Com mais de 25 anos de experiência na indústria da hospitalidade, Lara Teixeira acompanha de perto as transformações que vêm redefinindo os projetos hoteleiros. Arquiteta e urbanista, com especialização em Environmental Design pela UC Berkeley e MBA pelo Insper, a executiva lidera atualmente o time de Design & Technical Services da Accor Américas, apoiando, desde 2023, o desenvolvimento de empreendimentos em diferentes modelos de contrato e frentes estratégicas.
Para Lara, o papel do design deve ser mais levado em consideração na percepção de valor dos hotéis. Ela também abordou os desafios de equilibrar identidade de marca e características locais nos projetos da rede francesa, além das principais tendências de arquitetura e interiores que devem ganhar força na hotelaria nos próximos anos.
Três perguntas para: Lara Teixeira
Hotelier News: Como o design tem influenciado a percepção de valor e a experiência do hóspede na hotelaria atual? Qual a visão da Accor a respeito do tema?
Lara Teixeira: O design tem assumido um papel cada vez mais estratégico na hotelaria, indo além da estética para se tornar um elemento fundamental da experiência do hóspede. Hoje, os viajantes buscam hotéis que entreguem personalidade, conexão e experiências memoráveis, e o design é uma das principais ferramentas para traduzir isso de forma tangível.
Na visão da Accor, o design deve contribuir para criar ambientes acolhedores, funcionais e alinhados às expectativas dos diferentes perfis de clientes, sempre considerando conforto, bem-estar e autenticidade. Mais do que acompanhar tendências, buscamos desenvolver projetos que contem histórias, valorizem a identidade de cada marca e proporcionem experiências relevantes em todos os momentos da jornada do hóspede. Além disso, a sustentabilidade tem um papel cada vez mais central nesse processo.
Sendo assim, pensar o design também significa desenvolver espaços mais eficientes, responsáveis e duradouros, com escolhas que considerem desde o uso consciente de recursos e materiais até soluções que promovam bem-estar e reduzam impactos ambientais. O objetivo é unir estética, funcionalidade e propósito, criando hotéis que sejam relevantes tanto para os hóspedes quanto para as comunidades e destinos onde estão inseridos.
HN: De que forma é possível balancear identidade de marca, funcionalidade operacional e características locais em novos projetos? Como equilibrar esses elementos entre as diferentes propostas da rede francesa?
LT: Esse equilíbrio acontece a partir de um olhar muito estratégico para cada projeto. Na Accor, trabalhamos para garantir que cada hotel preserve os pilares e a identidade da marca à qual pertence, mas, ao mesmo tempo, tenha conexão genuína com o destino onde está inserido.
A funcionalidade operacional também é um ponto essencial nesse processo. Um bom projeto precisa ser eficiente para a operação e intuitivo para o hóspede, conciliando estética, fluxo, conforto e praticidade. Por isso, arquitetura e interiores são pensados de forma integrada às necessidades operacionais do hotel e à experiência que queremos proporcionar. Ao mesmo tempo, buscamos incorporar referências culturais, materiais, gastronomia, arte e elementos locais que tragam autenticidade aos empreendimentos.
Isso faz com que cada hotel tenha personalidade própria, mesmo dentro de marcas globais com diretrizes bem definidas. O grande desafio está justamente em adaptar diferentes propostas de marcas e categorias aos contextos locais, mantendo consistência, mas evitando projetos padronizados e sem identidade.
HN: Na sua visão como especialista no assunto, quais tendências de arquitetura e interiores devem ganhar mais força nos empreendimentos hoteleiros nos próximos anos?
LT: Na minha visão, as tendências que devem moldar a arquitetura e os interiores hoteleiros nos próximos anos estarão cada vez mais ligadas à sustentabilidade, desde a concepção dos empreendimentos até a operação dos hotéis, com soluções mais eficientes, responsáveis e alinhadas ao uso consciente de recursos.
Também veremos um avanço do design voltado ao bem-estar do hóspede, promovendo experiências mais acolhedoras e conectadas a um estilo de vida saudável. Outra tendência importante é a criação de projetos cada vez mais integrados à região onde estão inseridos, aproximando o hóspede do destino por meio da cultura local, da arte, dos materiais e de referências da comunidade. Além disso, espaços híbridos e versáteis devem ganhar ainda mais relevância, acompanhando as novas dinâmicas de trabalho, lazer e convivência.
Por fim, a tecnologia tende a deixar de ocupar um papel ostensivo para se tornar cada vez mais intuitiva e integrada à jornada do hóspede, contribuindo para experiências mais fluidas, personalizadas e eficientes.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Accor










