InícioNEGÓCIOSHotel SolutionESG na hotelaria em 2026: marcos e impactos do setor
Slaviero hospitalidade

ESG na hotelaria em 2026: marcos e impactos do setor

HSystem - Selo_promo

A agenda ESG deixou de ser voluntária para a hotelaria. Em 2026, regulações europeias e brasileiras tornam obrigatório o reporte de dados de sustentabilidade para empresas de capital aberto e a pressão vai além da lei: investidores, áreas de procurement e viajantes corporativos já exigem evidências ESG como critério de decisão. Hotéis que se anteciparem saem na frente. Os demais correm risco real de perder acesso a capital, contratos e mercado.

O cenário regulatório que chegou — e o que ainda está por vir

Dois marcos regulatórios definem o ritmo da hotelaria global em 2026. O primeiro é europeu: a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) exige que grandes empresas da União Europeia — incluindo redes hoteleiras com matriz no bloco — divulguem dados ESG auditados segundo as Normas Europeias de Relatórios de Sustentabilidade (ESRS). Vale destacar que a CSRD vai muito além do reporte de dados: ela define o que pode ou não ser comunicado como prática sustentável, proibindo alegações vagas ou não verificáveis, o que reposiciona o compliance ESG também como uma questão de comunicação responsável.

O segundo marco é brasileiro: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória, a partir do exercício social de 2026, a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade para companhias abertas, alinhada às normas internacionais IFRS S1 e S2 do ISSB. O Brasil se torna o primeiro país do mundo a adotar oficialmente esses padrões globais de reporte ESG como obrigação regulatória, e a hotelaria de capital aberto está diretamente no escopo.

Vale registrar um ponto que tem gerado confusão no mercado: o Pacote Omnibus europeu, publicado em fevereiro de 2026, simplificou e adiou algumas obrigações da CSRD, especialmente para PMEs e empresas de menor porte. Isso não elimina os requisitos para grandes grupos e redes internacionais e tampouco altera o cenário brasileiro, que segue seu próprio calendário. A simplificação europeia é relevante, mas não deve ser lida como recuo da agenda regulatória: as obrigações de fundo permanecem, e o mercado continua cobrando independentemente da regulação.

Por que a pressão vai além da obrigação legal

Regulação é o piso. O que está movendo o mercado de forma mais ampla é a pressão vinda de três frentes simultâneas, sendo que nenhuma delas espera o prazo regulatório.

1. Investidores: ESG como critério de acesso a capital

O mercado financeiro brasileiro acelerou sua postura em ESG. Os fundos ESG no Brasil encerraram 2025 com patrimônio de R$ 34 bilhões, o que representa um crescimento de 28% no ano. Investidores institucionais, seguradoras internacionais e gestoras globais estabeleceram políticas internas que exigem comprovação de impacto sustentável. O BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, integra critérios ESG à gestão de riscos em todas as frentes: investment banking, corporate lending, asset e wealth management.

Na hotelaria especificamente, esse movimento já é percebido. Há investidores que baseiam decisões na maturidade ESG dos empreendimentos e na capacidade de mitigação de

Na hotelaria especificamente, esse movimento já é percebido. Há investidores que baseiam decisões na maturidade ESG dos empreendimentos e na capacidade de mitigação de riscos, e a tendência é que isso influencie diretamente o acesso a crédito e o custo de capital. Hotéis que conseguem demonstrar governança estruturada e dados auditáveis ganham vantagem real na captação. Os que não conseguem enfrentam custo maior e janelas mais estreitas.

2. Procurement corporativo: ESG virou cláusula de contrato

A área de compras das grandes empresas mudou o critério de seleção de fornecedores. A Pesquisa Firjan ESG 2025 mostra que 72% das empresas já exigem que fornecedores adotem práticas sustentáveis em sua cadeia de valor, e 96% afirmam manter práticas ESG internamente. Contratos corporativos passaram a incluir cláusulas ESG com sanções por descumprimento — e, em processos de seleção de eventos e hospedagem, critérios de sustentabilidade verificável já aparecem como eliminatórios.

Para hotéis que atendem eventos corporativos, congressos e viagens de negócios, essa pressão é direta: o comprador de viagens corporativas quer saber se o hotel tem certificação, quais são as práticas ambientais verificadas, se há dados de emissões disponíveis. Não ter essas respostas prontas é, cada vez mais, uma desvantagem comercial concreta.

3. O viajante corporativo e a nova régua das plataformas

O Booking.com aponta que 83% dos viajantes globais consideram a sustentabilidade fator decisivo na escolha da hospedagem. As plataformas de reserva passaram a destacar empreendimentos com práticas verificáveis e o viajante corporativo, em especial, chega com perguntas que os recepcionistas e gerentes de vendas precisam saber responder.

O que a hotelaria brasileira enfrenta na prática

A hotelaria brasileira acompanha esse movimento, e o faz com consistência crescente. Empreendimentos nacionais como o Royal Palm Hotels & Resorts e o Malai Manso Resort demonstram que nível de maturidade ESG não é exclusividade de redes internacionais: com estrutura, método e comprometimento, hotéis brasileiros chegam a superar padrões de grandes grupos globais em critérios verificáveis. O que varia entre os empreendimentos não é necessariamente a origem ou o porte, mas o estágio da jornada. E é exatamente aí que uma certificação estruturada atua como guia seguro. Ao mapear práticas, identificar lacunas e orientar a implementação com metodologia reconhecida, o processo de certificação transforma intenção em agenda concreta, permitindo que cada empreendimento avance no seu ritmo e comprove resultados de forma auditável.

Definir o escopo é o primeiro passo estratégico: quais ativos entram no reporte? Hotéis próprios, arrendados, franquias, contratos de gestão: cada modelo tem suas especificidades, e a plataforma da ESG Pulse foi desenvolvida para contemplar diferentes tipos e tamanhos de empreendimento, tornando esse mapeamento uma decisão inteligente, não uma barreira.

Transformar desafio em oportunidade: o caminho prático

A boa notícia é que antecipação tem retorno mensurável. Hotéis que estruturam a jornada ESG antes da obrigatoriedade chegam ao mercado com vantagem competitiva que vai além da conformidade: conquistam contratos corporativos com critérios de sustentabilidade, atraem investidores com critérios ESG, diferenciam-se em plataformas de reserva e protegem sua reputação de riscos de greenwashing, que, com a nova regulação, têm consequências jurídicas reais.

Algumas frentes práticas por onde começar:

  • Mapeie o estágio atual das práticas ESG do empreendimento: antes de comunicar qualquer coisa externamente, entenda onde você está. Diagnósticos estruturados, como o oferecido pela Certificação ESG Pulse, permitem identificar gaps prioritários e construir um plano realista, sem prometer o que ainda não é possível comprovar;
  • Estruture a coleta de dados com método: emissões de GEE (escopos 1, 2 e 3), consumo de energia e água, gestão de resíduos, práticas trabalhistas, governança. Sem dados organizados, não há reporte possível. E sem reporte, não há credibilidade com investidores nem com procurement;
  • Qualifique a cadeia de fornecedores: o impacto ESG de um hotel vai muito além das suas operações diretas. Fornecedores de alimentos, lavanderia, limpeza, audiovisual, transporte: todos carregam impactos que afetam o resultado final. Exigir e apoiar práticas verificáveis na cadeia é parte da agenda ESG, não detalhe opcional;
  • Busque certificação independente: selos baseados apenas em autodeclaração não têm mais credibilidade de mercado. Os pilares são três: auditoria por terceiro independente, padrões publicamente disponíveis e avaliação de impacto ambiental, social e econômico alinhada aos ODS da ONU. Certificações com metodologia baseada em normas como ISO 21401, GSTC, ABNT PR 2030 e critérios referentes à Diretiva Europeia de Empoderamento do Consumidor estão alinhadas a esse referencial: e é exatamente sobre essas bases que a Certificação ESG Pulse foi construída. O processo combina avaliação online, apoio técnico especializado e auditoria presencial em campo, com quatro níveis progressivos (Básico, Gerencial, Transformador e Regenerativo) que permitem a cada empreendimento começar de onde está e avançar com consistência;
  • Comunique com escopo e transparência: não diga que o hotel é “sustentável” sem dados que sustentem a afirmação. Com a nova regulação europeia e o CDC brasileiro, comunicações ambientais genéricas configuram publicidade enganosa. A Declaração de Belém para o Turismo Sustentável, assinada em 2026 por 13 entidades do setor, estabelece exatamente esse padrão: compromissos devem declarar escopo, indicar evidência e diferenciar participação de resultados comprovados.

ESG na hotelaria: o divisor de águas já chegou

A combinação de regulação obrigatória, pressão de investidores, exigências de procurement e expectativas de viajantes cria um cenário sem volta. A maturidade ESG vai influenciar, de forma crescente, o acesso a capital, a capacidade de fechar contratos corporativos, a visibilidade em plataformas de reserva e a capacidade de internacionalização de ativos.

Hotéis que tratarem essa agenda como burocracia enfrentarão custos maiores de adaptação no futuro. Os que enxergarem como estratégia constroem vantagem agora e chegam ao novo ciclo regulatório com estrutura, dados e credibilidade já estabelecidos.

A ESG Pulse apoia a hotelaria e toda a cadeia do turismo nessa jornada: da certificação ESG independente ao suporte para desenvolvimento de destinos sustentáveis.

Saiba mais em esgpulse.global.

(*) Crédito da foto: Divulgação/ESG Pulse

Realgems ameneties