O potencial do multifamily no Brasil também foi trazido ao palco do STR Summit. Em apresentação de Paulo Mancio, diretor de Hospitality da CBRE, e Antônio Neto, gerente e head da área de Capital Markets da consultoria, o recado principal foi que este mercado é jovem no Brasil e demonstra plena ascensão. A previsão, segundo dados trazidos pelos executivos, é que o estoque atual dobre nos próximos três anos.
A categoria, baseada em empreendimentos residenciais com múltiplas unidades voltadas exclusivamente para locação, apresenta características de ativos operacionais, com avaliação centrada em indicadores como cap rate (taxa de capitalização), ROB (Receita Operacional Bruta) e perfis de público. “Estamos falando de um produto que une consistência no fluxo de caixa e alta demanda por moradia de aluguel”, destacou Mancio.
Hoje, o Brasil conta com 94 edifícios que operam no multifamily, somando 9,8 mil UHs — número que cresceu 40% em 2024. Desse total, 82 edifícios e 8,2 mil acomodações estão em São Paulo, onde o mercado já mostra sinais de maturação. Os aluguéis variam entre R$ 45 e R$ 280 por metro quadrado (m²).
Segundo dados da CBRE, os portfólios operacionais registram taxa de ocupação de 86%, com mais de 90% dos contratos no modelo long stay. A previsão é atingir 12,8 mil unidades até 2028. “O multifamily tem uma tese de longo prazo e está demonstrando absorção positiva”, afirmou Neto.

Hoje, o foco do segmento na capital paulista fica concentrado, principalmente, nas regiões da Avenida Paulista, Pinheiros/Rebouças e Centro da cidade. A Chucri Zaidan também desponta como novo polo que pode evoluir nos próximos anos neste aspecto. O desafio agora, segundo Neto, é expandir para outros mercados e atrair mais investidores.
Cenário com outros setores
No comparativo com outros setores, Mancio afirma que o multifamily representa 4% do marketshare, atrás da hotelaria (9%), varejo (13%) e indústria (29%). A nível global, a atividade movimentou US$ 198 bilhões em 2024, representando 28% do volume total transacionado, com destaque para EUA, onde o estoque soma 17,8 milhões de unidades — liderado por Nova York, Los Angeles e Chicago.
“O mapa dos EUA mostra um mercado muito mais consolidado neste modelo de real estate, enquanto o Brasil ainda busca mais referências. No entanto, entre os fatores que favorecem o avanço da modalidade por aqui, estão alto custo de vida, encarecimento do capital e necessidade de soluções habitacionais flexíveis”, comentou Neto.
Por fim, Mancio citou também que o desempenho destes ativos depende de estratégias de economia de escala bem desenvolvidas e aplicadas. “O multifamily ainda está começando no Brasil, mas a performance já mostra que é uma solução sólida e com grande espaço para crescer”, concluiu o diretor.
(*) Crédito das fotos: Rildo Gontijo/Hotelier News















