As viagens de incentivo continuam entre as estratégias mais eficazes para reconhecer e engajar colaboradores, mas as expectativas da Geração Z vêm exigindo mudanças na forma como esses programas são estruturados. Em vez de modelos padronizados e roteiros coletivos, os profissionais mais jovens valorizam flexibilidade, autonomia e experiências personalizadas, levando empresas e organizadores a repensarem suas iniciativas.
Essa transformação é acompanhada pela Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas), que observa uma mudança na relação dos profissionais nascidos entre 1997 e 2012 com esse tipo de reconhecimento. Embora o interesse pelas viagens de incentivo permaneça elevado, cresce a demanda por formatos que ofereçam maior liberdade de escolha e estejam alinhados aos diferentes estilos de vida.
O tema ganhou força após a divulgação de um estudo realizado pela SITE (Society for Incentive Travel Excellence) em parceria com a Maritz, com apoio da Hilton e da SITE Foundation. O levantamento ouviu 1 mil profissionais que tiveram oportunidade real de conquistar uma viagem de incentivo nos últimos três anos e analisou como diferentes gerações percebem esse tipo de reconhecimento.
Os dados mostram que as viagens seguem entre as recompensas mais desejadas por trabalhadores de todas as faixas etárias. No caso da Geração Z, que tem sido responsável por diversas mudanças no turismo global, surgem diferenças significativas em relação às gerações anteriores. Segundo a pesquisa, os profissionais mais jovens demonstram menor interesse por viagens em grupo e maior preferência por experiências que permitam personalização, autonomia e liberdade para definir destinos e atividades.
Para Luciana Dantas, vice-presidente da Alagev, o desafio não está na atratividade das viagens de incentivo, mas na adaptação dos programas às novas expectativas do mercado de trabalho.
“A pesquisa prova que a viagem continua sendo uma das recompensas mais valorizadas pela Geração Z. O que muda é a forma como essa experiência deve ser construída. Os profissionais mais jovens buscam maior flexibilidade e personalização, querem ter a opção de escolher os destinos e as experiências”, afirma.
Viagens individuais ganham espaço entre os mais jovens
O levantamento aponta que as viagens individuais despontam como o formato mais atrativo para a Geração Z. Os dados indicam que a maneira como os programas são planejados exerce influência direta sobre o nível de engajamento desse público.
Entre os fatores mais valorizados estão a autonomia para definir a experiência, a possibilidade de personalização e a adaptação das viagens às necessidades de cada profissional. Esses aspectos ganham peso crescente na percepção de valor da recompensa.
A pesquisa também evidencia que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional influencia a decisão de participar desse tipo de iniciativa. Para muitos integrantes da Geração Z, a viagem de incentivo não é avaliada apenas como um prêmio pelo desempenho alcançado, mas também pelo impacto que terá na rotina, nos compromissos familiares e no tempo disponível fora do ambiente de trabalho.
Outro ponto destacado pelo levantamento é que programas excessivamente rígidos tendem a gerar menor adesão entre esse público. Em contrapartida, modelos que oferecem maior liberdade de escolha, permitem a participação de acompanhantes e respeitam diferentes perfis e estilos de vida têm maior potencial para ampliar o interesse e a percepção de valor da experiência.
Na avaliação de Luciana, esse movimento acompanha transformações mais amplas nas relações de trabalho e nas expectativas das novas gerações. “A Geração Z cresceu em um contexto diferente das gerações anteriores e leva essa visão para o ambiente corporativo. Existe uma expectativa maior por autonomia e por experiências que respeitem a individualidade de cada profissional. As viagens de incentivo continuam sendo um instrumento relevante de reconhecimento, mas os programas precisam evoluir para refletir essas mudanças de comportamento”, conclui.
(*) Crédito da foto: Divulgação













