Gramado não parece enfrentar um problema de demanda em 2026. Os dados do Hotel Report, estudo da Omnibees em parceria com o Hotelier News, mostram justamente o contrário: os room nights cresceram 9% frente a 2025, enquanto o destino mantém elevado volume de procura e o viajante passou a reservar com maior antecedência.
O ponto de atenção está na capacidade da hotelaria de transformar esse movimento em receita: a tarifa média avançou apenas 1,6%, as OTAs ampliaram sua participação enquanto o canal direto recuou e há diferenças relevantes de desempenho entre as categorias. O cenário coloca pricing, distribuição e conversão no centro da estratégia dos hotéis do destino.
A diferença entre o avanço de volume e preço fica ainda mais evidente quando Gramado é comparada ao mercado regional. A região Sul registrou crescimento de 10,4% nos room nights e de 6,8% na tarifa média em 2026 frente ao ano anterior. No Brasil, as altas foram de 5,7% e 5,5%, respectivamente.
No Rio Grande do Sul, o comportamento também é semelhante, embora menos acentuado. O estado cresceu 9,5% em room nights, mas apenas 1,9% em tarifa média. Assim, tanto Gramado quanto o mercado gaúcho apresentam expansão puxada principalmente pelo volume.
Para os hotéis do destino, os números levantam uma questão importante: até que ponto o crescimento da procura está sendo convertido em aumento de preço e receita?
Economy ganha volume; Luxury aposta em preço
A análise por categoria mostra que o desempenho do mercado de Gramado não é homogêneo. O segmento Economy apresentou o maior crescimento de room nights, com alta de 17,2%, mas sua tarifa média recuou 2,2%. É o exemplo mais claro de expansão baseada em volume: há mais quartos sendo vendidos, porém a preços médios menores.
No extremo oposto aparece o Luxury. A categoria registrou queda de 3,2% nos room nights, mas aumentou sua tarifa média em 9,7%, maior avanço de preço entre os segmentos analisados.
Já o Midscale apresentou o comportamento mais equilibrado, combinando crescimento de 6,9% nos room nights com alta de 6,2% na tarifa média. No Upscale, o volume avançou 7,5%, enquanto a tarifa cresceu 1,8%.
Os resultados revelam estratégias distintas de captura da demanda. Enquanto Economy amplia fortemente o volume sem conseguir sustentar crescimento tarifário, o Luxury prioriza valor mesmo diante da retração das reservas.
OTAs ampliam espaço e venda direta recua
Se o crescimento tarifário é um ponto de atenção, a distribuição acrescenta uma segunda variável à equação. As OTAs concentram 60,8% de participação e registram crescimento de 17,7%, enquanto a venda direta recuou 6%.
O movimento ganha relevância diante do tamanho da procura por Gramado, que soma 547 milhões de buscas. Ou seja, existe uma grande demanda digital pelo destino, mas os dados indicam que os intermediários estão ampliando sua participação na conversão desse interesse em reservas.
Para a hotelaria, o cenário reforça a importância de estratégias de aquisição e retenção de clientes, presença digital, conversão dos sites próprios e relacionamento com hóspedes. O objetivo não necessariamente é substituir as OTAs, mas buscar maior equilíbrio entre os canais para capturar uma parcela maior do valor gerado pela demanda.
O Hotel Report reúne dezenas de indicadores e possibilita aos gestores hoteleiros acompanhar, com maior inteligência de mercado, o desempenho da hotelaria de 20 destinos espalhados pelo país (saiba mais aqui).
Para consultar todos os indicadores, gráficos interativos e análises do mercado de Gramado, acesse o Hotel Report no link. Para ver os números de outras cidades, basta entrar no site.
(*) Crédito da foto: reprodução














