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Planejamento de mão de obra reduz custos na hotelaria

O planejamento da força de trabalho deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a ocupar espaço central nas discussões orçamentárias de redes e hotéis independentes. Com margens cada vez mais pressionadas e um hóspede mais exigente, a previsibilidade no setor de Recursos Humanos tornou-se decisiva para manter o equilíbrio financeiro sem comprometer a experiência de quem se hospeda.

Segundo especialistas, o desafio começa na análise da sazonalidade. Em destinos de lazer, como praias e resorts, a demanda oscila de forma intensa entre alta e baixa temporada, exigindo escalas flexíveis e contratação temporária para evitar excesso de mão de obra ociosa. Já nos centros urbanos, onde o fluxo é mais constante, a atenção recai sobre eventos e feriados, que podem gerar picos inesperados de ocupação.

Além de ajustar escalas e turnos, redes e hotéis precisam considerar encargos trabalhistas e benefícios no cálculo do orçamento. Outro ponto que ganhou relevância é a produtividade. Ferramentas de gestão e automação permitem medir a performance das equipes, ajudando a identificar onde é possível otimizar processos ou realocar funções. A tecnologia também apoia o treinamento, garantindo que colaboradores consigam atender mais hóspedes sem perda de qualidade.

Entendendo o cenário

Hotéis independentes, por sua vez, costumam ter mais agilidade para redesenhar funções e integrar setores — como recepção e concierge — mas enfrentam maior dificuldade de absorver aumentos salariais ou custos extras de contratação. Já as redes hoteleiras contam com escala para negociar benefícios e treinamentos, mas precisam lidar com estruturas mais complexas e decisões centralizadas.

Esse será um dos temas em destaque no Hotel Trends Orçamentos, evento do Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory, que reunirá executivos e especialistas para discutir as melhores práticas de planejamento no setor. A ideia é compartilhar estratégias que combinem controle rigoroso de custos e manutenção da hospitalidade como diferencial competitivo.

Lucila Quintino
Lucila reforça importância da previsibilidade

Em entrevista ao Hotelier News, Lucila Quintino, CEO da HotelConsult, pontua que o planejamento de mão de obra na construção do orçamento de hotéis sempre foi importante, e nos últimos anos ganhou ainda mais protagonismo, devido aos desafios para atrair e reter profissionais. “Temos visto várias ações e desejos de mudança em relação a mão de obra nos empreendimentos, e muitos deles, por não terem esse planejamento, não conseguem impor mudanças signifcativas neste cenário”, afirma.

Além disso, a executiva endossa que, devido à escassez de profissionais, o planejamento antecipado contribui para o melhor alinhamento das estratégias dos hotéis. “Neste cenário, consegue-se trabalhar melhor a oferta de salários, entender como será o possível turnover do ano seguinte, entre outras questões. Sem esta previsibilidade, os empreendimentos ficam engessados, sem poder trabalhar melhor suas ofertas”, ressalta, acrescentando que essa estratégia facilita o remanejamento de pessoal e outras ações.

A mão de obra como ativo estratégico

Para Márcio Moraes, diretor da QI Profissional, o planejamento de mão de obra começa pelo autoconhecimento da empresa. “Antes de qualquer contratação, qualquer sistema ou otimização de custos, o passo mais importante é o autoconhecimento da própria empresa. É como olhar para o espelho antes de sair de casa”, afirma. Sem essa clareza, o recrutamento torna-se um “tiro no escuro”, e a falta de alinhamento cultural gera custos invisíveis, mas devastadores.

Márcio Moraes
Moraes vê planejamento como ativo estratégico

A escolha de talentos, reforça o executivo, vai além da competência técnica: trata-se de encontrar profissionais cujo perfil comportamental se alinhe à cultura do negócio. Essa realidade é especialmente evidente em empresas familiares da hotelaria independente, marcadas por valores construídos ao longo de décadas. O desafio é encontrar profissionais que respeitem esse comportamento e saibam prosperar dentro dele. Até mesmo redes nacionais, com processos padronizados, possuem códigos de conduta não escritos, que exigem maturidade para serem compreendidos e respeitados.

A produtividade da equipe, segundo ele, é resultado de processos estratégicos de atração e desenvolvimento de talentos. “A equipe não é apenas um gasto, mas um ativo a ser otimizado”, defende. A percepção do hóspede sobre custo-benefício depende diretamente da qualidade do serviço. Quando há falhas, instala-se a chamada “loteria do atendimento”, em que a experiência oscila entre excelência e frustração, comprometendo reputação e receita.

O perfil do gestor, nesse cenário, precisa ir além das funções operacionais. Gerentes de Governança, Supervisores de A&B (Alimentos & Bebidas) e líderes de área devem ter visão analítica, foco em custos e capacidade de traduzir ações em resultados financeiros tangíveis. “O gestor do futuro é aquele que defende o valor do capital humano com base em métricas de negócio”, diz Moraes.

A tecnologia surge como aliada nesse processo, seja em softwares de RH, sistemas de governança ou ferramentas de IA que ajudam a ranquear candidatos e reduzir turnover. A contratação mais assertiva, destaca, diminui um dos maiores custos ocultos do setor.
Mas o “elefante na sala” é justamente o turnover. “Ele é um sintoma de problemas mais complexos na organização e um índice importante para avaliar a saúde da empresa”, alerta Moraes. Taxas elevadas podem custar até um terço do salário anual de um funcionário para substituí-lo, além de gerar perdas reputacionais e queda de produtividade. Embora um índice moderado possa ser saudável, taxas fora de controle revelam falhas graves — desde salários baixos até lideranças despreparadas.

Para o executivo, o erro está em reduzir a mão de obra a uma simples linha na planilha. “Se tratarmos pessoas apenas como custos, cairemos na paralisia estratégica das empresas que até cortam despesas, mas perdem a capacidade de inovar”, conclui. A verdadeira rentabilidade, reforça, está em valorizar pessoas que transformam custos em receita, reputação e crescimento sustentável.

Para 2025, a expectativa é que o planejamento de mão de obra se torne ainda mais estratégico. Com a recuperação da demanda, o avanço de tecnologias e a pressão por margens mais saudáveis, o setor deverá investir em previsibilidade e eficiência, buscando o ponto de equilíbrio entre custos e experiência — um desafio que promete dominar as discussões na próxima temporada orçamentária.


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O Hotel Trends Orçamentos 2026 é uma realização do Hotelier News, em parceria com a Noctua Advisory. Em sua 4ª edição, o encontro tem como patrocinadores o CVC Corp, Grupo R1, TOTVS, Accor, Atlantica Hospitality International, Climber RMS, Equipotel, EVNT Group, STR, Lighthouse, V4 Company, Anserve, Atrio Hotel Management, Bebook, B2B Reservas, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Hotéis Deville, Hotelaria Brasil, Intercity Hotels, Realgems e Trul Hotéis.

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(*) Crédito das fotos: Divulgação

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