimento. Para Malheiros, esse é um dos principais efeitos da operação sobre o plano de expansão.
“O principal ganho é justamente a velocidade. Com uma estrutura financeira mais robusta, conseguimos avançar simultaneamente em diferentes projetos e manter o ritmo previsto para nossa expansão”, acrescenta.
Nova alternativa de financiamento
A operação marca a entrada do Grupo PGA no mercado de capitais. Com isso, a companhia passa a contar com uma alternativa adicional para estruturar financeiramente os próximos empreendimentos, sem deixar de utilizar as fontes tradicionais.
Para Malheiros, a primeira emissão tem relevância que vai além do montante captado. A construção de um histórico como emissor pode ampliar as possibilidades de acesso a diferentes instrumentos e investidores no futuro. “Não enxergamos essa emissão apenas como uma captação de R$ 25 milhões. Ela representa o início de um relacionamento do Grupo PGA com o mercado de capitais”, enfatiza.

A estratégia não prevê a substituição de bancos, capital próprio ou investidores pelos recursos obtidos no mercado. A proposta é combinar diferentes fontes de acordo com as características de cada projeto, considerando fatores como prazo, estágio de desenvolvimento e custo.
“Essa diversificação é saudável porque nos proporciona maior flexibilidade para definir a combinação de capital mais adequada para cada empreendimento, considerando prazo, estágio de desenvolvimento, custo e características específicas do projeto”, destaca Malheiros.
O Grupo PGA também considera realizar novas emissões. Segundo o executivo, eventuais operações dependerão das condições de mercado e das necessidades de capital da companhia. A intenção, porém, é estabelecer uma relação de longo prazo com o mercado de capitais.
Parceria com Marriott
Entre os projetos que integram a estratégia de expansão está a parceria com a Marriott para o desenvolvimento de 30 hotéis City Express by Marriott, marca que vem crescendo significativamente no Brasil, no Nordeste ao longo de 15 anos. O acordo amplia o pipeline de empreendimentos e cria uma demanda recorrente por capital para sustentar o crescimento planejado.
Malheiros avalia que a primeira emissão deve ser considerada dentro de uma estratégia financeira mais ampla, vinculada ao cronograma de expansão do grupo. “Consideramos essa primeira emissão um passo importante nesse processo”, destaca.
A expectativa é que o histórico construído a partir da operação facilite o acesso do grupo ao mercado em futuras captações. Para isso, o desempenho como emissor e a relação com os investidores serão fatores relevantes. “Se conseguirmos construir um bom histórico como emissores, cumprindo nossos compromissos e estabelecendo uma relação de confiança com os investidores, é natural que o mercado de capitais passe a fazer parte de maneira recorrente da nossa estratégia de financiamento”, diz Malheiros.
Para o diretor da Fábrica de Hotéis, os R$ 25 milhões devem ser avaliados tanto pelo impacto imediato nos projetos quanto pela abertura de uma nova frente de financiamento para os próximos anos. A estratégia combina a expansão hoteleira no Nordeste, a parceria com a Marriott e a diversificação das fontes de capital. A primeira emissão, portanto, passa a integrar a estrutura financeira que dará suporte aos investimentos previstos pela companhia.
“Para nós, é um passo importante na transformação do grupo, pois estamos combinando mais de 30 anos de experiência em hotelaria, uma parceria internacional com a Marriott, um plano consistente de expansão no Nordeste e, agora, acesso ao mercado de capitais para apoiar esse crescimento”, finaliza.
(*) Crédito das fotos: Divulgação













