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Três perguntas para: Nelson de Souza

Por Vinicius Medeiros 7 de outubro de 2020

No auge da crise pandêmica, lá para abril, o cenário econômico do país tinha apenas nuvens negras no horizonte. Na hotelaria e no turismo em geral, a receita das empresas beirou o zero. Passado o pior, à indústria de viagens – puxada pelo lazer – dá sinais de reação, mas notícias recentes mostram que a situação está longe do confortável. O que se houve no mercado é que, embora haja uma enxurrada de liquidez no mercado, o crédito não está chegando na ponta. Para falar sobre a situação econômica, acesso a crédito e perspectivas para o turismo, o Hotelier News entrevista hoje (7) Nelson de Souza.

Presidente da DesenvolveSP, agência de fomento do governo de São Paulo, Souza já ocupou cargos importantes no sistema financeiro. Foi presidente da Caixa e do Banco do Nordeste, por exemplo. Hoje, integra o Comitê Econômico do Estado de São Paulo e o Conselho Deliberativo do Sebrae-SP.

“O Estado deve ter uma rede de proteção social às pessoas socialmente vulneráveis e provendo os auxílios necessários. Além de prover a estrutura de saúde e assistência aos mais vulneráveis, o investimento público é fundamental para a manutenção das empresas, principalmente das micro, pequenas e médias, e é essencial para a retomada de vários setores”, comenta Souza. Leia a entrevista completa abaixo.

Três perguntas para: Nelson de Souza

Hotelier News: Na sua visão, e diante dos efeitos da pandemia na economia, qual o papel do Estado na retomada da atividade econômica?

Nelson de Souza: O Estado tem um papel fundamental na liderança de um planejamento que considere os efeitos decorrentes da pandemia vis a vis da economia. Sabemos que nas pandemias, enquanto a curva de contágio crescia, a curva da economia caía abruptamente. No campo da saúde, é imprescindível haver uma estrutura do Estado que possa efetivamente atender às demandas. É imprescindível também a atuação para redução dos impactos econômicos decorrentes da pandemia. O Estado deve se preocupar em ter uma rede de proteção social às pessoas socialmente vulneráveis provendo-as dos auxílios necessários. Pelo DesenvolveSP, lançamos imediatamente, ainda em março, linhas de crédito para atender à necessidade de capital de giro dos empreendedores devido à falta de liquidez das empresas.

HN: Em São Paulo (capital), boa parte dos empreendimentos hoteleiros são condo-hotéis. O que ouvimos no mercado é que essa figura jurídica tem limitado acesso a financiamentos até em função da sua composição societária (condomínio). Dentro das linhas disponíveis, o DesenvolveSP tem algum produto que possa atender a esses projetos imobiliários?

NS: Se a empresa tiver atividade enquadrada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs) atendidos, pode realizar a solicitação de capital de giro e financiamento de projetos pelo site do DesenvolveSP. Dentro desta classificação, qualquer empresa com Certificação Digital E-CNPJ e cadastro ativo no Cadastur pode solicitar crédito pelo site do DesenvolveSP, de forma simples e desburocratizada.

HN: Quais suas projeções para a economia até o final do ano e 2021 diante da política de juros atual? Como impactará as condições de crédito no mercado imobiliário e na hotelaria?

NS: Estamos vendo uma recuperação gradual ainda neste ano, mas tivemos uma grande queda de arrecadação por conta da redução da atividade econômica, o que impactou diretamente os resultados do PIB (Produto Interno Bruto) para 2020. As expectativas para 2021 são positivas, e acredito que a recuperação será acelerada com a chegada da vacina. Em relação às taxas de juros, temos hoje a menor taxa básica da história do país, em 2%, e acredito que deve se manter baixa nos próximos anos. Com juros mais baixos e acesso ao crédito facilitado, empresas de todos os setores podem ter novas perspectivas e planejar investimentos em projetos que contribuem com o seu desenvolvimento e com a geração de renda. Especificamente na área do turismo, acreditamos que a poupança reservada para viagens que não foi gasta durante este ano por conta da crise sanitária será utilizada nos anos seguintes. Em São Paulo, o setor deve desempenhar um papel fundamental para a retomada econômica: de acordo com pesquisa realizada no último mês pela Secretaria Estadual de Turismo, em parceria com a Universidade de São Paulo, as atividades turísticas devem movimentar até R$ 13,1 bilhões e ser responsável pela recuperação de 138 mil postos de emprego até novembro de 2021.

(*) Crédito da foto: Divulgação/DesenvolveSP