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A hotelaria está preparada para a nova busca do Google?

O recado está cada vez mais claro: o Google não vai parar apenas no lançamento do UCP (Universal Commerce Protocol) para o setor de hospedagem. Durante o Google I/O 2026, conferência anual da gigante de tecnologia para desenvolvedores realizada esta semana, os anúncios feitos pela gigante do Vale do Silício mostram que a ideia não é mesmo competir com OTAs (Online Travel Agencies), mas ter o controle total da jornada do viajante.

Na conferência, segundo reportagem do Phocuswire, o Google apresentou uma visão cada vez mais conectada entre busca, IA generativa, assistentes virtuais e execução de tarefas. E, de fato, essa é uma transformação gigante na trajetória da empresa. Em vez de apenas organizar informações ou ranquear links, como fez ao longo de toda sua trajetória, o metasearch mais usado no mundo indicou que seu maior desejo é atuar como uma camada operacional da experiência digital.

Para a indústria de viagens, e em especial para a hotelaria, a mudança pode parecer sutil à primeira vista, mas carrega impactos profundos. Por que? Porque em vez de apenas indicar opções de hotéis, voos ou atrações como no passado, a IA passará a interpretar contextos, comparar alternativas, sugerir decisões e, muito brevemente, concluir a compra em nome do usuário.

É justamente nesse cenário que o UCP for Lodging ganha importância. O protocolo funciona como uma infraestrutura para alimentar agentes de IA com dados estruturados sobre hotéis, tarifas, disponibilidade, amenities e políticas comerciais. Quanto mais organizadas forem essas informações, maior será a capacidade de entendimento dos “robôzinhos” do Google e a execução da tarefa.

Como citado em reportagem do Hotelier News (relembre aqui), isso significa que hotéis e plataformas deixam de disputar apenas posições em mecanismos de busca  e passam a competir também pela capacidade de “conversar” com modelos de IA. Esse movimento abre espaço para um novo paradigma de SEO, no qual as palavras-chaves, páginas ranqueadas e geração de cliques dão lugar ao contexto, experiências conversacionais, respostas prontas e recomendações automatizadas.

Impacto 

Para a hotelaria, isso abre outra frente de debate interessante: quem é o “dono do cliente”? Até este momento, a batalha se concentra entre OTAs e canais proprietários, mas a IA traz esse novo elemento que será decisivo: os agentes de IA. A provocação que começa a circular no mercado é clara: a IA ajudará hotéis a reduzir dependência de intermediários ou criará um ainda mais poderoso?

O debate é estratégico porque o Google ocupa uma posição privilegiada na jornada digital do consumidor. Diferentemente de OTAs e plataformas tradicionais, a companhia controla busca, mapas, navegação, sistema operacional, navegador, publicidade e, agora, a própria interface conversacional via Gemini.

Nesse contexto, o conceito de connected trip, apresentado durante o Google I/O, ajuda a entender o tamanho da ambição da empresa. A ideia é integrar inspiração, planejamento, decisão e execução em uma experiência contínua, reduzindo fricções e centralizando interações em um único ecossistema.

Para hotéis, redes e operadores, o avanço da IA tende a acelerar discussões sobre dados estruturados, distribuição, fidelização, conteúdo legível para os “robôzinhos” e estratégias de aquisição de demanda. Mais do que uma transformação tecnológica, o movimento sugere uma redefinição da própria lógica de descoberta e compra dentro da indústria de viagens.

Repetimos a pergunta: você já começou a olhar para isso?

(*) Crédito da foto: imagem gerada pelo ChatGPT

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