A hotelaria brasileira encerrou julho registrando alta em seus três principais indicadores de desempenho: RevPar, diária média e ocupação. De acordo com dados da 216ª edição do InFOHB, informativo mensal do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), o RevPar teve incremento de 12,9% na comparação com o mesmo período de 2024, enquanto a diária média e a taxa de ocupação cresceram 10,6% e 2,1%, respectivamente.
O levantamento considera uma amostra de 602 hotéis de redes associadas, responsáveis pela oferta de 92,9 mil UHs. O desempenho da hotelaria em julho reflete um movimento de consolidação da recuperação do setor, impulsionado principalmente pelo aumento da demanda em destinos de lazer e por um ambiente corporativo mais aquecido em algumas praças.
Na prática, isso indica que os hotéis conseguiram repassar preços mais altos sem perder atratividade, o que sugere maior confiança dos consumidores e maior poder de barganha dos empreendimentos. O avanço da diária média mostra que os hóspedes aceitaram tarifas mais elevadas, em parte sustentadas por períodos de férias escolares, pela realização de eventos e pelo próprio reposicionamento de algumas propriedades em mercados competitivos.
Já a ocupação, com crescimento mais moderado, revela que a demanda subiu, mas em ritmo menos acelerado que os preços — o que é comum em meses de alta sazonalidade, quando a estratégia de receita se apoia mais em tarifas do que em volume.
Resultado regional
Os dados do InFOHB apontam que o Sul teve o crescimento mais expressivo de RevPar em julho, avançando 24,7%. Em seguida, aparecem Nordeste (17,9%), Sudeste (12,1%), Norte (3%) e Centro-Oeste (1,3%).
Em relação à diária média, o Sul também lidera o ranking, com alta de 15%. Logo depois, estão Nordeste (14%), Sudeste (10,1%), Norte (7,9%) e Centro-Oeste (7,1%).

Na ocupação, por sua vez, e seguindo a lógica dos outros indicadores, o Sul permaneceu no topo da lista, com incremento de 8,4%, seguido por Nordeste (3,4%) e Sudeste (1,8%). Entre os resultados negativos, aparecem Centro-Oeste (-5,4%) e Norte (-4,5%).
O desempenho do Sul sugere forte movimento turístico na região, favorecido pelas férias escolares e pelo apelo sazonal de destinos de inverno. O Nordeste também se beneficiou da alta temporada, com crescimento consistente em todos os indicadores, reforçando o peso do turismo de lazer no período. Já o Sudeste registrou evolução mais moderada, mas ainda positiva, refletindo um equilíbrio entre negócios e lazer.
Em contrapartida, Centro-Oeste e Norte apresentaram retração na ocupação, o que pode indicar desafios ligados à sazonalidade local e menor dinamismo da demanda, ainda que tenham conseguido elevar suas tarifas. O quadro geral reforça que a performance de julho esteve fortemente atrelada ao calendário de férias e às características sazonais de cada região.
Desempenho por categoria de hotel
No recorte por categoria, os hotéis Upscale lideraram os ganhos de julho, com crescimento de 6,9% na ocupação, 14,6% na diária média e 24,8% no RevPar, evidenciando forte demanda por hospedagens de maior padrão.
Os empreendimentos Midscale tiveram avanço mais moderado, de 0,7% na ocupação, mas ainda registraram alta robusta de 11,3% na diária média e 12,1% no RevPar. Já os Econômicos apresentaram aumento de 1,6% na ocupação, 6,1% na diária média e 7,8% no RevPar, mostrando resiliência no segmento de maior volume.
Principais municípios
Entre os destinos analisados, Porto Alegre se destacou de forma expressiva, registrando alta de 80,2% na taxa de ocupação e impressionante crescimento de 131,2% no RevPar, além de avanço de 28,3% na diária média. O resultado reflete a força de eventos e da sazonalidade de inverno, que tradicionalmente atrai mais visitantes para a capital gaúcha, porta de entrada para destinos como Gramado.
No Rio de Janeiro, a ocupação cresceu 13,9%, acompanhada por altas de 21,4% na diária média e 38,3% no RevPar, evidenciando o dinamismo do destino turístico em plena temporada. Salvador também apresentou desempenho sólido, com ocupação em alta de 19,7% e ganhos de 15,6% na diária média, levando o RevPar a avançar 38,9%. Já Manaus registrou aumento modesto na ocupação (3,2%) e diária média (9,4%), mas ainda assim garantiu crescimento de 13,5% no RevPar.
Na outra ponta, alguns municípios tiveram retração. Florianópolis enfrentou queda de 17,4% na ocupação e de 9,7% no RevPar, apesar do avanço de 28,3% na diária média. O mesmo ocorreu em Belém (-14,2% na ocupação e -6,2% no RevPar) e Goiânia, que apresentou queda de 4,5% no RevPar, mesmo com incremento tímido nas tarifas.
Desempenho acumulado do ano
De janeiro a julho, a hotelaria brasileira registrou alta de 2,9% na taxa de ocupação, 11% na diária média e 14,1% no RevPar em comparação ao mesmo período de 2024. O destaque regional foi o Sul, com crescimento de 7% na ocupação e 17,8% no RevPar, impulsionado por destinos como Porto Alegre e Florianópolis.
O Sudeste também apresentou avanço consistente (2,8% em ocupação e 15% em RevPar), seguido do Nordeste (2,4% e 15,4%). Já Centro-Oeste e Norte tiveram queda na ocupação (-2,1% e -0,9%, respectivamente), mas ainda assim registraram ganhos em diária média e RevPar, o que ajudou a sustentar a rentabilidade.

No recorte por municípios, Porto Alegre liderou o crescimento acumulado, com alta de 34,1% na ocupação e expressivos 47,2% no RevPar. O Rio de Janeiro também se destacou, com avanço de 16,5% na ocupação e 40,9% no RevPar, consolidando-se como um dos principais motores da hotelaria nacional. Outros destaques foram Florianópolis (20,6% em diária média e 17% no RevPar), Salvador (17,5% no RevPar) e Fortaleza (18,2%).
O acumulado do ano confirma que a tendência positiva da hotelaria não se restringe a meses pontuais de alta temporada. O crescimento das tarifas foi determinante para sustentar os resultados, mas o avanço da ocupação, ainda que em ritmo moderado, demonstra retomada mais consistente da demanda.
O destaque para Sul e Sudeste mostra que regiões com forte turismo de lazer e corporativo seguem puxando a performance, enquanto Centro-Oeste e Norte enfrentam maior instabilidade. No conjunto, os dados apontam para um setor mais rentável e melhor preparado para equilibrar preço e volume.
(*) Crédito da foto: Divulgação















