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Short-term rental e ESG: desafios e avanços no segmento

Com operação pulverizada, gestão terceirizada e escalas distintas, o short-term rental enfrenta desafios únicos na aplicação de boas práticas ESG (Environmental, Social and Governance). Ainda que em estágio menos avançado em relação à hotelaria tradicional, empresas do segmento dão os primeiros passos em direção à sustentabilidade.

Em entrevista à reportagem do Hotelier News, executivos da Carpediem Homes, Pineapples e Yes Temporada compartilham suas visões sobre os obstáculos e caminhos possíveis para uma operação mais responsável e integrada.

Descentralização e impactos operacionais

A operação espalhada em diferentes bairros, cidades ou até estados torna o controle logístico e a gestão de impactos um dos maiores entraves do short-term rental. “Quanto mais pulverizada, mais suscetíveis estamos a sofrer com os impactos operacionais”, explica Fabio Nahon, CEO da Pineapples. Para mitigar esses efeitos, ele destaca a importância de bases regionais, padronização de processos e ferramentas de medição.

Na Carpediem Homes, presente em cinco estados, o desafio é enfrentado com parcerias estratégicas com construtoras e o uso de sistemas integrados que monitoram consumo e deslocamentos. “Seguimos investindo em tecnologia para controlar variáveis que impactam o meio ambiente, os custos e a satisfação dos colaboradores”, diz Samuel Godim, CEO da empresa.

Samuel Godim, CEO da Carpediem Homes - Short-term rental e ESG
Godim: “cada passo cria um futuro mais sustentável”

Yuri Mourão, sócio proprietário da Yes Temporada, chama atenção para o que acredita ser um ponto-chave: o impacto ambiental precisa ser resolvido localmente. “Como destinar adequadamente resíduos se a empresa de coleta seletiva não o fizer?”, questiona. Para ele, pequenas ações com rastreabilidade, como apoio a associações locais, são mais eficazes do que planos complexos e difíceis de medir.

Dados e padronização

A ausência de práticas padronizadas e indicadores confiáveis compromete diretamente o avanço do ESG no setor. “Sem dados, não conseguimos criar metas nem comparar desempenhos entre propriedades e plataformas”, afirma Nahon. A falta de escala e o caráter fragmentado da operação também dificultam o estabelecimento de políticas abrangentes.

Godim reforça esse ponto ao citar as disparidades entre cidades e estados em que a Carpediem atua. “Criar políticas de compensação e benefícios justos é mais difícil quando há variações locais de custo de vida”, explica. Já Mourão argumenta que, antes de padronizar, é preciso estruturar o setor. “Precisamos de união e escala. A ABLT (Associação Brasileira de Locação por Temporada) pode ajudar bastante nisso”, diz, referindo-se à entidade recém-criada.

Apesar dos obstáculos, ações práticas já fazem parte da rotina das empresas entrevistadas. A Pineapples adota produtos de limpeza biodegradáveis, coleta seletiva, equipamentos que economizam água e energia e investe em ergonomia e bem-estar no escritório. “Aplicar ações pontuais já causa um grande impacto”, afirma Nahon.

Fabio Nahon - Pineapples - entrevista - balanço - short-term rental
“O ESG, mesmo que pontual, causa impacto”, diz Nahon

Na Carpediem Homes, as iniciativas incluem uso de energia solar, descarte correto de eletrônicos e planejamento para adoção de veículos híbridos. “Cada passo ajuda a criar um futuro mais sustentável para a empresa e as comunidades”, diz Godim.

Para Mourão, a chave está na conexão com estruturas locais. “Alguns condomínios têm coleta seletiva, outros não. Precisamos atuar conforme a realidade de cada lugar”, explica. Ele também defende a criação de um certificado ESG adaptado ao short-term rental, que possa tornar iniciativas isoladas em ações reconhecidas e replicáveis.

E a hotelaria tradicional?

O setor hoteleiro convencional, por operar em um único endereço e com maior escala, tem mais facilidade para aplicar práticas padronizadas e medir impactos. “O short-term rental exige soluções criativas e mais simples para alcançar os mesmos objetivos”, aponta Nahon.

Godim vê uma vantagem competitiva no modelo descentralizado: a possibilidade de estar mais próximo dos colaboradores. “Conseguimos oferecer apoio psicológico, jornada flexível e benefícios diretos. É mais fácil humanizar as relações”, diz.

Mourão, por outro lado, aponta limitações estruturais. “Os hotéis produzem mais resíduos, mas também têm mais empregos formais e sistemas de governança mais sólidos. O short-term rental, com sua baixa escala, ainda tem muito a avançar nesses quesitos”, avalia.

Yuri Mourão, sócio proprietário da Yes Temporada - Short-term rental e ESG
Para Mourão, a profissionalização é o ponto de partida

Ponto de partida

Para os três executivos, a organização do setor é o primeiro passo para reduzir os impactos negativos da locação por temporada. “Com mais organização, conseguimos educar e conscientizar nossos clientes”, diz Nahon. Ele vê valor em ações de base, como treinamentos para camareiras e o uso consciente de recursos.

Mourão reforça o papel das associações e da formalização das práticas. “A profissionalização traz escala e obrigações formais, essenciais ao ESG. É hora de anfitriões e hóspedes se envolverem de verdade”, defende. Ele sugere que iniciativas como certificações ambientais e repasse de recursos para projetos sociais podem transformar o setor em um agente relevante de impacto positivo.

(*) Crédito da capa: Freepik

(*) Crédito das foto: Divulgação

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