A Marriott International encerrou o segundo trimestre de 2026 combinando crescimento operacional, expansão acelerada e fortalecimento da remuneração aos acionistas. Mesmo diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre parte da operação internacional, a companhia registrou crescimento global de 3,4% no RevPAR, ampliou seu pipeline para um recorde de 629 mil quartos em desenvolvimento e elevou sua projeção para o desempenho ao longo de 2026, sinalizando confiança na continuidade da demanda mundial por viagens.
O conjunto dos resultados evidencia uma estratégia baseada em três pilares: expansão do portfólio, fortalecimento do programa de fidelidade Marriott Bonvoy e crescimento sustentado das receitas recorrentes provenientes da gestão e franquia de hotéis. O desempenho também demonstra que a diversificação geográfica da rede ajudou a compensar pressões regionais, preservando o avanço da operação global.
No segundo trimestre, a Marriott registrou lucro líquido reportado de US$ 766 milhões, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou US$ 844 milhões. O lucro por ação diluído reportado foi de US$ 2,90, e o lucro por ação diluído ajustado chegou a US$ 3,19. Já o EBITDA ajustado totalizou US$ 1,592 bilhão, reforçando a evolução da geração operacional de caixa da companhia.
RevPAR cresce impulsionado pela América do Norte
O principal indicador operacional da indústria hoteleira voltou a apresentar expansão. O RevPAR global aumentou 3,4%, enquanto Estados Unidos e Canadá registraram crescimento de 5%. Nos mercados internacionais, porém, houve retração de 0,5%, reflexo principalmente dos efeitos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
Segundo Anthony Capuano, presidente e CEO da Marriott International, o desempenho confirma a resiliência da demanda. “Entregamos mais um trimestre de excelentes resultados, refletindo a forte demanda por viagens, a força de nossas marcas e o ritmo contínuo de desenvolvimento”.
O executivo explicou que a retração internacional foi concentrada em mercados específicos. “A receita por quarto disponível internacional caiu 0,5% no trimestre, uma vez que os impactos negativos do conflito no Oriente Médio mais do que compensaram o sólido crescimento do RevPAR em nossas outras regiões internacionais. Na EMEA, o RevPAR caiu mais de 5%, com um aumento na Europa superado por uma queda de 43% no Oriente Médio. O RevPAR na região da Ásia-Pacífico (APEC) aumentou mais de 5%, impulsionada pela forte demanda por viagens de lazer e pelo robusto fluxo de viagens intrarregionais, enquanto o RevPAR na Grande China cresceu mais de 3%, graças ao forte desempenho de nosso portfólio de luxo e de mercados-chave como Hong Kong, Taiwan e Hainan.”
Diante desse desempenho, a companhia revisou para cima sua expectativa para 2026. “Com o desempenho superior no segundo trimestre e a expectativa de que a forte demanda generalizada continue, estamos elevando nossa projeção para o ano todo para um crescimento global do RevPAR entre 3% e 3,5%.”
Pipeline atinge novo recorde mundial
Outro indicador que reforça a estratégia de crescimento da Marriott é o desenvolvimento de novos empreendimentos. Durante o trimestre, a companhia adicionou aproximadamente 17,9 mil quartos líquidos, dos quais cerca de 11 mil em mercados internacionais. O portfólio global passou a superar 10 mil propriedades, somando quase 1,814 milhão de quartos.
Ao final de junho, o pipeline mundial alcançou um novo recorde, com 4,1 mil propriedades e aproximadamente 629 mil quartos em desenvolvimento, sendo 44% dos quartos em fase de construção, incluindo hotéis em processo de conversão. Mais da metade desse pipeline está localizada fora dos Estados Unidos.
Capuano destacou que as conversões continuam desempenhando papel estratégico na expansão da companhia. “A atividade de desenvolvimento manteve-se forte, com um número recorde de contratos assinados globalmente nos primeiros seis meses do ano. Nosso portfólio global, líder do setor, cresceu para aproximadamente 629 mil quartos no final do trimestre, um aumento de quase 7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. As conversões continuaram sendo um importante motor de crescimento, representando mais de um terço dos contratos assinados e 40% das inaugurações no primeiro semestre do ano.”
O pipeline recorde anunciado pela Marriott também reforça o momento vivido pela companhia no Brasil. Depois de estruturar uma equipe dedicada de desenvolvimento no país, a rede iniciou um novo ciclo de expansão, com foco em novas assinaturas, conversões e na chegada de marcas inéditas, como a City Express by Marriott. Segundo Paulo Mancio, vice-presidente de Desenvolvimento da Marriott no Brasil, a companhia passou a atuar com uma estratégia mais próxima dos investidores locais e busca acelerar a abertura de novos hotéis em diferentes segmentos do mercado.
Modelo asset light impulsiona receitas
Os números reforçam também a força do modelo asset light da Marriott. As taxas de franquia e gestão cresceram 14%, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,366 bilhão, impulsionadas pelo aumento do RevPAR, expansão do número de quartos e maiores receitas provenientes dos cartões de crédito co-branded.
As taxas de incentivo alcançaram US$ 212 milhões, ante US$ 200 milhões no mesmo período do ano anterior. Os hotéis administrados fora dos Estados Unidos responderam por mais da metade dessas receitas.
Por outro lado, a receita líquida de ativos próprios e arrendados caiu de US$ 78 milhões para US$ 49 milhões, impactada principalmente por uma provisão de US$ 27 milhões relacionada a litígios imobiliários e por menores receitas de rescisão contratual.
Marriott Bonvoy supera 295 milhões de membros
O programa de fidelidade continua sendo um dos principais ativos estratégicos da companhia. Ao final do trimestre, o Marriott Bonvoy ultrapassou 295 milhões de membros, ampliando sua capacidade de gerar demanda direta e fortalecer o relacionamento com hóspedes.
Segundo Capuano, os novos acordos firmados com JPMorgan Chase e American Express fortalecem ainda mais essa estratégia. “O programa de fidelidade Marriott Bonvoy, que cresceu para mais de 295 milhões de membros no final do trimestre, continua a impulsionar a demanda, aprofundar o engajamento dos membros e gerar valor em todo o nosso portfólio global. Recentemente, firmamos novos contratos de longo prazo para o nosso programa de cartões de crédito co-branded nos EUA com o JPMorgan Chase e a American Express. Esses contratos fortalecem ainda mais o Marriott Bonvoy e agregam valor aos nossos proprietários de hotéis, aos nossos portadores de cartão e membros do programa de fidelidade, bem como aos nossos acionistas.”
Companhia amplia retorno aos acionistas
Além do crescimento operacional, a Marriott manteve uma política robusta de remuneração aos investidores. No segundo trimestre, a empresa recomprou 3 milhões de ações, investindo US$ 1,1 bilhão. No acumulado do ano até 29 de julho, a companhia já havia devolvido aproximadamente US$ 2,6 bilhões aos acionistas, considerando dividendos e recompra de ações.
Ao final do período, a dívida totalizava US$ 16,9 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes somavam US$ 0,5 bilhão.
Os resultados mostram que o crescimento da Marriott em 2026 está menos concentrado na recuperação da demanda e mais sustentado pela escala de sua plataforma global. O aumento de 14% nas receitas de franquia e gestão, aliado ao pipeline recorde evidencia a capacidade da companhia de expandir receitas recorrentes mesmo em um cenário internacional heterogêneo.
Outro aspecto relevante é a resiliência geográfica. Enquanto o Oriente Médio pressionou o desempenho internacional, mercados como Ásia-Pacífico, Grande China e América do Norte compensaram parte dessas perdas, permitindo à empresa elevar sua projeção anual de RevPAR. A decisão de revisar as perspectivas para 2026 reforça a percepção de que a Marriott continua encontrando espaço para crescer tanto por meio da expansão orgânica quanto pela conversão de hotéis, estratégia que vem ganhando cada vez mais peso dentro do setor hoteleiro global.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Marriott International













