A IA (Inteligência Artificial) deve se tornar o principal tema das conversas entre a Accor e os proprietários de hotéis nos próximos meses. Segundo a rede, os empreendedores estão buscando orientação sobre como incorporar a tecnologia às operações, com expectativa de alcançar economias de até 20% nos próximos 12 a 18 meses por meio da automação de processos, aponta o Phocuswire.
A avaliação foi compartilhada por Sébastien Bazin, CEO da Accor, durante a teleconferência de resultados do primeiro semestre de 2026. De acordo com o executivo, a adoção da IA deixou de ser um tema secundário e passou a ocupar a maior parte das discussões entre a companhia e seus investidores hoteleiros. “As melhorias proporcionadas pela IA podem estar na personalização, na jornada do hóspede e também em uma base de dados que reúna todos os membros do programa de fidelidade e os não membros”, afirmou.
Bazin destacou que as discussões envolvem principalmente a aplicação da IA em plataformas essenciais da operação hoteleira, como PMS, CRS e CRM. “Como podemos oferecer um serviço melhor? Como a Accor pode incorporar IA em tudo o que envolve PMS, CRS e CRM? Esses temas representam a maior parte, se não dois terços, das nossas conversas com os proprietários nos últimos 12 meses”, pontuou.
Segundo ele, essa participação tende a crescer ainda mais. “Provavelmente, 90% das nossas conversas nos próximos 12 meses serão sobre isso. Não se trata de quem recebe qual parcela das taxas. Trata-se de como podemos ser melhores, tanto para eles, aumentando suas margens e o lucro líquido, quanto para nós, como um melhor orquestrador e distribuidor”, endossou.
O executivo acrescentou que a adoção da IA pode gerar ganhos relevantes tanto na redução de custos quanto no crescimento do RevPAR nos hotéis da rede.
Receita cresce, mas em ritmo moderado
No primeiro semestre de 2026, a Accor registrou receita total próxima de € 2,8 bilhões, avanço de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA alcançou € 563 milhões, acima dos € 552 milhões registrados um ano antes.
Embora o crescimento financeiro tenha sido modesto, o discurso da companhia evidencia que a estratégia para os próximos anos passa pela digitalização das operações e pela aplicação da IA em diferentes etapas da jornada do cliente e da gestão hoteleira.
IA avança entre as grandes redes hoteleiras
A Accor lançou, no início deste ano, um aplicativo integrado ao ChatGPT, mas não apresentou atualizações sobre a evolução da ferramenta durante a divulgação dos resultados. Enquanto isso, outras grandes redes anunciaram novos projetos envolvendo IA.
A IHG Hotels & Resorts revelou o lançamento de uma busca conversacional baseada em IA em seus canais digitais, inicialmente em fase beta no site da empresa e no aplicativo de fidelidade One Rewards, nos Estados Unidos.
A funcionalidade permite que os viajantes planejem viagens utilizando linguagem natural em um portfólio com cerca de 7 mil hotéis. Além disso, a companhia informou que implementará, nos próximos meses, uma plataforma de conteúdo otimizada para IA, permitindo que os hotéis publiquem informações mais completas e estruturadas para ampliar sua descoberta por plataformas baseadas em IA.
Segundo a IHG, os próximos passos incluem experiências de busca mais personalizadas e recursos de reservas realizados por agentes de IA. Durante a apresentação dos resultados anuais de 2025, Elie Maalouf, CEO da rede, afirmou que a ferramenta transformará a forma como o conteúdo dos hotéis é estruturado e fortalecerá os elementos digitais necessários para que nossos empreendimentos sejam recomendados por agentes de IA. “Também criará novas formas de combinar e apresentar informações, oferecendo maior flexibilidade na criação, distribuição e personalização do conteúdo”, enfatizou.
Outra iniciativa anunciada nesta semana veio da Radisson Hotel Group, que firmou parceria com a Accenture para lançar um aplicativo de descoberta de hotéis baseado em IA dentro do ChatGPT. Batizada de @RadissonHotels, a solução responde às solicitações dos consumidores apresentando hotéis relevantes, disponibilidade em tempo real e tarifas atualizadas. A expectativa é que futuras versões incluam personalização mais profunda, reconhecimento de programas de fidelidade, reservas realizadas diretamente na conversa, gerenciamento de hospedagens, alterações de viagens e funcionalidades de concierge com IA.
O discurso da Accor sinaliza uma mudança importante na relação entre redes hoteleiras e proprietários de ativos. Se, historicamente, as discussões giravam em torno de taxas de franquia, distribuição e performance comercial, a IA passa a ocupar o centro das decisões estratégicas. A expectativa de redução de custos de até 20% em pouco mais de um ano indica que a tecnologia começa a ser vista não apenas como ferramenta de inovação, mas como um fator direto de aumento da rentabilidade.
Ao mesmo tempo, os anúncios recentes de Accor, IHG e Radisson mostram que a disputa entre as grandes redes tende a migrar para a capacidade de integrar IA aos sistemas operacionais, à distribuição digital e à personalização da experiência do hóspede, consolidando a IA como um dos principais vetores de competitividade da hotelaria global.
(*) Crédito da foto: Divulgação















