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Slaviero hospitalidade

Três perguntas para: Mike Silveira

Com mais de duas décadas de experiência na hotelaria, Mike Silveira acompanha de perto a transformação do Grupo Tauá em uma administradora hoteleira com atuação nacional. Após liderar empreendimentos como o Tauá Alexânia (GO) e acumular vivências em gestão, operação e relacionamento com investidores ao longo da carreira, o executivo assumiu como head de Desenvolvimento e Novos Negócios da rede mineira.

Pai de três meninas, pode-se dizer que Silveira compartilha a paixão pela hotelaria também dentro de casa, já que é casado com uma profissional da área. Com mais de 20 anos de experiência, é formado em Hotelaria e possui MBA em Administração de Empresas. No Grupo Tauá, chegou como gerente geral e, hoje, tem como principal desafio estruturar a nova vertical de negócios da companhia, voltada à expansão por meio da gestão de empreendimentos.

Em entrevista ao Três perguntas para, Silveira fala sobre os desafios de imprimir a cultura da marca em hotéis já consolidados e menciona critérios que orientam a expansão da rede. Além disso, também dá significado ao momento de crescimento do grupo, que está chegando ao Nordeste brasileiro.

Três perguntas para: Mike Silveira

Hotelier News: O Grupo Tauá passou anos construindo hotéis “de dentro para fora”. Agora, ao entrar em gestão, o desafio passa a ser imprimir alma em estruturas que já nasceram com outra identidade. Como fazer um hotel “virar Tauá” sem apagar sua história?

Mike Silveira: O Grupo Tauá construiu, ao longo da sua trajetória, uma cultura muito forte de hospitalidade, mas também uma plataforma robusta de gestão, que chamamos de Sistema de Gestão Tauá. É ele que nos permite transformar um ativo imobiliário em um hotel com alma e, ao mesmo tempo, rentável.

Quando desenvolvemos um projeto desde o início, existe naturalmente mais fluidez na implantação da cultura e dos processos. Mas também temos experiência em operações já consolidadas, como aconteceu no Grande Hotel Thermas de Araxá, que administramos há 15 anos.

Na época, assumimos um empreendimento com mais de seis décadas de história. O nosso desafio não foi apagar essa identidade, mas entender sua essência e reposicioná-lo com respeito ao legado construído ao longo do tempo.

Mais do que replicar um padrão, acreditamos em ler o cenário, compreender a vocação de cada ativo e construir a melhor estratégia para cada operação.

HN: O Grupo Tauá vive um momento em que expansão parece menos uma meta e mais uma mudança de escala. O que hoje significa “crescer” para a rede?

MS: Hoje, crescer para o Grupo Tauá significa ampliar relevância e consolidar uma plataforma nacional especializada em lazer e MICE. Mais do que aumentar o número de hotéis, estamos estruturando um ecossistema de hospitalidade capaz de gerar valor para investidores, destinos e hóspedes de forma sustentável e escalável.

Com a inauguração da primeira fase do Tauá João Pessoa, passaremos a administrar cerca de 2,3 mil apartamentos. Esse movimento reforça nossa mudança de escala e também impulsiona a criação da administradora hoteleira do grupo, que nasce para levar nosso know-how operacional, comercial e de marca para novos empreendimentos e parceiros estratégicos.

Temos presença consolidada no Sudeste e Centro-Oeste, estamos avançando para o Nordeste e enxergamos potencial importante de expansão também no Sul e no Norte do país. Mas esse crescimento acontece com disciplina estratégica, especialmente em projetos com vocação para lazer e eventos.

Além da operação, conseguimos entregar distribuição qualificada e recorrência de demanda. Hoje, o Grupo Tauá recebe mais de 1 milhão de hóspedes por ano, nossas campanhas alcançam cerca de 30 milhões de pessoas e geramos quase R$ 100 milhões em receita apenas na Black Friday.

Esse ecossistema comercial se fortalece ainda mais com o Mais Tauá, nosso clube de benefícios, que amplia relacionamento, recorrência e geração de receita para os empreendimentos parceiros.

No fim, crescer para nós significa construir relações de longo prazo, fortalecer nossa presença nacional e criar valor compartilhado para todos os envolvidos no negócio.

HN: Antes de decidir um novo destino, o que pesa mais nos estudos de viabilidade do Tauá: demanda reprimida, vocação turística ou potencial de transformação regional?

MS: Os três fatores são relevantes, mas não existe uma fórmula única. Cada empreendimento possui características próprias, uma dinâmica regional específica e um papel diferente dentro da estratégia de expansão do Grupo Tauá.

Historicamente, crescemos de forma estratégica, priorizando mercados com forte capacidade de indução de demanda de lazer e eventos, normalmente próximos a grandes centros emissores. Existe uma lógica importante relacionada à acessibilidade, tempo de deslocamento e potencial de geração recorrente de fluxo turístico e corporativo.

João Pessoa representa bem esse movimento. Além de ser um destino em crescimento no cenário nacional, o projeto atende a uma necessidade importante do Grupo Tauá de expandir sua presença no litoral e no Nordeste brasileiro.

Com a entrada do empreendimento no portfólio, deveremos alcançar faturamento próximo de R$ 1 bilhão. É um crescimento acima da média do mercado e que reforça uma trajetória consistente de expansão, com recordes sucessivos de faturamento, resultado e novos clientes utilizando nossos hotéis ano após ano.

Ao mesmo tempo, essa nova fase da companhia também nos leva a olhar para diversificação de portfólio, novas marcas, formatos de empreendimento e mercados complementares à nossa base atual de clientes.

Independentemente do destino, existe um princípio que permanece inegociável para o Grupo Tauá: atuar em projetos nos quais possamos gerar valor adicional e sustentável, criando uma relação positiva para investidores, parceiros, destinos e para a estratégia de longo prazo da companhia.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Grupo Tauá

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