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Carnaval não catalisa demanda, mas reforça diária em março

De acordo com dados da 212ª edição do InFOHB, a hotelaria brasileira viu o RevPar e a diária média – dois dos principais termômetros de desempenho do setor – manterem a trajetória de alta em março. A realização do Carnaval no terceiro mês do ano teve peso considerável nos resultados, que apresentaram demanda aquém do esperado em relação aos meses anteriores.

O relatório produzido pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) mostra que, no período, o aumento da diária média frente a março de 2024 foi de 15,9%. O RevPar, por sua vez, cresceu 17,2% na mesma base comparativa.

A ocupação, por sua vez, registrou alta de 1,1% no recorte anual. Porém, cabe lembrar que, na comparação mensal, houve um forte movimento de desaceleração do indicador, que cresceu 13,8% em fevereiro. A performance da diária média e do RevPar reflete uma estratégia de valorização tarifária sustentada pela retomada da demanda em diversos destinos e segmentos, especialmente o corporativo e o de eventos, além de um cenário econômico mais estável, que favorece o consumo.

InFOHB -Infográfico

O Carnaval, que em 2025 ocorreu em março (de 1º a 5), teve papel central no desempenho positivo da hotelaria no período. Tradicionalmente, o feriado é um dos mais importantes para o setor, impulsionando a demanda em destinos turísticos que oferecem programação voltada para a folia ou servem de refúgio para quem busca descanso. Isso ajuda a explicar o aumento expressivo da diária média e do RevPar, uma vez que muitos hotéis aplicam tarifas mais altas durante grandes eventos e feriados prolongados.

Além disso, a movimentação tanto do turismo doméstico, quanto do internacional pode ter gerado uma ocupação mais distribuída regionalmente, o que explica a retração em relação a fevereiro.

Outros dados

Analisando os dados acumulados de janeiro a março de 2025, o InFOHB considera 584 hotéis (93,3 mil quartos) de redes associadas para o estudo. Em comparação com o mesmo período de 2024, houve alta de 4,9% na ocupação, 10,1% na diária média e 15,5% no RevPar.

Voltando ao resultado de março, especificamente, diária média e RevPar tiveram desempenho positivo em todas as regiões. No primeiro indicador, o destaque foi o Nordeste, com incremento de 29,9%. Logo em seguida, aparecem Sudeste (16,9%), Norte (13,3%), Sul (11%) e Centro-Oeste (7,5%).

No RevPar, por sua vez, o Nordeste também deteve o crescimento mais expressivo, com 29,2%. Complementando a lista, estão Sudeste (19,4%), Sul (13,6%), Norte (7,6%) e Centro-Oeste (1,2%).

Na ocupação, entretanto, três regiões apresentaram performance negativa em março, com o Centro-Oeste respondendo pela maior retração (-5,9%). Em seguida, estão Norte (-5%) e Nordeste (-0,5%). Na contramão dessas baixas, Sul e Sudeste conseguiram avançar nesse indicador, crescendo 2,4% e 2,2%, respectivamente.

Analisando os indicadores mais detalhadamente, a queda de ocupação no Nordeste, região que mais cresceu em diária média e RevPar, pode ser associada a uma estratégia mais agressiva de precificação por parte dos hotéis, priorizando rentabilidade em detrimento do volume, o que pode ter afastado parte dos viajantes mais sensíveis a preço ou deslocado a demanda para hospedagens alternativas, como short-term rentals, que competem diretamente com a hotelaria tradicional em épocas de alta procura.

Neste cenário, os empreendimentos upscale tiveram a performance mais acentuada, crescendo 2,9% em ocupação, 25,3% na diária média e 28,8% no RevPar. Nos midscale, por sua vez, as variações positivas foram de 1,2%, 12,4% e 13,8%, respectivamente. Por fim, os hotéis econômicos tiveram a performance mais discreta, crescendo 0,5% em ocupação, 13,7% em diária média e 14,2% no RevPar.

Principais municípios

Na diária média, dos 15 municípios pesquisados, apenas dois apresentaram percentuais negativos: Campinas (-9,1%) e Goiânia (-0,9%). Os demais tiveram altas, variando entre 0,5% em Porto Alegre e 61,9% em Salvador. Outros municípios que registaram percentuais positivos acima de 20% são: Rio de Janeiro, Vitória e Florianópolis.

InFOHB -Infográfico

No RevPar, apenas dois decréscimos foram registrados, também em Campinas (-11,9%) e Goiânia (-10,6%). As demais cidades apontam acréscimos variando entre 2,2% em São Paulo e 97,5% no Rio de Janeiro. Outras cidades com percentuais significativos foram Salvador (56,1%), Florianópolis (34,1%), Vitória (25,3%), Belo Horizonte (23,5%) e Fortaleza (20,4%).

Infográfico - RevPar

No Rio de Janeiro, especificamente, o crescimento do RevPar pode ser creditado a uma conjunção de fatores favoráveis, como a realização do Carnaval no período, visto que o evento tem forte impacto sobre a demanda turística da cidade, um dos destinos mais buscados pelos turistas, tanto domésticos, quanto internacionais, durante a festividade.

Além disso, o crescimento quase dobrado em relação a março de 2024 pode indicar que, no ano anterior, o Carnaval caiu em fevereiro (como de fato ocorreu), o que naturalmente deixa a base de comparação de março mais fraca.

Já na ocupação, oito municípios tiveram resultados negativos, sendo Goiânia (-9,8%), Recife (-8,5%), Belém (-4,8%), Brasília (-4,6%), Salvador (-3,6%), Campinas (-3%), Manaus (-2,3%) e São Paulo (-1,9%). As demais cidades tiveram variações positivas, com o Rio de Janeiro crescendo 26,2%.

Infográfico - Ocupação

Em seguida, aparecem Fortaleza (10,4%), Florianópolis (9,9%), Belo Horizonte (8,6%), Vitória (3,7%) e Porto Alegre (3,1%).

(*) Crédito da capa: Pixabay

(**) Crédito dos infográficos Divulgação/FOHB

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