A reestruturação da Accor, promovida em 2022, que estabeleceu a organização da gigante francesa nas divisões PM&E (Premium, Midscale & Economy) e LL (Luxury & Lifestyle), foi um dos pontos cruciais para a expansão do grupo em solo brasileiro. Em 2025, o Brasil foi responsável por 64% da receita de hospedagem da rede nas Américas e recebeu cerca de 1,1 mil novas UHs da divisão PM&E. Líder no mercado nacional, a empresa europeia pretende manter seu posicionamento no topo da cadeia hoteleira tupiniquim, onde conta com 334 empreendimentos em operação.
Em coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje (26), no Pullman Ibirapuera, na capital paulista, Thomas Dubaere, CEO da Accor para as Américas na divisão PM&E, que renovou seu contrato para seguir no comando da região pelos próximos dois anos, destacou os planos de manter a liderança da rede francesa no mercado brasileiro a partir do desenvolvimento de empreendimentos de diferentes marcas, do modelo de franquias e de conversões.
“Atingimos todos os objetivos de 2025, alinhados com as projeções de médio prazo, e estamos no caminho certo para alcançar nossas ambições. Agora, focaremos na construção do nosso business plan para os próximos cinco anos. Globalmente, superamos todos os desafios macroeconômicos e geopolíticos com disciplina de custos”, pontuou o executivo.
Presente no Brasil desde 1977, a Accor vem crescendo em dois dígitos em receita há cinco anos — apesar de o CEO não revelar números reais. No ano passado, a Accor abriu as portas de 23 hotéis (5,3 mil UHs) da divisão PM&E nas Américas, sendo 10 no mercado brasileiro e 13 nos demais mercados.
Na região das Américas, o RevPAR cresceu 11,7% no quarto trimestre de 2025, com forte contribuição do Brasil. O desempenho no país foi impulsionado por eventos e pela demanda tanto corporativa quanto de lazer. Entre os destaques esteve a realização da COP30, em novembro, em Belém, onde a Accor opera oito hotéis, fator que elevou a ocupação e a diária média no período. A região registrou um aumento de 7,4% no RevPAR de 2025 em comparação com 2024.
“Nossa meta é manter o foco absoluto na entrega dos objetivos do business plan 2023/2027. Vamos acelerar o NUG, ampliar nossas parcerias em loyalty e avançar no modelo de franquias. Temos muito potencial para seguir crescendo no Brasil”, completou Dubaere.

Desenvolvimento nas Américas
Ainda nas Américas, a Accor possui agora um total de 107.270 quartos e 569 hotéis sob 31 marcas, sendo 114 hotéis (32.709 quartos) da divisão LL, 455 hotéis (74.561 quartos) na divisão PM&E e um pipeline de 153 hotéis (21.969 quartos).
Ao longo do ano passado, a Accor assinou 36 novos contratos na divisão PM&E das Américas. A parceria com o Royal Holiday Group resultou na incorporação de 17 propriedades, sendo 11 resorts e hotéis urbanos localizados na Argentina, Estados Unidos, México e Porto Rico, que passarão a operar sob as marcas Swissôtel, Mercure, Mercure Living e ibis Styles. Outro marco significativo foi a assinatura do Nui João Pessoa Handwritten Collection, o primeiro hotel Handwritten Collection no Brasil.
A Accor também opera mais de 100 hotéis de luxo e lifestyle nas Américas, com planos de expandir essa presença nos próximos anos. Em 2025, a rede fez vários anúncios importantes, como o anúncio da reabertura do Sofitel Rio de Janeiro Ipanema no final de 2026, e a abertura do primeiro Tribe no Brasil.
Outra grande expectativa é para a abertura do Faena São Paulo, que está programado para ser inaugurado em 2029 como o primeiro projeto da marca no Brasil, com uma mistura de quartos de hotel, residências, um centro de artes culturais e restaurantes.
Um dos destaques da coletiva foi o anúncio da entrada do maior hotel da Accor no mundo. Com 2,8 mil UHs, o Treasure Island, em Las Vegas, leva a assinatura Handwritten Collection, após um processo de conversão e contrato no modelo de franquia.
“Não são todos os dias que anunciamos o maior hotel global da Accor. Isso nos deixa muito orgulhosos por todo o trabalho que foi feito e por toda a equipe”, comemorou Abel Castro, CDO (Chief Development Officer) da Accor para as Américas. “Em 2025, abrimos 23 hotéis nas Américas, quase um hotel a cada 15 dias, totalizando mais de 5 mil UHs e sete marcas diferentes”, continuou.
Segundo o executivo, 2025 foi um ano de forte expansão para a gigante francesa, com destaque para a quantidade de contratos assinados. “Assinamos mais contratos do que a concorrência. O mercado está crescendo e avançando mais do que nos anos anteriores”, analisou o CDO.
Para 2026, a expectativa é manter o ritmo de expansão pautado em conversões, uma vez que a taxa de juros no Brasil segue na casa dos 15%. Apesar dos desafios macroeconômicos e das eleições presidenciais, Castro enfatizou que hotéis são investimentos de longo prazo. “Acreditamos que será um ano melhor do que 2025. As cidades do agronegócio, que antes não estavam no mapa da Accor, hoje possuem hotéis abertos e performando bem. Outro aspecto que estamos explorando são empreendimentos de lazer, como o ibis Styles Maragogi, o primeiro da marca pé na areia”, acrescentou.
A Accor espera atingir a marca de 600 empreendimentos em pipeline com a força de novas marcas, como a Handwritten Collection e a Tribe. Atualmente, 25% do pipeline são conversões. Segundo o executivo, todas as categorias de hotéis possuem uma bandeira focada nesse modelo de expansão.
Panorama do mercado brasileiro
No Brasil, a divisão PM&E da Accor conta com:
Econômico: 234 hotéis
- ibis: 136
- ibis budget: 56
- ibis Styles: 42
Midscale: 76
- Mercure: 49
- Novotel: 25
- Caesar Business: 1
- Tribe: 1
Premium: 11
- Grand Mercure: 7
- Pullman: 3
- Jequitimar: 1
Olivier Hick, COO da Accor para as Américas na divisão PM&E, compartilhou as renovações de contratos da rede no Brasil. No total, 22 empreendimentos mantiveram seus acordos com a rede francesa. “São renovações muito importantes para nós, que provam a força das nossas marcas e a contribuição do ALL.”
Estratégia comercial
Com a palavra, André Sena, CDO (Chief Digital Officer) da rede, apresentou a estratégia comercial do grupo. Atualmente, 100% dos hotéis da Accor utilizam software de RM (Revenue Management) baseado em IA (Inteligência Artificial) para construir sua estratégia de precificação, levando em consideração ocupação, preço de mercado e cenários futuros.
“Somos líderes absolutos nas vendas por meio das agências da Abracorp, que representam 38% do total. Isso mostra a nossa força de vendas na América do Sul”, celebrou Sena. Já o programa de fidelidade ALL possui mais de 100 milhões de membros globais e 17 milhões de clientes nas Américas — sendo 50% destes no Brasil.
O clube de assinaturas ALL Signature completou três anos com crescimento de 71% na receita em relação a 2024, reforçando a força do modelo de fidelidade. Como destaque, a campanha com a Azul Linhas Aéreas permitiu aos clientes acumular pontos simultaneamente nos dois programas ao voar com a companhia e se hospedar em hotéis Accor.
Em 2025, mais de 1 bilhão de pontos foram transferidos por parceiros para o programa de fidelidade. O ALL também é o maior canal de vendas da rede nas Américas. No ano passado, uma em cada três vendas foi realizada pelo app.
O ALL anunciou ainda o lançamento de seu app no ChatGPT, desenvolvido para enriquecer a experiência de sua crescente base de clientes. Com isso, a rede se torna um dos primeiros grupos hoteleiros e líder da indústria francesa a oferecer esse tipo de inovação, posicionando-se na vanguarda da transformação digital.
Por meio dessa nova funcionalidade, os viajantes podem usar seu idioma natural para buscar hotéis Accor, especificar destino, datas e informações dos hóspedes, visualizar tanto tarifas públicas quanto tarifas exclusivas para membros do programa de fidelidade, além de acessar informações dos empreendimentos, como tipos de quartos, comodidades e localização, diretamente no ChatGPT. Quando estiverem prontos para reservar, os usuários são redirecionados à plataforma de reservas ALL, garantindo uma reserva segura.
Resultados financeiros
No acumulado do ano, o RevPAR da rede francesa avançou 4,2%, o Ebitda recorrente cresceu 13,3%, totalizando € 1,2 bilhão, e a receita consolidada alcançou € 5,6 bilhões, alta de 4,5% na mesma base de comparação.
A expansão líquida foi de 3,7%, com a abertura de 303 hotéis e a incorporação de cerca de 51 mil quartos ao sistema. Ao fim de dezembro, o grupo somava 881,4 mil quartos distribuídos em 5,8 mil empreendimentos, além de um pipeline superior a 257 mil UHs (1,5 mil hotéis). O lucro por ação ajustado aumentou 16%, para € 1,84. A companhia também anunciou um programa de recompra de ações de € 450 milhões previsto para 2026.
(*) Crédito das fotos: Vinicius Medeiros e Nayara Matteis/Hotelier News















