O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no Brasil, avançou 0,88% em março, segundo dados divulgados hoje (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No acumulado de 12 meses, a alta chega a 4,14%, acima das projeções de mercado. Em março de 2025, o índice havia subido 0,56%, indicando aceleração no período, aponta o G1.
Apesar disso, a inflação segue dentro da faixa de tolerância definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). A meta é de 3%, com limite de 4,5%, e passou a ser contínua — ou seja, o cumprimento é acompanhado mês a mês com base no acumulado em 12 meses, e não apenas no resultado fechado do ano.
O principal vetor de pressão veio do grupo Transportes, que subiu 1,64%, impulsionado pelos combustíveis. A gasolina avançou 4,59% e teve o maior impacto individual no índice. Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, o movimento reflete tanto fatores externos, quanto domésticos, com influência do conflito no Irã sobre o mercado global de petróleo, além de reajustes recentes praticados no Brasil.
“A combinação entre restrições de oferta no mercado internacional e repasses domésticos acabou se refletindo nos preços ao consumidor e já aparece nos dados de inflação de março”, diz. De acordo com o técnico, sem a alta da gasolina o IPCA teria ficado em 0,68%. Caso todos os combustíveis fossem excluídos do cálculo, a taxa cairia para 0,64%.
Outros dados
Além da gasolina, o diesel disparou 13,90%, enquanto o etanol subiu 0,93% e o gás veicular recuou 0,98%. No segmento de serviços, as passagens aéreas continuaram em alta, mas em ritmo menor.
O grupo Alimentação e bebidas também ganhou força, com alta de 1,56%, puxada principalmente pelos produtos consumidos no domicílio. Entre os grupos com menor variação, Habitação subiu 0,22%, Artigos de residência 0,51%, Vestuário 0,46%, Saúde e cuidados pessoais 0,42%, Educação 0,02% e Comunicação 0,19%, indicando que a pressão inflacionária não foi disseminada de forma uniforme.
Diante da alta dos combustíveis, o governo federal anunciou um pacote de medidas para tentar conter os preços, com custo estimado em R$ 30,5 bilhões. Além disso, também há medidas em curso para diminuir os custos das passagens aéreas.
(*) Crédito da foto: Divulgação











