A busca por modelos capazes de reduzir riscos, ampliar previsibilidade de caixa e construir relações duradouras com o hóspede tem reposicionado o timeshare no centro das discussões estratégicas da hotelaria. Mais do que uma alternativa comercial, o formato pode ser tratado como um modelo de gestão com impactos diretos em governança, operação e longevidade dos ativos.
Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Gabriela Schwan, fundadora da GS Hospitality e ex-CEO da Swan Hotéis, explica que o diferencial do timeshare é definido por três pilares: previsibilidade de receita, controle operacional e capacidade contínua de evolução do produto. “O ativo passa a operar sob um controle de gestão único, o que garante flexibilidade real para ajustes estratégicos, evolução contínua do produto e implementação de melhorias ao longo do tempo”, diz.
Esse ponto se torna ainda mais relevante quando o timeshare é comparado a estruturas pulverizadas, como condo-hotéis ou empreendimentos de multipropriedade tradicionais. Nesses modelos, decisões relacionadas a investimentos, reposicionamento ou mudanças operacionais dependem de assembleias, o que tende a tornar a gestão mais lenta e conservadora. No timeshare, ela cita que a governança centralizada permite agilidade, coerência de marca e adaptação mais rápida às transformações do mercado.
Pela ótica dos investidores, a previsibilidade de caixa aparece como um fator decisivo. De acordo com Gabriela, o modelo permite antecipação de receitas, melhor planejamento de Capex e Opex e menor exposição a ciclos econômicos e flutuações de demanda. “Mais do que segurança financeira, isso representa maturidade do negócio, clareza de longo prazo e gestão de risco”, diz. A existência de contratos ativos, base recorrente de clientes e gestão centralizada alteram, inclusive, a leitura do ativo por instituições financeiras.
Outro efeito direto do timeshare é a redução da dependência da sazonalidade. Como o uso é contratado e não baseado apenas na expectativa de demanda, o fluxo tende a se manter mais equilibrado ao longo do ano. Nesse contexto, o entretenimento deixa de ser complementar e passa a assumir papel estratégico. Programações evolutivas, ativações bem curadas e novidades constantes estimulam o uso fora da alta temporada e mantêm o produto relevante ao longo do tempo.

Case
Para Gabriela, sua experiência do Jangal das Araucárias, em Canela (RS), ilustra esse movimento. Originalmente estruturado como multipropriedade, o empreendimento alcançou 96% da carteira vendida e, ao longo da operação, evidenciou uma migração natural para o timeshare.
Hoje, o projeto prevê uma migração gradual das cotas eventuais de multipropriedade canceladas para o modelo de timeshare, respeitando o ritmo do ativo e a maturidade da operação. A experiência reforça uma visão mais ampla sobre o futuro do setor. “Modelo forte não é o que nasce pronto, é o que consegue evoluir com consistência ao longo do tempo”, resume.
Com discussões sobre timeshare ganhando mais espaço na agenda hoteleira, o Share Summit, em abril, propõe aprofundar o debate sobre os modelos de compartilhamento e suas implicações estratégicas para investidores e operadores hoteleiros. O evento é promovido por Hotelier News, Noctua Advisory e Beta Advisory. As vendas estão abertas no link.
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(*) Crédito da foto: Freepik
(*) Crédito da foto: Arquivo HN













