Sempre defendi que o papel do design iconográfico na hospitalidade é o de um coadjuvante silencioso, porém vital para a construção da alma de um hotel. Ele não cria o espaço do zero, essa é a maestria e a responsabilidade técnica do arquiteto, mas atua como o elemento que ajuda a narrar a história que aquele ambiente deseja transmitir ao hóspede. Ao longo do meu tempo à frente da ARTEO, aprendi que um lobby não é apenas um cartão de visitas burocrático ou uma simples área de trânsito, mas o primeiro capítulo de uma jornada sensorial que define toda a percepção da estadia. Recentemente, tive o privilégio de observar de perto a transformação do lobby do Mercure SP Times Square, um projeto conduzido com uma sensibilidade ímpar pela arquiteta Ana Vidal.
Ao caminhar pelo novo lobby, percebe-se imediatamente que não estamos mais num simples local de passagem fria e funcional. Ana Vidal conseguiu transmutar a funcionalidade de uma área de check-in numa verdadeira “sala de estar” urbana, onde o conforto convida à pausa prolongada e à contemplação. Como um observador interessado na conexão intrínseca entre pessoas e espaços, notei como a curadoria visual que desenvolvemos na ARTEO, sempre sob a batuta e orientação da arquitetura de Ana, ajudou a ancorar essa sensação de pertencimento que o hotel tanto buscava para se modernizar. O retrofit hoteleiro, quando bem executado, tem esse poder quase mágico: o de dar alma nova a estruturas que já fazem parte do tecido da cidade, tornando-as vibrantes, atuais e acolhedoras para o viajante contemporâneo que busca autenticidade.
Em nossa conversa para a série, Ana Vidal foi enfática sobre a sua intenção técnica e emocional ao redesenhar esse fluxo de hospitalidade: “A bandeira Mercure se caracteriza por uma bandeira cozy, acolhedora, que você deve se sentir como se estivesse em um espaço seu. Então por isso a gente acaba criando pequenos núcleos. A gente tem vários tipos de formas de estar, isso faz com que o público se identifique sempre com algum cantinho”. Essa fala resume com precisão a alma deste projeto. Enquanto o arquiteto olha para o fluxo, para a gestão do vazio e para a função de cada mobiliário, nós, na ARTEO, olhamos para as paredes como telas que podem reforçar essa intenção primária do criador. No caso do Mercure Times Square, a inspiração veio da vizinhança icônica com o Parque Ibirapuera. As imagens que integram o projeto não são meras decorações isoladas, mas sim parte de um ecossistema visual que traz o respiro do verde para dentro do concreto urbano de São Paulo, criando um refúgio para os sentidos.
A gerência do hotel também desempenha um papel vital nessa narrativa de transformação. É através do olhar atento da operação que o design ganha vida no dia a dia. Quando a gestão decide investir numa identidade visual assertiva, ela está, na verdade, entregando ao seu gerente uma ferramenta poderosa de hospitalidade e diferenciação. O resultado prático é um ambiente onde o hóspede se sente convidado a diminuir o passo, abrir o seu computador para uma reunião informal, tomar um café sem pressa e sentir-se verdadeiramente parte da pulsação da cidade. Como coadjuvante nesse processo, percebo que a nossa entrega técnica de design de imagens só atinge sua plenitude quando está em total harmonia com a visão da arquitetura e as necessidades diárias da gestão hoteleira.
Essa colaboração entre a visão técnica da Ana Vidal, a gestão hoteleira estratégica e a nossa expertise em design iconográfico prova que o sucesso de um retrofit está na sinergia entre os profissionais. O protagonismo aqui pertence integralmente à visão da arquiteta Ana Vidal e à estratégia de mercado do Mercure; eu sou apenas o narrador de um encontro onde a imagem serve à arquitetura para criar laços reais entre o hóspede e o hotel. É um exemplo claro de como a qualidade técnica e o design de imagem podem ser aplicados para humanizar a hotelaria e gerar valor duradouro para o ativo, transformando paredes frias em narrativas vivas de hospitalidade.
Para entender melhor como essa conexão foi criada, convido-o a assistir ao vídeo completo deste episódio, onde a arquiteta Ana Vidal detalha cada escolha técnica e estética deste projeto fascinante no coração de São Paulo.
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Christophe Bonadona é diretor da ARTEO, Estúdio de Design Iconográfico com sede em São Paulo e fundada em 2012. Reconhecido por sua abordagem colaborativa com arquitetos, o estúdio desenvolve projetos iconográficos nos segmentos de hospitalidade, lifestyle e arquitetura comercial, traduzindo identidade em forma, narrativa e ambientação. Suas criações personalizadas atendem desde empreendimentos econômicos até hotéis de luxo, sempre com foco em autenticidade e expressão visual.
(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal










