O turismo brasileiro manteve o mesmo patamar de deslocamentos em 2024, mas com despesas mais altas. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua: Turismo 2024, divulgada hoje (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foram realizadas 20,6 milhões de viagens com pernoite dentro e fora do país, número praticamente estável em relação a 2023, quando a diferença foi de apenas 0,1%. Em contrapartida, os gastos com viagens nacionais subiram 11,7%, alcançando R$ 22,8 bilhões.
O levantamento detalha o comportamento dos brasileiros em relação ao turismo, incluindo frequência, finalidades das viagens, renda dos domicílios e meios de transporte utilizados. Para William Kratochwill, analista do IBGE responsável pelo estudo, o aumento dos custos ajuda a explicar a estabilidade do número de viagens.
“Mesmo com crescimento da renda do trabalhador no ano passado, o custo médio das viagens aumentou. O preço contribui muito para determinar a demanda e pode ter inibido a expansão das viagens, que se mantiveram constantes”, afirma.
Viagem ainda é privilégio de poucos
Os dados reforçam que o turismo ainda está restrito a uma parcela minoritária da população. Entre os 77,8 milhões de domicílios brasileiros, apenas 19,3% (15 milhões) tiveram algum morador que viajou em 2024. O percentual é menor que o registrado em 2023 (19,8%) e em 2019 (21,8%).
Na maior parte das residências, não houve nenhum deslocamento turístico: 80,7% em 2024, contra 80,2% em 2023 e 78,2% em 2019. Nos anos de pandemia, os índices foram ainda mais elevados: 87,3% em 2021 e 86,1% em 2020.
A relação com a renda é clara. Enquanto 45,7% dos domicílios com renda domiciliar per capita superior a quatro salários mínimos realizaram alguma viagem, apenas 10,4% dos lares com rendimento abaixo de meio salário mínimo tiveram essa possibilidade.
Dinheiro ainda é principal barreira
Apesar da maior priorização das viagens entre os brasileiros, a falta de recursos foi apontada como o maior impeditivo para viajar. A pesquisa diz que 39,2% dos lares declararam que não viajaram em 2024 por restrições financeiras, com o índice chegando a 55,3% entre famílias de baixa renda. Entre os lares mais ricos, apenas 11,4% deram esse motivo.
Entre os que conseguiram viajar, a maioria (74%) realizou apenas uma viagem no ano passado, enquanto 15,1% fizeram duas e somente 2,6% chegaram a cinco ou mais deslocamentos.
(*) Crédito da foto: Divulgação











