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Karol Garrett: Mudanças na hotelaria e o impacto para hotéis independentes

Uma coisa é certa, parece que vivemos 10 anos nos últimos 2 anos, muitos fatores influenciaram a economia e impactou diretamente a nossa indústria de viagens. Mesmo antes da pandemia do COVID em 2020, vínhamos em um processo de transformação dentro das empresas, seja em maior digitalização na comunicação e processos como também uma forte pressão da sociedade e do mercado corporativo no geral em mudanças na governança das empresas. E como conseguir integrar a hotelaria em toda esta metamorfose?

Temas como trabalho remoto, viagens de bem estar, digitalização dos hotéis, personalização das viagens, foco na experiência do cliente e sustentabilidade fizeram parte do dia a dia da hotelaria nos últimos anos. A indústria 4.0 que engloba tecnologias avançadas como a inteligência artificial e internet das coisas (IOT) está promovendo uma mudança sensível na sociedade e nas empresas com a transformação de muitos modelos de negócios. Hotéis começaram a pensar mais na segurança e experiência do cliente, investiram na emissão de selos de higiene e segurança para atrair hóspedes. Nunca foi tão importante fortalecer laços com os hóspedes, focar na fidelização e personificar a comunicação com o cliente. Sem sombra de dúvidas foi um ano de altos e baixos, com expectativas e esperanças para hotelaria.

A hotelaria ganhou um ar contemporâneo com a aderência de novas tecnologias que ajudaram a entender melhor o que acontecia ao redor do mundo e assim encontrar uma luz no fim do túnel para nossa tomada de decisão.

Culturalmente a maioria dos brasileiros não tem a cultura do planejamento financeiro – mesmo alguns empreendedores – ,outra mudança significativa que a pandemia trouxe, para as famílias e empresas, sobre a importância de controlar custos, priorizar investimentos e ainda conseguir ter uma boa reserva para emergências.

Os hotéis que tinham algum recurso em caixa, aproveitaram o lockdown para investir em reforma, transformação digital, reciclar e treinar os seus funcionários, e como consequência foram os hotéis que despontaram em inovação e conseguiram maiores taxas de ocupação na retomada, com ações à frente da concorrência.

Impactos dos últimos anos para hotelaria

2020 foi o pior ano da aviação, com redução de 60% da demanda comparado a 2019, receita 70% menor e redução de quase 70% das rotas a nível mundial. A economia retrocedeu, o PIB do turismo brasileiro caiu 32% neste ano. Queda drástica do turismo internacional. Dos gastos com viagens em 2020, 95% foram de turismo doméstico e apenas 5% vieram da demanda internacional.

A hotelaria viveu momentos delicados em 2021 com a segunda onda da pandemia, cancelamento de datas importantes como o carnaval, fechamento de hotéis, falta de incentivo do governo para os pequenos e médios hotéis, dentre outros fatores que prejudicaram o crescimento do setor neste ano.

Nos últimos meses do ano, renovou-se a esperança com a reabertura de hotéis fechados e o aumento das buscas espontâneas de viagens pelos consumidores. Também notamos uma busca maior por viagens nacionais e regionais, o que fortaleceu alguns mercados específicos e hotéis, mesmo durante o pós pandemia.

Também em 2021 cresceram as hospedagens de aluguel de casas de férias e a busca por multipropriedades, adaptando a novos hábitos dos consumidores. Este conceito de hospedagem acabou aumentando a concorrência por um público de viagens ainda não totalmente restabelecido.

2022, foi sem dúvida uma grande aposta e surpresa para quem estava há 2 anos sofrendo com altos e baixos de uma possível retomada do setor de viagens, indústria mais afetada pela pandemia.

Com números superando o benchmarking de 2019 (um marco pré-pandemia), este ano foi animador para hotelaria com altas ocupações e imprimindo uma diária média quase 10% acima de 2019.

Artigo - Gráfico

A mudança na forma de viajar e o hábito dos consumidores também favoreceu a hotelaria, principalmente a “cauda longa”, nos destinos do interior. Para os hotéis urbanos, conquistaram uma demanda nova do público regional, antes pouco explorada.

A Cloudbeds (empresa de softwares para hotelaria) publicou recentemente um relatório bem interessante sobre dados da hotelaria independente a nível global e compartilho aqui alguns dados para nossa reflexão.

Dados globais da hotelaria independente

Entre as propriedades independentes, as taxas de ocupação globais em 2021 e 2022 melhoram constantemente a cada ano desde a pandemia, mas ainda não alcançaram os níveis de 2019.

Artigo - Gráfico 2

Em 2019, as reservas provenientes de OTAs constituíam 57% de todas as reservas, enquanto as outras origens constituíam 43%. Durante a pandemia, houve uma mudança significativa contribuindo para as reservas diretas, com a baixa demanda forçando as OTAs a reduzir os orçamentos de publicidade. Com as restrições da Covid limitando a maioria das viagens a mercados regionais e domésticos durante esse período, canais diretos aumentaram em 2020 e 2021. Em 2022, a demanda reprimida das viagens voltou a favorecer mais as OTAs, alcançando os níveis de 2019 novamente.

Em 2022, as empresas de hotelaria independentes aproveitaram a alta da demanda das viagens a lazer para aumentar as diárias e compensar os custos crescentes. Em 2023, a tendência é a mudança de foco para o aumento da ocupação e do RevPAR. Para aumentar ainda mais a rentabilidade, é fundamental que os hoteleiros reduzam os custos, dentre uma importante estratégia relacionada a melhoria na distribuição dos seus inventários, é gerar mais reservas diretas e melhorar a eficiência operacional.

Metas importantes para 2023 na hotelaria independente

  • Aumento da ocupação
  • Aumento de reservas diretas
  • Melhora na eficiência operacional

Além de saber quais indicadores precisamos trabalhar e melhorar neste ano desafiador de 2023, a hotelaria independente terá alguns desafios para equilibrar bons preços de diárias com altas ocupações, dentre eles:

  • Inflação e aumento dos custos
  • Investimento em marketing digital
  • Experiência do cliente
  • Ferramentas de gestão de preços
  • Contratação de mão de obra especializada

Táticas importantes a adotar na hotelaria independente

Tente manter uma estratégia de preços dinâmica, ajustando os preços em resposta às mudanças na demanda do mercado, ocupação e comportamento da concorrência. O objetivo final é aumentar as reservas nos períodos menos movimentados e aumentar as tarifas nos períodos mais movimentados. Use a tecnologia mais adequada para automatizar os preços, a comparação de tarifas e as atividades de distribuição.

Tenha em mente que valor nem sempre significa vender barato. Os turistas de todos os tipos, do econômico ao luxuoso, esperam que as experiências de hotelaria valham o preço. Isso significa sempre manter a qualidade e nunca recorrer a táticas de reduzir a qualidade do produto ou os serviços para poupar custos. Se você comprometer a qualidade, corre o risco de enfrentar uma reação negativa nas avaliações online e na fidelidade dos hóspedes, o que pode causar danos a longo prazo à sua marca.

É importante sinalizar que muitas vezes os proprietários de propriedades independentes não conseguem fazer tudo isso sozinhos. Em 2023, mais propriedades investirão em tecnologia e em formatos mais flexíveis de administração das suas propriedades para ajudar a criar novas oportunidades de receita, construir melhores plataformas para vendas diretas, gerenciar campanhas de marketing, automatizar serviços e melhorar a experiência do hóspede.

Tendências do mercado global de viagens

O Booking.com está observando uma tendência de viagens baseadas em experiências. Os viajantes querem férias únicas que surpreendam e encantem, relata a OTA. Uma das maiores tendências que surgiram com a pandemia é uma maior consciência do impacto das viagens no meio ambiente. Segundo a Expedia, 90% dos consumidores já buscam opções sustentáveis ao viajar e metade está disposta a pagar mais por transporte, atividades e hospedagem se a opção for mais sustentável.

A Expedia adicionou novos filtros de “Experiência para viajantes” que incluem as opções LGBTQIA +, ideal para negócios e ideal para famílias. Ainda, o Booking.com permite que os usuários filtrem as pesquisas de acomodação por práticas de sustentabilidade.

Geralmente, as propriedades independentes de todos os tamanhos são familiares e têm conexões profundas com a comunidade local, e os grandes grupos hoteleiros não podem competir com isso.

É igualmente importante comunicar aos turistas as experiências que você oferece. Isso significa garantir que seu site, seus anúncios em plataformas de terceiros e outros canais de marketing destaquem as experiências que o diferenciam, seja tecnologia de ponta, programas de bem-estar ou experiências locais.

  • 43% dos viajantes entrevistados dizem que “ter novas experiências” é fundamental na tomada de decisões de viagem desde a pandemia. Fonte: Expedia
  • 33% dos viajantes dizem que as atividades são o componente mais inesquecível da viagem. Fonte: Tripadvisor
  • 79% dos viajantes reconhecem a importância da viagem sustentável, e 43% acreditam que isso inclui o respeito à cultura e herança local. Fonte: Trip.com

Desafios sobre eficiência operacional de alto impacto

  • Mantenha a felicidade, lealdade e engajamento dos membros da sua equipe;
  • Implemente a tecnologia que você precisa para superar as expectativas dos hóspedes;
  • Crie oportunidades de qualificação necessárias para os funcionários evoluírem à medida que a tecnologia desempenha um papel maior nas operações.

Quanto mais proativa for a maneira de enfrentar esses desafios, melhor posicionado estará para converter mais reservas e deixar os hóspedes mais felizes em 2023.

Karol Garrett é especialista em distribuição, revenue management, transformação digital e inovação em hotelaria. Possui certificações internacionais na área de pricing e no decorrer dos 18 anos de sua carreira se dedicou a expansão de novos negócios de brokers da Europa, atuou como hoteleira e possui sua própria empresa de consultoria em RM há 15 anos.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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