O Grupo Preabeach Experience completa 13 anos de atuação na Praia do Preá (CE), com dois empreendimentos hoteleiros em operação e investimentos estimados em R$ 100 milhões, reforçando o foco da companhia em experiência e bem-estar. O valor considera os aportes realizados no Prea Beach Boutique Hotel & Spa e no Yemanjá Hotel by Preabeach Experience.
Em 2026, os dois hotéis registram ocupação superior a 80% nos períodos de maior demanda, segundo Cécile Delannoy, sócia-fundadora do Preabeach Experience. A diária média, por sua vez, registra crescimento entre 8% e 10% em relação ao ano anterior.
“Esses primeiros meses do ano foram muito bons, mesmo com a temporada baixa no período após o Carnaval até início de abril”, afirma Cécile, em entrevista à reportagem do Hotelier News. A operação também mantém participação relevante das vendas diretas. Mais de 60% das reservas do Preabeach Boutique, por exemplo, são realizadas diretamente com o hotel. O restante vem principalmente de OTAs e, em menor proporção, de agências de viagem.
Estratégia acompanha expansão do destino
A transformação do Preá também alterou a operação dos hotéis. Segundo Cécile, o destino deixou de estar associado exclusivamente ao kitesurf e passou a atrair diferentes perfis de viajantes.

Antes da pandemia, o grupo já tinha uma participação significativa de hóspedes internacionais. Com a pandemia e, posteriormente, a maior facilidade de acesso proporcionada pelo aeroporto de Jericoacoara, a composição da demanda mudou, e o público brasileiro passou a representar cerca de 85% dos hóspedes. “O acesso é realmente mais fácil, porque o aeroporto está a 15 minutos do Preá”, pontua Cécile. Ao mesmo tempo, a executiva observa uma retomada da procura internacional pelo destino.
Entre os brasileiros, o Sudeste é o principal mercado emissor, especialmente São Paulo, em razão da oferta de voos diretos. O grupo também recebe hóspedes do Nordeste, embora em menor volume. Entre os estrangeiros, França e Holanda estão entre os principais mercados.
Para a empresa, o crescimento do destino deve ocorrer de maneira gradual. O grupo participa de discussões com outros hoteleiros da região para avaliar iniciativas que possam contribuir para o desenvolvimento turístico e para a integração da comunidade.
Dois hotéis e diferentes perfis
O Prea Beach Boutique Hotel & Spa foi o primeiro empreendimento do grupo e conta com sete acomodações. Quatro têm dois quartos e sala ampla, voltadas principalmente para famílias, enquanto três possuem piscina privativa e são direcionadas a casais.
A estrutura inclui piscina de 25 metros, restaurante, escola de kitesurf e spa. O espaço de bem-estar também atende os hóspedes do Yemanjá. Localizado à beira-mar, o hotel concentra diferentes serviços em uma mesma operação.
Já o Yemanjá Hotel by Preabeach Experience possui 30 quartos de diferentes perfis, além de restaurante próprio com vista para o mar, piscina de 25 metros e academia. O empreendimento completa dois anos de operação em outubro.
Segundo Cécile, a estratégia de distribuição, com mais de 60% das reservas do Preabeach Boutique realizadas diretamente, está relacionada principalmente à relação estabelecida com os hóspedes, incluindo clientes recorrentes e indicações.
Mudança no perfil do Preá
A história do grupo começou antes da abertura do primeiro hotel. Cécile e o marido, ambos franceses, conheceram o Preá há cerca de 20 anos, quando viajaram para a região com os filhos. Na época, o destino tinha pouca infraestrutura turística.
“Gostamos dessa praia e vimos um potencial imenso para o negócio e decidimos investir no destino”, conta a sócia-fundadora. Segundo Cécile, a decisão não esteve relacionada apenas às características naturais da região. O estilo de vida e a cultura local também contribuíram para a escolha do destino. “Quando decidimos investir aqui, não foi apenas para construir um hotel. Nossa ideia era criar um lugar no qual as pessoas possam viver uma experiência, de fato”, pontua.
O crescimento do grupo ocorreu de forma gradual, com a criação das casas de luxo e, posteriormente, do segundo hotel. A executiva afirma que a estratégia é acompanhar a evolução do Preá sem acelerar a expansão de forma indiscriminada.
“O grupo é um pilar que ajudou a desenvolver o destino. O que é importante para a gente nessa mudança é crescer de forma cuidadosa. Ideias novas todo mundo tem”, explica. A executiva também observa mudanças no comportamento dos hóspedes, uma vez que a procura não está necessariamente relacionada a um aumento nos gastos, mas à busca por uma experiência mais integrada e por atendimento personalizado.
“O hóspede não está querendo simplesmente gastar mais, mas sim procurando uma experiência integrada, atendimento personalizado”, diz a proprietária. Na avaliação da sócia-fundadora, o perfil de quem escolhe o Preá também difere do visitante de destinos próximos, como Jericoacoara. A procura estaria mais relacionada à tranquilidade, à intimidade e à qualidade do serviço.
Novos projetos no radar
O grupo mantém planos de expansão no próprio Preá, mas sem previsão imediata para novos projetos. De acordo com Cécile, a estratégia continua concentrada na região próxima ao mar, acompanhando a proposta adotada desde a entrada da empresa no destino.
“Estamos estudando a expansão com cuidado. Nosso foco é a praia, a nossa proposta é ficar sempre perto do mar”, adianta. A empresa também observa a chegada de novos públicos ao destino, incluindo viajantes que até poucos anos atrás não conheciam a região. Para o grupo, a diversificação da demanda amplia o mercado potencial sem alterar a proposta de oferecer uma experiência associada à tranquilidade, ao atendimento personalizado e à proximidade com o mar.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Preabeach Experience















