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Três perguntas para: Robert Shevlin

Co-idealizador do Uxua Casa Hotel & Spa, em Trancoso (BA), Robert Shevlin compartilha sua visão sobre hotelaria sustentável no Brasil.

Apesar da estreita relação com o Brasil, Robert Shevlin nasceu em Columbus, Ohio, nos EUA, em 1968. Um entre nove filhos, frequentou a Ohio State University, formando-se em escrita criativa . Entre muitos projetos que desenhou, chegou ao Brasil em 2006, junto com Wilbert Das, designer holandês.

Neste mesmo ano, tornou-se co-idealizador do Uxua Casa Hotel & Spa, em Trancoso (BA). Com o empreendimento, decidiu, junto ao sócio, torna-se referência em hospitalidade, defesa dos direitos humanos e conservação de patrimônio histórico e ambiental.

Fora do setor hoteleiro, ‘Bob’, como é comumente chamado, também atua ativamente em iniciativas que visam a preservação natural do país. Dentro disso, é membro do Conselho Deliberativo da Conservação Internacional Brasil, além de cofundador do Festival Orgânico de Trancoso e presidente da OTT (Organização de Turismo de Trancoso).

Em participação no Três perguntas para do Hotelier News, Shevlin compartilhou sua visão sobre turismo e hotelaria sustentável. Além disso, comentou sobre a administração do Uxua Casa Hotel & Spa e deu dicas como outros empreendimentos podem se alinhar mais ao conceito.

Três perguntas para: Robert Shevlin

Hotelier News: Na sua opinião, o turismo/hotelaria sustentável evoluiu no Brasil desde a abertura do Uxua? Como você avalia o cenário futuro e qual o papel do resort neste cenário?

Robert Shevlin: O projeto Uxua Maré desempenha um papel muito positivo para a indústria do turismo, pois mostra liderança, e não apenas a repetição de tendências — o que infelizmente é algo que o mercado global de viagens às vezes associa ao Brasil. Ter a inovação arquitetônica e estética reconhecida por algumas das principais revistas de design do mundo é maravilhoso para o Maré e sabemos que isso pode ter grande impacto entre viajantes influentes.

Ao mesmo tempo, quando os aspectos de sustentabilidade do projeto são analisados por especialistas, eles reconhecem que se trata de algo realmente novo. É provavelmente a máxima expressão de design sustentável — transportar casas antigas de locais onde ninguém quer estar para onde todos querem ir, dando-lhes uma segunda vida tão significativa quanto a primeira, criando oportunidades para férias dos sonhos e também excelentes empregos em um ambiente onde a conservação da natureza é levada a sério.

HN: Falando em luxo, quais são suas dicas para hotéis que querem se alinhar mais ao conceito de sustentabilidade? Quais são os caminhos possíveis?

RS: O maior desafio que vejo para a hotelaria no Brasil é que não basta nos preocuparmos apenas com a sustentabilidade das nossas propriedades. Precisamos acompanhar a tendência global de assumir o desafio mais complexo da gestão dos destinos — unindo forças para ajudar o setor público a seguir os melhores princípios de urbanização verde, à medida que nossos destinos turísticos atraem novos investimentos e oportunidades de crescimento.

Não é realista esperar que todos os investidores ou empreendedores sigam as melhores práticas globais de sustentabilidade — alguns ainda não confiam que isso traga bom retorno financeiro. Por isso, nosso setor deve atuar para garantir que os gestores públicos usem sua autoridade para exigir que o desenvolvimento turístico siga uma visão sustentável de longo prazo, beneficiando tanto os viajantes, quanto as comunidades locais, e garantindo que os destinos brasileiros não sejam sufocados pelo próprio sucesso.

HN: De forma geral, qual a maior dificuldade em administrar um hotel de luxo com pegada sustentável? Há, por exemplo, um cenário de expansão mais consciente? Como isso pode ser feito?

RS: Na verdade, administrar nosso negócio de forma sustentável nunca foi um grande desafio, porque tanto nossos clientes, quanto nossa equipe compraram completamente a ideia. Eles adoram fazer parte desse esforço de aplicar criatividade ao turismo sustentável. Sentimos um verdadeiro orgulho sempre que conseguimos algum novo avanço em prol da sustentabilidade — como quando começamos a cultivar mais produtos orgânicos na Roça Uxua, ou quando instalamos uma fazenda solar para abastecer o hotel ou lançamos projetos como o Festival Orgânico e o Uxua Maré. Toda a equipe fica realmente motivada a trabalhar dessa forma.

Trabalhar com uma abordagem muito ecológica pode, às vezes, envolver um pouco mais de investimento, mas se o retorno for medido considerando também a satisfação dos clientes e a motivação e orgulho dos funcionários, é um excelente negócio.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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