A hotelaria brasileira manteve sua trajetória positiva na reta final de 2025, consolidando um período marcado por avanço consistente dos indicadores de desempenho e maior capacidade de geração de receita. Esse movimento ficou evidente em novembro, quando o setor voltou a apresentar crescimento generalizado, conforme aponta a 220ª edição do InFOHB, relatório mensal produzido pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). No mês, o RevPAR registrou alta de 19,7% na comparação anual, alcançando R$ 347,40, seguido pelo aumento de 17,6% na diária média, que chegou a R$ 509,14, enquanto a taxa de ocupação avançou 1,8%, atingindo 68,23%.
A análise considera uma amostra de 589 hotéis de redes associadas, responsáveis por 91,4 mil UHs em todo o país, o que garante abrangência nacional aos dados divulgados pelo InFOHB. Os números de novembro mostram que o crescimento do setor foi puxado, principalmente, pela diária média, que avançou quase 10 vezes mais do que a ocupação em termos percentuais. Esse descolamento sugere uma estratégia clara de valorização do produto, com hotéis priorizando mix de canais, segmentação de demanda e gestão tarifária mais eficiente. O resultado direto é um RevPAR em forte expansão, indicador-chave para a saúde financeira das operações.
Ao mesmo tempo, a elevação da taxa de ocupação, ainda que mais moderada tanto no recorte anual, quanto no mensal, indica estabilidade da demanda e contribui para sustentar os ganhos de receita. O cenário aponta para um mercado mais maduro, em que crescimento não depende apenas de vender mais quartos, mas de vender melhor.
Destaques regionais
O Norte foi um dos principais destaques da hotelaria brasileira em novembro, registrando as maiores altas de diária média e RevPAR entre todas as regiões, segundo o InFOHB. Apesar da queda de 17,4% na taxa de ocupação, que recuou para 57,49%, a diária média saltou 343,2%, enquanto o RevPAR avançou 266,1%. O desempenho reflete um mês atípico para a região, fortemente influenciado por eventos de grande porte em Belém, como a realização da COP30, que concentrou demanda qualificada e elevou significativamente os preços praticados.
O Nordeste apresentou um dos quadros mais equilibrados do país, combinando crescimento de demanda e valorização tarifária. A região registrou alta de 5,7% na taxa de ocupação, que chegou a 75,53%, além de aumento de 12,4% na diária média, para R$ 399,97, e avanço de 18,8% no RevPAR, que atingiu R$ 302,12. Os números reforçam a consistência do desempenho regional, sustentado por forte atratividade turística.
No Sul, os resultados também foram positivos em todos os indicadores. A ocupação cresceu 6,1%, alcançando 70,39%, enquanto a diária média avançou 9,9%, para R$ 361,35. Como resultado, o RevPAR da região subiu 16,5%, chegando a R$ 254,35, evidenciando um crescimento alinhado entre volume e receita.
O Sudeste, maior mercado hoteleiro do país, manteve uma trajetória de crescimento mais moderada, porém consistente. A taxa de ocupação avançou 2,3%, para 68,17%, a diária média cresceu 7,3%, atingindo R$ 519,94, e o RevPAR registrou alta de 9,8%, chegando a R$ 354,45, refletindo estabilidade e força estrutural da região.
Já o Centro-Oeste foi a única região, além do Norte, a registrar retração na ocupação, com queda de 4,1%, para 61,23%. Ainda assim, o aumento de 7,7% na diária média, que alcançou R$ 458,01, permitiu crescimento de 3,3% no RevPAR, que fechou o mês em R$ 280,42, mitigando o impacto da menor demanda.
Outros dados
Entre as categorias hoteleiras, o segmento Midscale liderou o crescimento em novembro, com avanço de 25,1% no RevPAR, impulsionado por uma alta de 24,1% na diária média. A categoria Upscale também apresentou desempenho consistente, com crescimento de 5,8% na ocupação e aumento de 15,9% no RevPAR. Já os hotéis Econômicos registraram elevação de 16,4% no RevPAR, mantendo trajetória positiva.
A análise dos principais municípios brasileiros em novembro revela um cenário heterogêneo, no qual os ganhos de receita foram mais disseminados do que o crescimento da ocupação. Entre as 15 cidades analisadas pelo InFOHB, nove registraram queda na taxa de ocupação, indicando que o avanço do RevPAR esteve, em grande parte, associado à valorização das diárias e a eventos pontuais de alta demanda.
No indicador de ocupação, os destaques positivos ficaram com Porto Alegre, que apresentou crescimento expressivo de 15,7%, elevando o índice para 69,79%, além de Salvador, com alta de 12,4% (88,74%), e Recife, que avançou 8,2%, alcançando 76,43%. São Paulo, maior mercado do país, também teve desempenho positivo, com crescimento de 3,9% e ocupação de 73,89%, enquanto o Rio de Janeiro avançou 6%, chegando a 78,13%.

Em contrapartida, cidades como Goiânia (-10,5%), Belém (-34,3%), Manaus (-6%), Florianópolis (-3,6%) e Brasília (-3,2%) registraram retração na ocupação, refletindo ajustes de demanda após períodos de pico ou mudanças no perfil do fluxo de hóspedes ao longo do mês.
Quando o recorte é a diária média, o movimento é majoritariamente positivo. Apenas Recife (-0,7%) e Manaus (-1%) apresentaram queda. Entre os destaques, Belém chamou atenção com avanço de 1,2 mil%, elevando a diária média para R$ 3.879,46, desempenho diretamente ligado à concentração de eventos internacionais na cidade. Outras capitais também registraram aumentos relevantes, como Salvador (+13,6%), Porto Alegre (+14,4%), Florianópolis (+14,1%), Vitória (+12,3%) e São Paulo (+8,4%).

O impacto combinado desses movimentos fica evidente no RevPAR, indicador que sintetiza ocupação e preço. Em novembro, apenas Goiânia e Manaus apresentaram retração no índice (-6,9%). Porto Alegre novamente liderou entre as capitais tradicionais, com crescimento de 32,3%, seguido por Salvador (+27,6%), Fortaleza (+16,8%), São Paulo (+12,7%) e Curitiba (+11,6%). Belém voltou a se destacar com alta excepcional de 759%, levando o RevPAR para R$ 1,9 mil.

O desempenho dos municípios em novembro reforça a leitura de uma hotelaria urbana fortemente influenciada por eventos, calendário específico e perfil de demanda, em que a capacidade de capturar valor por meio da diária média foi determinante para os resultados, mesmo em mercados onde a ocupação mostrou retração.
Acumulado do ano
Por fim, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, os dados do InFOHB confirmam a tendência positiva. O RevPAR cresceu 13,2%, a diária média avançou 10,9% e a taxa de ocupação subiu 2,1% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho consolidado indica um setor que encerra 2025 em patamar superior ao do ano anterior, com ganhos estruturais em receita e posicionamento comercial.
Os resultados de novembro e do acumulado do ano indicam que a hotelaria brasileira entra no fechamento de 2025 mais preparada, seletiva e orientada à rentabilidade. O crescimento sustentado do RevPAR, impulsionado majoritariamente pela diária média, revela um setor que assimilou práticas mais sofisticadas de precificação, leitura de demanda e gestão comercial, reduzindo a dependência de ganhos puramente volumétricos. Ao mesmo tempo, a forte influência de eventos e movimentos pontuais em determinados mercados reforça a importância do planejamento estratégico e da diversificação de demanda para mitigar volatilidades.
O cenário aponta para 2026 com uma base mais sólida, em que eficiência operacional, inteligência de mercado e posicionamento de produto tendem a ser fatores decisivos para a continuidade do ciclo positivo.
(*) Crédito da foto: Divulgação
(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/FOHB















