Para a alegria da hotelaria carioca, a economia da Cidade Maravilhosa cresceu mais do que o próprio estado e a federação no segundo trimestre, revela o jornal O Globo. Impulsionada pelos setores de serviços e eventos, principalmente em função da recuperação do turismo de lazer, a capital fluminense registrou avanço de 1,6% nas atividades econômicas, acima dos acréscimos de 0,5% do estado e 1,2% do país. Os dados são da SMDEIS (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação) da prefeitura do Rio de Janeiro.
Assim como no último resultado do PIB brasileiro, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica) na semana passada, o segredo para o sucesso está na forte participação dos serviços na economia. O diferencial da capital fluminense, no entanto, está no fato de que o setor se beneficia da vocação do município para o turismo e eventos de grande porte, como o Rock in Rio.
“Compondo 87% da nossa economia, a retomada forte dos serviços tem um resultado imenso no nosso descolamento (em crescimento) dos demais entes da federação, do estado e nacional”, avalia Thiago Dias, secretário do SMDEIS da prefeitura do Rio de Janeiro.
O resultado, no entanto, se limita ao lazer, visto que o segmento corporativo se encontra um pouco atrasado. “Mesmo com esse resultado, pudemos perceber uma enorme quantidade de eventos represados. Perdemos muitas empresas durante a pandemia, por conta disso o turismo corporativo está voltando mais lentamente”, explica Alfredo Lopes, presidente da HotéisRIO e do conselho da ABIH-RJ.
Rock in Rio
O setor de serviços tirou proveito da recuperação do turismo de lazer, em especial do retorno dos eventos presenciais. O principal exemplo é o Rock in Rio, que teve início no último final de semana e se encerrará no próximo. O evento, que contou com altas expectativas da hotelaria carioca, deve contribuir ainda mais com o crescimento econômico da cidade.
“A expectativa é que o Rock in Rio movimente cerca de R$ 1,7 bilhão na economia carioca com 500 mil pessoas de fora da cidade. Hoje estima-se que ele gere aproximadamente 30 mil empregos diretos e indiretos”, alega Dias. “Esse tipo de evento é uma injeção de fôlego na máquina que está retomando agora e mostra um movimento de crescimento muito sólido”, acrescenta o secretário.
Para Karina Góes, gerente de Operações do LSH by Own, a hotelaria carioca só tem a agradecer pelo Rio de Janeiro sediar um evento de tamanha magnitude. “O impacto é gigantesco na economia, principalmente na área de turismo e lazer, hotéis batendo suas maiores ocupações, restaurantes lotados, serviços de turismo em pleno vapor, todos trabalhando com muito entusiasmo e maestria”, conta.
“Registramos índices recordes neste primeiro final de semana de shows, com ocupação a 100% acompanhados das nossas melhores diárias médias. O momento agora é de colocar a casa em ordem e nos preparar para o segundo final de semana do evento que vem de encontro com a grande repercussão do primeiro final de semana, casa cheia!”, comemora Karina.
Recuperação gradual, mas acelerada
Como um destino internacional, a recuperação da cidade do Rio de Janeiro foi mais lenta, segundo dados divulgados pela OTA Insight durante o Hotel Trends: Budget 2023. Embora tenha sofrido com a falta de demanda estrangeira durante a pandemia, a capital fluminense está em constante e acelerada evolução desde o final de 2021.
Em virtude do Carnaval postergado e do cenário econômico, Lopes destaca que a partir de janeiro, a ocupação média dos hotéis passou de 90%, composta quase que completamente pelo mercado nacional. “A partir de abril, mantivemos ocupações acima de 75% durante quintas, sextas e finais de semana. Todavia, a hotelaria carioca ainda sofre com a falta do público corporativo e internacional”, acrescenta.
Ainda segundo Lopes, o público internacional deve retornar a partir do Réveillon, em função da mobilização das companhias aéreas para o verão, quando o Rio de Janeiro é um grande atrativo para o exterior. “Quanto ao público corporativo, não basta a gente querer, precisamos da recuperação da economia como um todo, incluindo a recuperação e criação de empresas”, complementa.
De acordo com a previsão da OTA Insight para o resto de 2022, a cidade deve contar com picos de demanda durante todo o ano, sendo o Rock in Rio um dos principais. A expectativa, segundo a empresa de soluções em revenue management, é de que o Rio de Janeiro apresente aumento de 14% na média para os próximos 120 dias quando comparado com 90 dias atrás.
“Conseguimos atravessar com tranquilidade os períodos de mais baixa ocupação do ano e contamos com um calendário de grandes eventos até o final de 2022”, relata Lopes. “Isto com certeza refletirá em ótimos resultados, não só para a hotelaria, mas para toda a economia da cidade e do estado do Rio de Janeiro”, pontua.
“Só esperamos grandes ocupações para o segundo semestre, cidade com grandes eventos, movimento na certa para cadeira hoteleira”, complementa Karina.
Quanto ao estado do Rio de Janeiro, sua trajetória de recuperação segue firme em função da indústria e do setor de serviços, impulsionados pelos resultados da cadeira de petróleo. Segundo o índice calculado pelo BC (Banco Central) a alta na atividade foi de 0,5% no segundo trimestre.
“Prospectivamente, a economia fluminense deve permanecer em recuperação. O comércio e o setor de serviços ainda se situam abaixo do nível pré-pandemia e devem ser favorecidos pelas políticas de apoio à renda”, aponta o BC.
(*) Crédito da foto: Hermes de Paula/Globo















