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Latam e Embraer põem novos destinos no radar do turismo

A parceria entre Latam e Embraer pode colocar novos destinos no radar dos viajantes e abrir oportunidades para a hotelaria brasileira. Com os jatos E195-E2 da fabricante, a companhia aérea ampliará sua malha, incluindo ligações para Cabo Frio (RJ), Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT). A expansão reforça o potencial da aviação regional para estimular viagens de lazer e negócios e incrementar a demanda por hospedagem em mercados hoje menos atendidos.

O movimento terá novas etapas. Jerome Cadier, diretor-presidente da Latam Brasil, afirmou hoje (8) que espera anunciar uma segunda leva de rotas no final de novembro. Uma terceira está prevista para fevereiro de 2027 e poderá incluir ligações com outros países da América do Sul, segundo reportagem da Reuters publicada pelo UOL.

Na primeira fase, as conexões de Guarulhos com Rondonópolis, Ji-Paraná e Cabo Frio estão previstas para dezembro de 2026, com sete, quatro e quatro voos semanais, respectivamente. Macaé terá três frequências semanais a partir de fevereiro de 2027. As quatro cidades são inéditas na malha da Latam, o que não significa ausência de atendimento por outras empresas.

Para o desenvolvimento turístico do país, a relevância dessas ligações está na possibilidade de reduzir barreiras de acesso. Voos mais convenientes podem viabilizar deslocamentos antes adiados ou descartados e ampliar os mercados alcançados pelos destinos. Para os hotéis, a oportunidade será transformar essa facilidade de chegada em reservas e estadias.

Regionalização esteve em debate no HTC

A relação entre expansão aérea e demanda hoteleira foi discutida por Cadier durante sua participação no Hotel Trends Conference, evento promovido pelo Hotelier News e Noctua Advisory, em setembro. O executivo integrou o painel sobre as perspectivas da aviação e seus reflexos na hotelaria corporativa e de lazer, ao lado de Mateus Pongeluppi, da GOL, e Vagner Ricardo, da Embraer, com mediação de Fábio Godinho.

O debate evidenciou o espaço para ampliar a capilaridade do transporte aéreo brasileiro. Ricardo destacou que mais da metade das decolagens domésticas se concentra em seis aeroportos e apontou o potencial de novas conexões. “Então, se imaginarmos novas rotas, ainda que para destinos consolidados, vai aumentar consideravelmente a demanda”, afirmou o executivo da Embraer.

Cadier ressaltou no encontro que a aviação exige planejamento de longo prazo. Sua participação colocou as decisões sobre a malha aérea em diálogo com as perspectivas do setor hoteleiro, que depende da conectividade para alcançar visitantes de diferentes origens.

A expansão da Latam com aeronaves da Embraer dá uma dimensão prática à discussão sobre regionalização. Ao ampliar o acesso a cidades fora dos principais corredores aéreos, esse movimento pode favorecer tanto os destinos atendidos diretamente quanto municípios próximos, desde que haja transporte terrestre adequado para distribuir os visitantes pela região.

Novas rotas ampliam possibilidades de viagem

A Latam recebeu seu primeiro E195-E2 hoje, em São José dos Campos (SP). Na etapa inicial, até 14 aeronaves serão incorporadas gradualmente entre novembro de 2026 e março de 2027 para operar em 42 rotas. O plano combina novas ligações, aumento de frequências e substituição de equipamentos em operações existentes, levando a companhia a 67 destinos no Brasil.

Além das quatro novas bases, estão confirmadas conexões entre Brasília e Ribeirão Preto, Curitiba e Londrina, Curitiba e Cuiabá e Porto Alegre e Viracopos. A programação também prevê mais frequências em ligações já operadas, como Guarulhos–Palmas, Guarulhos–Uberlândia e Guarulhos–Cascavel. Portanto, as 42 rotas previstas para o modelo não correspondem integralmente a novas operações.

A possibilidade de ajustar a capacidade dos voos ao volume de passageiros é relevante para mercados regionais. Essa flexibilidade pode favorecer operações que teriam mais dificuldade para se sustentar com aeronaves maiores, ampliando as condições para atender cidades com menor demanda e oferecer mais opções de deslocamento.

Para o turismo brasileiro, o efeito potencial é a diversificação dos fluxos. Uma conexão mais conveniente pode aumentar a competitividade de um destino na escolha do viajante, facilitar viagens profissionais e ampliar o alcance de eventos. O acesso aéreo, porém, precisa encontrar uma oferta local capaz de despertar interesse e estimular permanência.

Mais conectividade pode gerar demanda para hotéis

A abertura de rotas amplia o mercado potencial dos meios de hospedagem. Uma ligação com Guarulhos, por exemplo, facilita o acesso tanto de passageiros da região de origem quanto de viajantes em conexão. Essa integração cria possibilidades de captação em diferentes mercados emissores.

O impacto sobre a ocupação dependerá do perfil dos passageiros e dos motivos da viagem. Lazer, negócios, eventos e visitas a familiares geram necessidades distintas de acomodação. Por isso, o aumento do movimento no aeroporto precisa ser acompanhado da análise de quantos visitantes permanecem no destino e utilizam sua estrutura hoteleira.

Os horários e as frequências também influenciam essa conversão. Uma programação favorável a viagens de fim de semana pode estimular estadias de lazer, enquanto voos compatíveis com compromissos profissionais podem beneficiar a ocupação nos dias úteis. Já deslocamentos sem pernoite podem movimentar outros serviços sem gerar diárias.

Para aproveitar as novas conexões, os hotéis podem direcionar sua divulgação aos mercados emissores, desenvolver parcerias com agências e operadoras e alinhar ofertas ao calendário dos voos. Acompanhamento da origem dos hóspedes, da permanência média e das reservas ajudará a identificar a demanda efetivamente gerada.

Desenvolvimento depende da articulação dos destinos

O potencial econômico da regionalização vai além da hospedagem. Restaurantes, transportadoras, atrativos e outros serviços podem ganhar mercado com a chegada de visitantes. Quanto maior a capacidade de estimular permanência e consumo local, mais ampla poderá ser a distribuição dos benefícios do turismo.

Essa oportunidade exige articulação entre empresas e poder público. Promoção turística, acesso aos aeroportos, qualificação dos serviços e organização de experiências precisam acompanhar as novas ligações. A conectividade facilita a chegada, enquanto a oferta do destino influencia a decisão de viajar, permanecer e retornar.

Para investidores hoteleiros, a expansão aérea também oferece um indicador a acompanhar. Rotas anunciadas sinalizam possibilidades, mas operações mantidas e fluxos recorrentes proporcionam uma base mais consistente para decisões sobre reformas, ampliação ou novos empreendimentos.

A união entre Latam e Embraer reforça o papel da aviação regional no desenvolvimento turístico do Brasil. Ao ampliar conexões e facilitar o acesso a mercados menos atendidos, a parceria pode estimular viagens e incrementar a demanda por hotéis. Transformar esse potencial em crescimento duradouro dependerá de voos regulares, promoção eficiente e destinos preparados para receber novos visitantes.

(*) Crédito da foto: Pedro Melo/TV Vanguarda

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