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Liderança humanizada ganha força na hotelaria com avanço da automação

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A automação e a inteligência artificial estão transformando rapidamente a hotelaria. Processos antes executados exclusivamente por pessoas agora são realizados por sistemas capazes de aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e agilizar a jornada do hóspede. Diante desse cenário, surge uma questão estratégica para o setor: como preservar a essência da hospitalidade em um ambiente cada vez mais automatizado?

Essa reflexão surgiu durante uma recente reunião do Revenue Advisory Board da HSMAI. Os participantes concordaram que a discussão já não está centrada em saber se a tecnologia continuará avançando, mas em compreender quais serão os impactos desse movimento sobre a experiência do hóspede e sobre o próprio conceito de hospitalidade.

Uma frase compartilhada durante a conversa sintetizou essa preocupação: “só perceberemos quando já tivermos ido longe demais.”

A discussão ganhou ainda mais relevância a partir de um artigo recente da Harvard Business Review, que apresentou um ponto central para o futuro da indústria: embora a eficiência possa ser ampliada em escala por meio da tecnologia, é a conexão humana que continua sendo o principal fator de diferenciação.

Como destacou um dos participantes, os momentos em que a interação humana se torna mais importante são justamente aqueles em que a receita e a fidelidade estão mais em jogo. Isso inclui situações como recuperação de falhas no atendimento, relacionamento com hóspedes de alto valor e reservas realizadas com grande antecedência.

Automação deve simplificar a jornada, não substituir a experiência

Durante o debate, um consenso ficou evidente. Perguntas rotineiras, solicitações operacionais e processos que reduzem atritos na jornada do hóspede podem ser automatizados com eficiência.

Por outro lado, os pontos de contato capazes de construir relacionamentos, fortalecer a fidelidade, ampliar o poder de precificação e incentivar novas estadias devem permanecer essencialmente humanos.

Um dos exemplos compartilhados foi o de uma ligação realizada após o check-out em um resort de lazer. O contato gerou impacto porque foi percebido como uma iniciativa genuína e intencional. Em um hotel econômico, entretanto, essa mesma ação provavelmente não produziria o mesmo efeito.

O episódio reforçou outra conclusão importante da discussão: contexto, categoria do empreendimento e expectativa do hóspede influenciam diretamente a forma como a hospitalidade é percebida.

Contato humano pode se tornar um diferencial competitivo

Os participantes também discutiram como diferentes segmentos da hotelaria deverão equilibrar tecnologia e relacionamento.

Alguns acreditam que o atendimento humano tende a se tornar um diferencial associado ao segmento de luxo, enquanto a automação permitirá que as equipes concentrem seus esforços em interações de maior valor agregado.

Outros levantaram um questionamento igualmente relevante: em um mercado cada vez mais orientado pela eficiência e pressionado pelo aumento dos custos de mão de obra, a fidelidade continuará exercendo o mesmo papel estratégico?

Os exemplos de hotéis considerados autônomos também foram analisados durante o encontro e reforçaram a distância existente entre a promessa tecnológica e a realidade operacional. Na prática, um hotel totalmente automatizado raramente é verdadeiramente autônomo.

O que criará poder de precificação na hotelaria?

Uma das reflexões mais relevantes surgiu ao final da conversa: se a tecnologia passar a realizar a maior parte das transações e a eficiência operacional se tornar um requisito básico, o que realmente criará poder de precificação? Será a eficiência, a personalização, a força da marca ou a hospitalidade humana?

As opiniões iniciais foram diferentes, mas o grupo concordou que a intenção da viagem acrescenta uma nova dimensão ao debate. Um viajante corporativo que chega ao hotel à meia-noite provavelmente prioriza rapidez e agilidade. Já um hóspede de lazer pode valorizar muito mais a conexão, o acolhimento e o relacionamento.

Uma mesma marca pode atender às duas necessidades, desde que compreenda quem é o cliente e adapte sua comunicação e sua experiência.

Segmentação baseada em dados será cada vez mais importante

A parte final da discussão concentrou-se na evolução da segmentação de hóspedes. Os participantes observaram que os modelos tradicionais já não conseguem acompanhar plenamente os atuais padrões de comportamento. Sem sinais precisos sobre preferências e intenções, as possibilidades de personalização permanecem limitadas.

Diversos profissionais destacaram a importância dos dados próprios (first-party data) e do engajamento dos hóspedes, considerando informações como comportamento antes da chegada, reservas diretas e aquilo que os clientes escolhem aceitar ou ignorar ao longo da jornada.

Ao mesmo tempo, outros participantes ressaltaram que nem mesmo a melhor estratégia de segmentação produz resultados quando a tecnologia não funciona adequadamente. Qualquer dificuldade durante a experiência pode comprometer rapidamente a confiança do hóspede.

O equilíbrio entre automação e hospitalidade definirá a estratégia comercial

A conversa terminou com mais perguntas do que respostas, algo compatível com o momento vivido pela indústria hoteleira.

A automação continuará avançando. A hospitalidade humana permanece essencial. E é justamente no equilíbrio entre esses dois elementos que as estratégias comerciais, de relacionamento e de geração de receita tendem a ser construídas nos próximos anos.

Perguntas para reflexão das equipes

  • À medida que os hotéis adotam mais automação em reservas, comunicação e operações, em quais pontos as organizações devem preservar intencionalmente a interação humana por sua capacidade de gerar mais receita, fortalecer a fidelidade e ampliar o valor do hóspede ao longo do tempo?
  • Qual deve ser o nível de participação dos líderes comerciais na construção da experiência do hóspede, considerando que essa experiência influencia o poder de precificação, a recorrência e o crescimento da receita no longo prazo?
  • Em quais situações a hospitalidade humana já influenciou diretamente o desempenho da receita, seja por meio de diárias médias mais altas, novas estadias, consumo adicional ou maior fidelidade?
  • Ao avaliar novos investimentos em tecnologia, como as organizações devem equilibrar a redução de custos com o potencial de receita gerado por experiências melhores e relacionamentos mais fortes?
  • Se a inteligência artificial passar a realizar a maior parte das transações e a eficiência operacional se tornar um requisito básico, o que criará poder de precificação para as marcas hoteleiras no futuro?
  • Será a eficiência, a personalização orientada por dados, a força da marca ou uma hospitalidade humana autêntica?

(*) Crédito da foto: Divulgação/HSMAI Brasil

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