Luxo e tempo compartilhado fazem sentido? No painel O Luxo é a nova fronteira do sharing economy: projetos de luxo, residence clubs e clubes como produto, o Share Summit debateu o mercado de alto padrão como tendência de mercado.
Além da participação por vídeo do chef Alex Atala, Bruna Apolinário, diretora de Fidelização do Cliente da Aviva; Victor Arakaki, partner da JHSF; e Jeferson Braga, CEO da Ownerinc, abordaram o desenvolvimento de empreendimentos de luxo dentro do mercado de tempo compartilhado, com mediação de Francisco Costa Neto, CEO da Beta Advisory.
“O luxo evoluiu de ostentação para códigos culturais e experiências. Tempo, silêncio, tranquilidade e sinal de pertencimento”, disse Atala, que também é sócio da Resid Club. “A maior expressão do luxo é bem-estar, pé na areia sem perder a elegância”, completou.
Arakaki apresentou o case da JHSF, ecossistema de luxo que atua em sete setores diferentes, entre eles, a hospitalidade, com a marca Fasano. “Em 2007, compramos o passaporte de luxo e o controle da marca Fasano. Esse casamento foi um grande ponto de inflexão para outros pontos dentro da empresa”, contou.
Além dos empreendimentos da marca, a JHSF possui o único aeroporto executivo internacional do Brasil e detém um share membership, clubes de tênis e de surfe. “Há quatro anos, lançamos a JHSF Capital, braço de gestão de recursos de terceiros. Atualmente, são R$ 4,1 bilhões em fundos de investimentos ligados a ativos subjacentes da JHSF”, completou.
Na Aviva, o alto padrão chegou com o InCasa Residence Club, instalado no Rio Quente Resorts. Inaugurado no ano passado, o timeshare de luxo do grupo tem VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 630 milhões e 40 casas de condomínio, com três tipologias distintas. “Começamos as vendas em 2017 e hoje o InCasa é uma das nossas maiores alavancas de fidelização”.
Braga, por sua vez, explicou que a Ownerinc está desenvolvendo empreendimentos residenciais compartilhados de alto padrão. Localizado em Gramado, o projeto tem investimento de R$ 171 milhões, 24 casas e 40 apartamentos que podem chegar a até 100 metros quadrados (m²). “Estamos entregando esse empreendimento e já lançamos o segundo com R$ 500 milhões de contratos sob gestão e baixa alavancagem, totalizando R$ 1 bilhão em VGV e R$ 400 milhões em custo de obra”.

A força das marcas
Na JHSF, o Fasano Residences mostra a força da marca no setor de luxo. Segundo Arakaki, a inserção da bandeira pode elevar em até 30% o valor dos empreendimentos com uma mesma localização e padrão. “São aluguéis que variam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. São clientes que não querem imobilizar esses recursos”.
De acordo com Bruna, a Aviva entendeu que o cliente queria mais do que tijolo, mas sim experiências diferenciadas e específicas. Com uma proposta de luxo acessível, o InCasa possui diárias que podem chegar a R$ 8 mil. “É um perfil diferenciado que nasceu para reforçar a complexidade do timeshare”.
Com uma marca consolidada, a Aviva tem o desafio de entregar um produto com serviços exclusivos. Para atingir o objetivo, a empresa contratou um gerente geral com experiência em luxo e realizou dry runs — testes de hospedagem para fazer possíveis ajustes nos empreendimentos. “Testamos os equipamentos para ver se ele tem a durabilidade e traz a experiência que gostaríamos”.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















