Como os hotéis estão repensando seus ambientes para acompanhar novos estilos de vida
Já me sentei em sofás confortáveis de hotéis, com o laptop aberto e um cappuccino ao lado, observando ao redor um ambiente que não sei definir de imediato: seria um café, um coworking, uma biblioteca? Em muitos lobbies, vejo pessoas em reuniões virtuais, outras conversando entre taças de vinho e livros de design, e tantas mais concentradas em projetos próprios. Mas, na verdade, é tudo parte do lobby de um hotel; um espaço cada vez mais multifuncional.

Percebo que a lógica do “espaço dedicado” dá lugar à flexibilidade. Os hotéis tornaram-se organismos vivos, que se adaptam e transformam conforme as necessidades do momento.
Cada espaço pode acolher várias funções, sempre com o objetivo de proporcionar uma experiência completa para quem está hospedado ou apenas de passagem.
Do clássico ao versátil
Hoje, os lobbies deixaram de ser apenas áreas de entrada para se tornarem centros de convivência. Zonas de coworking, estações de café e áreas de descanso integram trabalho, lazer e vida social; o fenômeno do “bleisure” (business + leisure), em que a hospedagem vai além de um simples pernoite.
Estudos de tendências apontam que os hóspedes passam mais tempo nas áreas sociais do hotel do que nos próprios quartos. Isso exige atenção ao design: móveis pensados tanto para relaxar quanto para trabalhar, iluminação adaptável, acústica que favoreça o convívio, e ambientes convidativos, onde o tempo parece desacelerar.
A tecnologia como aliada invisível
Quartos inteligentes, acesso sem chave, check-in via aplicativo e controle do ambiente por comandos de voz são cada vez mais comuns. Essas facilidades tecnológicas fazem parte da nova hospitalidade — mas há uma busca pelo equilíbrio. Quero conveniência digital, mas sem renunciar ao calor humano. O ambiente tecnológico deve acolher, não afastar.
Ao olhar para tudo isso, vejo que o hotel tornou-se um “terceiro lugar”: entre a casa e o trabalho, entre o lazer e a produtividade. E reconheço o papel central do design em costurar esses mundos distintos, promovendo convivência e bem-estar.
No próximo capítulo dessa reflexão, vou mergulhar no universo do bem-estar holístico; explorando como o sono, o silêncio e os sentidos assumem protagonismo na hospitalidade regenerativa, onde a experiência de descanso ganha novos significados.
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Christophe Bonadona é diretor da ARTEO, Estúdio de Design Iconográfico com sede em São Paulo e fundada em 2012. Reconhecido por sua abordagem colaborativa com arquitetos, o estúdio desenvolve projetos iconográficos nos segmentos de hospitalidade, lifestyle e arquitetura comercial, traduzindo identidade em forma, narrativa e ambientação. Suas criações personalizadas — que incluem imagens e artes aplicadas em diversos suportes — atendem desde empreendimentos econômicos até hotéis de luxo, sempre com foco em autenticidade e expressão visual.
Com mais de 15 anos de experiência e uma visão empreendedora consolidada, Christophe lidera uma equipe multidisciplinar.
(*) Crédito das fotos: Divulgação














