Na manhã de hoje (13), teve início a primeira edição do Share Summit, evento idealizado pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory e Beta Advisory, com o objetivo de discutir tendências, dados e desafios sobre a multipropriedade e timeshare no Brasil. O encontro acontece no The Westin São Paulo, na capital paulista.
A abertura contou com as participações de Vinicius Medeiros, editor-chefe do Hotelier News; Pedro Cypriano, fundador e managing director da Noctua Advisory; e Francisco Costa Neto, fundador e managing partner da Beta Advisory.
“É muito importante estarmos aqui para discutir sobre multipripriedade. Tomamos muito cuidado com a curadoria para trazer referências do mercado durante as palestras. Nosso objetivo é trazer um conteúdo educativo para os negócios do setor”, disse Medeiros, durante a abertura do Share Summit.
Mercado em ascensão
Ao dar o pontapé inicial do encontro, Cypriano ressaltou a importância da realização do Share Summit. “Hoje, falamos de cerca de R$ 2 bilhões de vendas por ano somente em timeshare no país. Portanto, para nós, é um orgulho debater e trazer dados sobre um assunto tão importante. A ideia é fornecer insights sobre o segmento de multipropriedade e inspirar novos negócios”, comentou o executivo.
Por fim, Neto fez considerações sobre o crescimento do mercado nos últimos anos, consolidando-se no cenário nacional. “Olhar para trás é lembrar de um produto que era pouco acreditado e que, hoje, se tornou oportunidade para clientes e investidores na hotelaria”, pontuou.
O Share Summit percorre os principais eixos da multipropriedade e do timeshare, com debates sobre mitos e maturidade do modelo, aprendizados práticos de desenvolvimento e vendas, além da evolução de KPIs e métricas de performance.
O evento também aborda tendências como luxo e branded residences, uso de IA (Inteligência Artificial) e tecnologia para eficiência comercial, impactos da reforma tributária e estruturação jurídica, desafios da operação hoteleira após a entrega dos empreendimentos, além de investimentos em megaprojetos e uma visão de futuro para o mercado de férias compartilhadas.
Mais simples do que parece

O Share Summit abriu sua programação com uma discussão estratégica sobre o modelo de timeshare no painel Timeshare: mitos e verdades – Quando o negócio é bom para o desenvolvedor e para o cliente. Reunindo executivos do setor, o debate explorou a evolução do produto, seu papel na rentabilidade dos empreendimentos e os fatores que determinam seu sucesso tanto para empresas quanto para consumidores.
Logo de início, o painel reforçou que o timeshare deixou de ser apenas uma alternativa para preencher baixa temporada e passou a ocupar uma posição central na estratégia de resorts. A mudança está diretamente ligada à sofisticação do produto e ao aumento do nível de exigência do público.
De alternativa tática a pilar estratégico
Alessandro Cunha, CEO da Aviva, destacou que o avanço dos residence clubs representa uma transformação relevante no setor, ao deslocar o foco do custo-benefício para uma proposta mais voltada à exclusividade e à experiência. “O cliente passa a enxergar valor além do preço, com foco em serviços e diferenciação”, explicou.
Segundo ele, a categoria já representa cerca de 30% da distribuição, com ticket médio na casa de R$ 250 mil, o que evidencia um posicionamento mais premium. Esse movimento também eleva o nível de exigência do consumidor, pedindo entregas mais robustas ao longo de toda a jornada — do check-in diferenciado aos espaços exclusivos dentro dos empreendimentos.
Cunha reforçou que o timeshare se consolidou como uma operação relevante para o negócio, gerando até mais resultado do que a hotelaria tradicional. “Além da possibilidade de tarifas mais altas, é um modelo capaz de garantir mais de 50% da ocupação”, afirmou.
Evolução do produto e integração ao negócio
Murilo Pascoal, CEO do Beach Park, trouxe a perspectiva operacional da evolução do modelo. Segundo ele, o produto começou com uma lógica mais simples, baseada em semanas fixas, mas evoluiu ao longo do tempo para formatos mais flexíveis, como sistemas de pontos.
“Era um produto voltado para preencher a baixa temporada, mas teve um desempenho consistente e passou a ganhar relevância dentro da estratégia”, disse. Ele relembrou que, no início, houve desafios operacionais, especialmente pela falta de conhecimento sobre o modelo, mas que o aprendizado permitiu uma integração mais eficiente ao negócio.
Pascoal também destacou o papel do timeshare em momentos de crise. “Durante a pandemia, foi um fluxo importante de receita para o Beach Park, especialmente porque fechamos por cerca de 10 meses”, afirmou.
Escala global e avanço no Brasil
Na visão de Fabiane Leite, diretora de Desenvolvimento de Novos Negócios da RCI para América do Sul, o crescimento do timeshare, inclusive no Brasil, está inserido em uma indústria global já consolidada. “É um mercado de cerca de US$ 20 bilhões ao ano, sendo metade concentrada nos Estados Unidos. Contudo, o avanço é relevante na América Latina”, salientou.
Ela apontou que o Brasil tem ganhado protagonismo, sendo atualmente o segundo mercado em volume de vendas. Nos últimos cinco anos, 94 hotéis brasileiros se afiliaram à RCI, indicando um movimento consistente de expansão.

“É um produto extremamente flexível, mas que exige comprometimento dos players para garantir sua entrega e sustentação”, disse Fabiana.
Experiência, aspiração e expansão de valor
Complementando a visão histórica do setor, Kemil Rizk, co-idealizador de Cancún e ex-CEO da Royal Resorts, relembrou as origens do modelo no México, iniciado na década de 1970, com base em direitos residuais — conceito inovador à época.
Segundo ele, o produto sempre foi estruturado como uma experiência completa, indo além da simples venda de uma unidade. “Não vendíamos apenas um quarto, mas um conjunto de comodidades e serviços para o hóspede”, afirmou.
Rizk também destacou o perfil aspiracional de parte relevante do público. “Cerca de 30% dos nossos clientes buscavam algo melhor, um produto superior ao que já consumiam”, complementou.
Desafios e caminhos para o futuro
Com o painel, entende-se que, apesar do avanço, o sucesso do timeshare ainda depende diretamente da qualidade do produto e estratégia por trás dele. “Se o produto é ruim ou mal desenhado, o modelo não resolve”, alertou Cunha.
Outro movimento destacado foi a ampliação da proposta de valor para além dos empreendimentos. No caso da Aviva, por exemplo, existe o interesse em oferecer benefícios que extrapolam o ambiente do resort, como acesso a eventos e experiências externas, incluindo, por exemplo, camarotes em jogos e no Carnaval.
Nesse cenário, o consenso entre os painelistas é de que o timeshare deve ser encarado como um instrumento de expansão e rentabilização do negócio hoteleiro como um todo. Contudo, é preciso que ele seja sustentado por estratégia, qualidade de produto e foco consistente na experiência do cliente.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News










