O turismo internacional registrou crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, mesmo diante dos impactos do conflito no Oriente Médio. Dados da ONU Turismo mostram que cerca de 307 milhões de pessoas viajaram internacionalmente entre janeiro e março, aproximadamente 6 milhões a mais do que no mesmo período de 2025, segundo o Hospitality Net.
O desempenho foi impulsionado pelos resultados de janeiro e fevereiro, mas perdeu força em março, quando a alta ficou em apenas 0,4%, refletindo os efeitos da escalada das tensões na região. A entidade estima que a situação possa reduzir entre um e dois pontos percentuais da projeção inicial de crescimento para 2026, que era de 3% a 4%.
Segundo Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da ONU Turismo, o aumento dos custos de transporte e hospedagem, aliado às incertezas geopolíticas, tem pressionado viajantes, empresas e destinos. Ainda assim, ela destacou a resiliência do setor.
Hotelaria mantém ocupação global estável
Na hotelaria, a taxa global de ocupação atingiu 64% em março, repetindo o resultado observado no mesmo mês de 2025. Europa, Américas e Ásia-Pacífico lideraram o desempenho, todas com média de 65%.
O Oriente Médio, por sua vez, sentiu os efeitos da crise de forma mais intensa. A ocupação na região caiu de 75% em janeiro para 48% em março, acompanhando a redução no fluxo de turistas internacionais.
Europa e África lideram avanço
A Europa, principal destino turístico do mundo, recebeu mais de 130 milhões de turistas internacionais no primeiro trimestre, alta de 4% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A África também avançou 4%, com destaque para o norte do continente.
Na Ásia-Pacífico, o crescimento foi de 3%, enquanto as Américas registraram alta de 2%. A América Central se destacou com expansão de 18%, mas a América do Sul apresentou retração de 1%.
O Oriente Médio foi a região mais impactada pelas tensões geopolíticas, com queda de 14% nas chegadas internacionais. Apesar disso, o Egito registrou crescimento de 16%.
Entre os destinos com melhor desempenho em volume de visitantes estão Paraguai (+46%), Nova Zelândia (+45%) e El Salvador (+43%). Em receitas turísticas, o Brasil registrou alta de 12%. Um dos fatores que explicam o crescimento modesto no país foi o recuo de 4,0% do setor em março.
Custos e incertezas preocupam o setor
A ONU Turismo aponta que a instabilidade no Oriente Médio, os altos custos de transporte e hospedagem e outros fatores econômicos estão entre os principais desafios para o setor em 2026. Entre os especialistas consultados, 64% afirmaram que a situação já afeta negativamente a demanda por viagens.
Para os próximos meses, a perspectiva é de cautela. O Índice de Confiança da ONU Turismo indica expectativa moderadamente positiva para o verão do Hemisfério Norte, mas especialistas seguem atentos à duração do conflito, às interrupções nos voos e à alta dos preços do petróleo e do combustível de aviação.
Segundo a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), o tráfego aéreo internacional cresceu 4% no primeiro trimestre, embora o Oriente Médio tenha registrado queda de 16%.
(*) Crédito da foto: Divulgação










