
A HSMAI divulgou o estudo State of Hotel Commercial Talent, que analisa as principais transformações no perfil profissional e nas competências exigidas pelo setor. O relatório reúne percepções de especialistas e aponta tendências que devem influenciar a gestão de talentos nas áreas comerciais da hotelaria nos próximos anos.
O material mostra que a rápida evolução tecnológica, especialmente com o avanço da IA (inteligência artificial), começa a mudar as habilidades demandadas de profissionais de vendas, marketing e gestão de receitas. Com isso, parte das tarefas operacionais e analíticas tende a ser cada vez mais automatizada. Segundo o estudo, especialistas do setor estimam que até 25% dos empregos na hotelaria serão impactados pela automação.
“O estudo deixa claro que tecnologia não é mais suporte, é protagonista. A inteligência artificial já está automatizando tarefas operacionais e analíticas, deslocando o valor do profissional para o pensamento estratégico, leitura de dados e capacidade de tomada de decisão”, explica Gabriela Otto, presidente da entidade no Brasil e na América Latina. Como exemplo, o documento aponta que, na área de vendas, o uso da IA para geração de propostas e análises já tem resultado em taxas de conversão entre 15% e 25% maiores.
Mudanças geracionais
O relatório também destaca o impacto das mudanças geracionais no ambiente de trabalho. Atualmente, equipes de hotelaria reúnem profissionais de diferentes gerações, desde os Baby Boomers (1946-1964) até a Geração Z (1997-2010), que já nasceu em um mundo totalmente digital, e agora começam a chegar os nascidos na Geração Alfa (a partir de 2010). Cada geração tem expectativas diferentes em relação à carreira, aos modelos de trabalho e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Nunca houve tanta diversidade geracional ao mesmo tempo. Isso muda tudo, desde expectativa de carreira, relação com liderança até dinâmica de trabalho”, completa Gabriela.
Aprendizado contínuo, segundo o estudo, deixou de ser apenas uma iniciativa de RH (Recursos Humanos) e passou a ser um imperativo de negócio. Em um ambiente de rápida transformação tecnológica, investir na qualificação constante dos profissionais e na atualização de competências passa a ser um fator essencial para manter a competitividade. Para a presidente da HSMAI Brasil, a tecnologia não substitui o talento, mas expõe quem não evoluiu. “O diferencial passa a ser cada vez mais humano, com repertório, visão de negócio e capacidade de conectar áreas. Departamentos de Vendas, RM, MKT e/ou Distribuição isolados são dinheiro perdido”.
O material também chama atenção para o impacto da saúde mental na performance e retenção. Na hotelaria, problemas de saúde mental são reflexo de fatores como jornadas irregulares, pressão constante no atendimento ao cliente e ciclos de demanda instáveis. Diante desse quadro, o relatório destaca que iniciativas de apoio ao bem-estar deixaram de ser vistas apenas como benefício e passaram a fazer parte da estratégia das empresas para manter a produtividade, a retenção de talentos e a continuidade dos negócios.
De acordo com Gabriela, o Brasil vive uma combinação particularmente desafiadora “com escassez de mão de obra qualificada, alta rotatividade e um modelo operacional ainda muito pressionado por custos e produtividade. Vivemos um momento de repensar produtividade, tecnologia e modelo de operação.”
Mais do que apontar tendências, o estudo traz um alerta claro: quem não revisar agora sua estratégia de talentos vai operar com um modelo que já nasceu obsoleto. O material é aberto e pode ser acessado pelo link.
(*) Crédito da imagem: Hotelier News












