Nos últimos 10 anos, o PIB brasileiro cresceu, em média, 1,5% ao ano. A taxa de investimento do país segue em torno de 17% do PIB — uma das mais baixas entre as grandes economias emergentes. E o Brasil fechou 2025 com mais de 81 milhões de pessoas inadimplentes. Por qualquer critério convencional, não deveria haver espaço para crescer. Ainda assim, a hotelaria brasileira está no seu pico histórico de receita em valores reais. Em 2027, de novo, a economia não deveria ser motivo suficiente para orçamentos conservadores.
Apesar da economia modesta e do aéreo caro, a hotelaria segue em crescimento
A demanda por viagem, no Brasil, desacoplou, em parte, da economia. Os hotéis upper-midscale e upscale seguem crescendo dois dígitos em diária, e os resorts regionais avançam acima da média do setor. O aéreo também evoluiu: a oferta doméstica de assentos cresceu de forma consistente nos últimos dois anos e deve fechar 2026 14% acima do patamar de 2019, puxada tanto pela demanda doméstica quanto pela internacional — com destaque para o crescimento de viajantes argentinos. As tarifas seguem elevadas, sim, mas isso não travou 2026: os picos de preço foram pontuais, concentrados em poucos meses e ligados à alta do petróleo, não uma restrição estrutural ao longo do ano. Quem usa “o aéreo está caro” como justificativa para um orçamento conservador está tratando a exceção como regra, em média as tarifas seguem no mesmo patamar há mais de 1 ano.
Quais variáveis macro merecem mais atenção em 2027?
Ao menos quatro variáveis merecem espaço na sua planilha. O câmbio deve seguir desvalorizado, o que tende a segurar parte da demanda doméstica em solo nacional. A oferta e a demanda aérea seguem em trajetória de crescimento, apesar dos preços altos — planeje para mais capacidade, não menos. O endividamento de pequenas e médias empresas é o sinal de alerta real, especialmente em cidades secundárias e terciárias de economia menos desenvolvida. E há dois custos novos e concretos que já não são hipótese: a mudança para a escala 5×2 e a reforma tributária. Nenhum dos dois é motivo para não crescer — mas os dois precisam estar explícitos na planilha, não escondidos em “custos diversos”.
As oportunidades de crescimento estão em gestão. Aqui você tem ingerência
Isso não é novidade — o estudo do ano passado já apontava na mesma direção, e a edição atual só confirma com mais dados. As mensagens se repetem porque o problema também se repete: parte do setor ainda não atacou o que está sob seu próprio controle.
- Experiência do hóspede e NPS. Hotéis com nota alta de NPS têm chance muito maior de crescer mais de 15% em RevPAR do que os de nota baixa. Experiência não é discurso, é resultado.
- Asset manager atuante gera valor. Entre os hotéis que têm essa função de verdade na mesa, a chance de crescer mais em RevPAR é 1,4 vez maior do que entre os que não têm.
- Revenue management e marketing com mais assertividade. Ainda os pontos mais frágeis apontados pelos próprios gestores, tanto em hotéis quanto em resorts.
- Receitas incrementais. Novas fontes de receita — além de diária e ocupação — aparecem entre os hotéis que mais crescem.
- Mais eficiência operacional. Especialmente em resorts, onde melhorias de processos e adequação de equipe são mais prementes.
O retrato de quem vai bem confirma o padrão: entre os hotéis com GOP acima de 40%, a maioria está em capitais, tem marca nacional ou internacional e NPS acima do setor. Não é sorte — é escolha de gestão, repetida com consistência.
O que é novo na edição deste ano?
Destacarei quatro sinais não apareciam com essa força na edição anterior:
- Hotéis urbanos com estrutura de lazer adequada crescem mais em receita. Lazer deixou de ser exclusividade de resort.
- Analytics e IA como frente de melhoria operacional seguem muito aquém do desejado, apesar dos ganhos de produtividade disponíveis.
- Oferta e demanda de voos devem crescer pelo menos 5% em 2027, sustentando a expansão do turismo doméstico.
- O volume de hotéis em reforma aumentou: 63% da amostra do estudo tem plano de reinvestimento, com valores médios acima de R$ 60 mil por unidade habitacional entre 2026 e 2027. Para alguns hotéis, reforma virou eixo de crescimento, não manutenção.
O que isso muda no seu orçamento
Orçar 2027 esperando a economia decidir por você é repetir o erro de sempre e o estudo já mostrou que essa aposta não paga. O orçamento que funciona começa perguntando onde, dentro do próprio hotel, ainda há decisão de gestão para tomar: NPS, asset management, reforma, revenue management, novas receitas. Nenhuma dessas alavancas depende do PIB — e todas custam menos do que os pontos de GOP que a reforma tributária e a escala 5×2 já vão cobrar.
A economia não vai fazer esse trabalho por nós. A gestão, sim.
Para mais análises, acesse a edição pública do estudo Orçamentos Hoteleiros 2027
Conheça as soluções Noctua em hospitalidade e entretenimento
A Noctua Advisory é um ecossistema de estruturação de negócios e gestão estratégica em hospitalidade e entretenimento. Somos uma consultoria especializada em hotéis, resorts, parques, timeshare, multipropriedade e aluguel de temporada. Entre as nossas áreas de atuação, estão: estudos de mercado; conceituação de produtos; viabilidade econômico-finaceira; planos de negócio; asset management; gestão; revenue management; funding; e assessoria estratégica. Além de uma consultoria, somos um parceiro para implementar projetos que transformarão o futuro do turismo.
Siga-nos nas redes sociais e acesse o nosso site
Website: www.somosnoctua.com.br
LinkedIn: www.linkedin.com/company/somosnoctua
Instagram: www.instagram.com/somosnoctua/
—
Pedro Cypriano é especialista em investimentos e gestão estratégica, fundador e CEO da Noctua Advisory | Inteligência em hospitalidade e entretenimento. Ao longo dos últimos 20 anos, liderou centenas de projetos junto a consultorias globais, na Europa, no Oriente Médio, na África e na América Latina. Conselheiro de empresas de hospitalidade e entretenimento. É autor do livro Desenvolvimento Hoteleiro no Brasil, pela editora SENAC, e professor em cursos de pós-graduação e programas executivos no Brasil e no exterior.
(*) Crédito da foto: Divulgação














