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Hopi Hari (SP) expande atuação e anuncia movimento rumo à hotelaria

O Hopi Hari inicia um novo capítulo após o fim de sua recuperação judicial e já prepara um movimento estratégico para ampliar o turismo na região: a construção de hotéis e apartamentos dentro do complexo, em áreas hoje destinadas ao estacionamento, como parte de um plano que prevê R$ 280 milhões em investimentos entre 2026 e 2028, aponta a Bloomberg Línea. A iniciativa, que depende da revisão do plano diretor de Vinhedo (SP), busca transformar o parque em um destino completo.

A decisão pela expansão hoteleira é vista pela gestão como essencial para escalar o público. “Para continuarmos a crescer em ritmo acelerado, precisamos atrair visitantes de outras regiões. Para isso, temos que oferecer hospedagem”, afirma Nuno Vasconcellos, representante do Brooklyn International Group, controlador do empreendimento.

O anúncio das novas frentes de investimento ocorre logo após o juiz Fábio Marcelo Holanda, da 1ª Vara de Vinhedo, decretar o encerramento da recuperação judicial em 19 de setembro. O magistrado reconheceu que o parque cumpriu as obrigações previstas no plano aprovado em 2022, que envolveu renegociação com credores e redução da dívida de R$ 1,4 bilhão para cerca de R$ 600 milhões.

A administradora judicial e o Ministério Público também se manifestaram favoravelmente ao encerramento. A lei permite a conclusão do processo mesmo com habilitações de crédito ainda pendentes. Sob nova gestão desde 2018, o Hopi Hari tenta retomar o protagonismo que marcou seus primeiros anos, quando chegou a receber 1,8 milhão de visitantes ao ano. “Nosso objetivo é nos tornarmos o maior parque da América Latina. Vamos melhorar o resultado e temos como meta baixar a dívida pra R$ 300 milhões nos próximos 12 meses. A Disney brasileira é o Hopi Hari”, diz Vasconcellos.

Ao lado dele estão Max Strand (CEO), Oliver Krause (COO) e João Bornhausen (CFO). Cada empresa da família Vasconcellos tem corpo diretor próprio; no caso do parque, Vasconcellos atua como CVO (Chief Visionary Officer), responsável por desenhar diretrizes estratégicas.

Novas atrações

Além dos hotéis, o plano de expansão do Hopi Hari inclui a aquisição de novos brinquedos e equipamentos de fornecedores da China, Europa e Estados Unidos. “Vamos trazer novos brinquedos e novas atrações”, afirma o executivo.

Outro eixo central é a criação de um shopping a céu aberto, inspirado em modelos como o The Grove, de Los Angeles, e o CityWalk, da Disney. Os estudos de viabilidade começam em dezembro e devem durar até três anos.

Com todas essas iniciativas, o parque projeta atingir 3 milhões de visitantes e R$ 500 milhões de faturamento entre 2028 e 2029. Em 2024, foram 1,3 milhão de visitantes e receita de R$ 210 milhões. Para 2025, a expectativa é chegar a até 1,5 milhão de pessoas, mantendo margens Ebitda entre 40% e 50%.

A ofensiva do Hopi Hari ocorre em um ambiente que deve se tornar mais competitivo. A Cacau Show, que ampliou sua atuação para a hotelaria com a marca Bendito Cacao, hoje com dois empreendimentos no interior paulista, prepara seu mais ambicioso projeto de turismo: um parque temático de chocolate em Itu, o Cacau Park, previsto para 2027.

A poucos quilômetros do Hopi Hari, o novo parque deve reforçar a disputa por hospedagem, pacotes integrados e turistas em busca de experiências temáticas. Embora os temas sejam distintos — fantasia e adrenalina de um lado, gastronomia e storytelling do chocolate de outro — o fluxo turístico da região tende a ser impactado.

Perspectivas de capitalização

O Brooklyn International Group, que detém 99,88% da HH Participações S/A, já investiu mais de R$ 100 milhões desde que assumiu o Hopi Hari em 2018. O plano de recuperação aprovado em 2022 teve o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) como principal credor, com 80% do total — uma dívida que chegou perto de R$ 400 milhões após atualização pelo CDI. Os demais credores aceitaram deságio de 50%.

A controladora avalia uma possível abertura de capital ou uma operação de M&A nos próximos quatro a cinco anos, mas descarta a entrada de novos investidores no curto prazo. “Somos investidores de longuíssimo prazo, não de curto prazo”, diz Vasconcellos.

Além do Hopi Hari, o grupo possui investimentos em mídia no Rio de Janeiro e cerca de 1 milhão de metros quadrados (m²) destinados a empreendimentos imobiliários.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Hopi Hari

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