Quando começaram as obras da Beira Mar Norte, na década de 1960, Florianópolis respondia a um problema urbano importante. A cidade ganhou mobilidade, novas áreas para expansão e uma das paisagens mais reconhecidas da capital.
Como ocorre em intervenções dessa dimensão, parte de seus efeitos só se tornou visível ao longo do tempo.
Nas décadas seguintes, o Centro passou a contemplar o mar muito mais do que utilizá-lo. A avenida aproximou visualmente a cidade da água, mas manteve entre elas uma extensa faixa destinada principalmente à circulação de veículos. O mar permaneceu presente na paisagem, embora pouco integrado à experiência cotidiana da região central.
Na área continental, outro processo começou anos depois.
A implantação da Beira Mar Continental reorganizou uma orla que permaneceu por muito tempo degradada e pouco incorporada à vida urbana. O Estreito ganhou áreas de convivência, ciclovias e espaços de lazer. Com a ocupação crescente da orla, o entorno também começou a se reorganizar.
Essa experiência ajuda a compreender o significado do Parque Urbano e Marina da Beira Mar Norte. Os projetos têm escalas, contextos e objetivos próprios, mas compartilham a capacidade de alterar a relação de uma região com sua frente marítima.

O empreendimento sinaliza uma mudança na forma como o Centro pretende utilizar um de seus principais ativos naturais.
As grandes intervenções anteriores concentraram esforços em mobilidade, aterramento e expansão urbana. O novo projeto acrescenta outra camada a essa trajetória ao criar condições para permanência, convivência e uso cotidiano da orla.
O parque e a marina introduzem novas possibilidades de uso para uma área até então marcada principalmente pela circulação.
Depois de décadas entre propostas, estudos, licenciamentos e diferentes administrações municipais, o início das obras representa um marco para Florianópolis. Projetos dessa dimensão exigem continuidade administrativa, investimento privado, capacidade técnica e construção institucional até que consigam deixar o papel.

Com a implantação iniciada, a discussão passa a se concentrar na forma como Florianópolis utilizará essa infraestrutura.
Durante o lançamento das obras, a expressão “economia do mar” apareceu diversas vezes nos discursos de autoridades, empresários e representantes de entidades. O conceito reúne atividades econômicas relacionadas direta ou indiretamente ao ambiente marítimo.
Florianópolis sempre conviveu com o mar. O desafio atual consiste em incorporá-lo de maneira mais estruturada à atividade econômica da região central.

A relevância do empreendimento envolve a marina, o investimento realizado e também o impacto potencial do parque urbano.
Espaços públicos qualificados modificam a maneira como moradores e visitantes utilizam uma cidade. Eles aumentam o tempo de permanência, favorecem novos hábitos e estimulam atividades no entorno. Gastronomia, comércio, esporte, cultura e lazer passam a integrar uma dinâmica antes concentrada principalmente na circulação.

Grandes espaços urbanos ganham importância turística quando se integram à vida cotidiana, fortalecem a identidade do destino e criam lugares onde moradores e visitantes desejam permanecer.
Para Florianópolis, essa pode ser uma das transformações mais relevantes do projeto. O mar sempre ocupou um lugar central na imagem da cidade. Agora, começa a participar de forma mais ativa de sua experiência urbana.
Uma obra dessa dimensão naturalmente desperta expectativas, mas seus resultados serão construídos ao longo do tempo.
A frequência do parque, a utilização da marina, a integração com o comércio, a realização de eventos e o surgimento de novas atividades serão indicadores mais relevantes do que projeções formuladas antes da conclusão do empreendimento.
O início da implantação marca uma construção física e pode iniciar uma mudança duradoura na relação de Florianópolis com sua frente marítima.
Ainda é cedo para saber em que medida todos os efeitos esperados serão alcançados. A direção da intervenção, porém, já revela uma alteração importante na trajetória urbana da cidade.
Depois de décadas utilizando grandes obras para expandir seu território, Florianópolis começa a investir em um projeto cuja matéria principal é a reconexão da cidade com o mar.
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Luciano Vieira atua há mais de 20 anos nos segmentos de hotelaria, revenue management, distribuição e estratégia comercial. É Gerente de Vendas e Marketing da Interclass Hotéis em Santa Catarina, Coordenador do Núcleo Setorial de Hotéis da ACIF e fundador do Luciano Vieira Analisa, plataforma dedicada à produção de análises sobre hotelaria, turismo, eventos e inteligência de mercado. Foi reconhecido com os prêmios Top de Marketing ADVB e Líderes LIDE em 2018 e 2019.
(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal















