A IA (Inteligência Artificial) aplicada à precificação hoteleira foi o tema da apresentação de Ricardo Souza, diretor de Revenue Growth da Lighthouse, durante o evento Diária e reputação online: a inteligência por trás do preço, promovido pela TOTVS em parceria com o Hotelier News e o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil).
Com o título O problema que todo hoteleiro conhece, a palestra trouxe uma provocação sobre um dos principais desafios da hotelaria: embora o mercado disponha de diversas soluções tecnológicas, ainda há pouca integração entre elas. Para o executivo, essa fragmentação limita o potencial da Inteligência Artificial e dificulta decisões estratégicas baseadas em dados.
“A IA precisa consumir dados em tempo real e centralizá-los em uma única base, e isso só acontece com conectividade. Quando isso não acontece, perde-se velocidade na tomada de decisão, e as estratégias passam a ser baseadas apenas em intuição, e não em informações efetivas”, afirmou.
Segundo Souza, a dinâmica da demanda hoteleira exige análises cada vez mais rápidas e precisas. O comportamento do mercado, explica, é influenciado por fatores como volume de buscas por voos, procura por hospedagem, realização de eventos e outras variáveis que impactam diretamente a intenção de compra. “Quando misturamos tudo isso, a IA nos traz insights que podem direcionar as estratégias”, completou.
Micro-variações de demanda ampliam a rentabilidade
Na avaliação do executivo, uma das maiores oportunidades para a hotelaria está na capacidade de identificar micro-variações de demanda e transformar pequenos ajustes tarifários em ganhos relevantes de receita.

“Ganhar R$ 10 ou R$ 15 a mais em uma diária resulta em um crescimento expressivo no acumulado do ano, por exemplo”, destacou. Souza também questionou a prática de definir preços com base apenas na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para ele, essa lógica perde relevância diante de um mercado cada vez mais dinâmico e orientado por dados em tempo real.
“Se a IA conseguir cruzar essas informações, vai ajudar muito os hotéis a entender o comportamento da demanda”, reforçou.
Ao abordar os impactos da IA na hotelaria, o executivo apontou três tendências que devem ganhar força nos próximos anos:
- Aumento da precisão na previsão de demanda;
- Maior automação dos fluxos de trabalho;
- Personalização da experiência de compra.
“Existe uma expectativa de que a IA vai impactar muito o setor, e um gap com o que o setor está fazendo para se adaptar a isso. A única maneira de criar um plano para evoluir enquanto organização é saber quais são os bloqueios atuais em termos de estratégia e, posteriormente, desbloquear isso”, concluiu.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News














