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Três perguntas para: Edman Aquino

Explorar novos lugares e vivenciar os destinos que ajuda a construir são duas formas de Edman Aquino cultivar sua paixão por viagens. Curioso por natureza, o gerente de Estratégia e Inovação da Aviva gosta de conhecer experiências pelo mundo, um interesse que acompanha sua trajetória profissional no turismo e na hospitalidade.

Na companhia, Aquino lidera as áreas de Planejamento Estratégico, Gestão de Projetos, Inovação e Inteligência de Mercado. Ao longo de sua carreira na Aviva, ocupou diferentes posições e participou da estruturação e do fortalecimento dessas frentes. Hoje, suas responsabilidades incluem desenvolver e acompanhar o plano de negócios e conduzir projetos estratégicos, conectando análise de mercado, visão de futuro e execução.

Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Finanças e Eficiência Empresarial pela FIA Business School, o executivo defende uma inovação ligada à estratégia e presente na rotina da organização. Na entrevista a seguir, explica como a Aviva seleciona investimentos, transforma dados em ofertas personalizadas e busca dar escala a ideias capazes de gerar resultados para o negócio e melhorar a experiência das famílias.

Três perguntas para: Edman Aquino

Hotelier News: A inovação na hotelaria muitas vezes ainda é associada à adoção de novas tecnologias. Na prática, como a Aviva define o que realmente merece investimento? Quais critérios vocês utilizam para separar uma tendência interessante de uma inovação capaz de gerar receita, eficiência ou melhorar efetivamente a experiência do cliente?

Edman Aquino: Na Aviva, partimos do princípio simples de que inovação só faz sentido quando está conectada à estratégia da companhia. Tecnologia é meio, não fim, e, por isso, antes de qualquer investimento, olhamos se a iniciativa se conecta com as teses de inovação, os nossos direcionadores de negócio e a experiência que queremos entregar às famílias.

Esse alinhamento acontece de forma estruturada por meio do Desenrola, nosso programa de inovação incremental, e, mais recentemente, por meio do Desenrola AI, que amplia essa cultura com o uso de inteligência artificial. O programa é descentralizado e a inovação é feita por todos os associados, mas é gerido com método e ferramentas de decisão e priorização.

Na prática, o Desenrola vai além de um programa de captação de ideias, pois ele cria um caminho para que pessoas associadas de diferentes áreas, como a Aviva chama seu time de colaboradores, partam de desafios reais da operação, proponham soluções, testem possibilidades e transformem os aprendizados em melhorias de produtos, serviços e processos.

Essa dinâmica, que premia as melhores ideias, aproxima a inovação de quem vive o negócio no dia a dia e nos ajuda a experimentar antes de escalar, direcionando energia e investimento para iniciativas com potencial concreto de melhorar a eficiência, aprimorar a experiência das famílias ou gerar valor para o negócio.

É essa combinação de estratégia, teses e matrizes que nos permite separar uma tendência interessante de uma inovação capaz de gerar receita, eficiência ou encantar o cliente.

HN: A Aviva reúne resorts, parques, entretenimento e diferentes modelos de negócio, o que gera uma quantidade significativa de dados sobre comportamento e consumo. Quanto a companhia já consegue transformar esses dados em inteligência para decisões de produto, precificação, marketing e experiência? E onde ainda existem oportunidades a serem exploradas?

EA: Os dados são a base de tudo. São eles que alimentam as nossas matrizes de priorização e de critérios. Sem informação, não há decisão consistente. Por isso, na Aviva, levamos a análise de viabilidade muito a sério, avaliando cada projeto sob múltiplas perspectivas, como cliente, processos, produtividade e visão financeira. E, quando a informação não existe, nós a construímos, pois um projeto só deve começar quando temos clareza do resultado que queremos alcançar.

Olhando para o setor de turismo, enxergamos que a maior oportunidade está na personalização da oferta em grande escala, trabalhando o dado individual do cliente para oferecer produtos específicos com base no seu perfil e no seu consumo.

E aqui já saímos do discurso para a prática, pois, na Aviva, já temos MVPs de sucesso que oferecem produtos aos nossos clientes a partir do perfil individual, seja por meio de pushes de consumo, seja para direcionar os clientes aos locais e experiências que fazem sentido dentro da jornada deles nos nossos destinos. É a inteligência de dados gerando produto, experiência e receita ao mesmo tempo.

O caminho a explorar é justamente ampliar essa escala. Quanto mais integramos e refinamos esses dados, mais conseguimos antecipar desejos e personalizar cada momento da estadia.

HN: Você tem defendido a inovação como instrumento de competitividade e participa de iniciativas de inovação aberta no turismo. Olhando para os próximos anos, quais são hoje os principais gargalos que impedem hotéis e resorts brasileiros de inovar mais rápido: tecnologia, cultura organizacional, integração de dados, capacidade de investimento ou dificuldade de transformar projetos-piloto em soluções escaláveis?

EA: Para nós, a inovação aberta é parte fundamental da estratégia. Quando uma organização quer crescer de verdade, é essencial trazer conhecimento externo para resolver problemas complexos, unindo a inteligência interna à de parceiros para enfrentar os grandes desafios que temos hoje.

O turismo brasileiro vem evoluindo no entendimento sobre o que é inovação. O principal gargalo não é tecnologia nem capital, mas sim a recorrência. Inovação não pode ser algo pontual. Ela precisa ser perene para que a empresa aprenda, erre em escala controlada, corrija e gere resultado de forma consistente. Só assim ela deixa de ser um projeto isolado e passa a ser incorporada à cultura.

Na Aviva, esse tema é trabalhado há mais de 17 anos, quando ainda nem se chamava inovação, como a área é conhecida hoje. Esse pioneirismo é o que buscamos manter e ele se traduz em resultados concretos. Já ultrapassamos R$ 100 milhões de Ebit gerados em projetos de inovação, dobramos os índices de satisfação do cliente e melhoramos a vida e os processos das nossas pessoas associadas. Transformar o piloto em cultura é o verdadeiro diferencial competitivo.

Um exemplo dessa capacidade de transformar inovação em negócio é o nosso Clube de Férias, baseado no modelo de timeshare. O que começou como uma nova forma de pensar a relação das famílias com as férias ganhou escala e hoje reúne mais de 33 mil famílias associadas, tornando a Aviva o maior player de timeshare da América Latina, com mais de R$ 8 bilhões em vendas acumuladas. É um bom retrato do que entendemos por inovação. Não basta testar uma ideia; é preciso incorporá-la à estratégia, fazê-la evoluir ao longo do tempo e criar condições para que gere valor de forma recorrente.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Aviva

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